81% dos consumidores já compraram por indicação de influenciadores
Pesquisa mostra que creators influenciam da descoberta à compra, enquanto IA e social commerce tornam essa jornada mais difícil de medir

Os influenciadores já levaram 81% dos brasileiros a comprar ao menos um produto. A conversão, porém, nem sempre acontece imediatamente: apenas 20% compram logo depois de acessar o link compartilhado pelo creator. Outros 64% pesquisam mais antes de tomar uma decisão.
Os dados fazem parte da pesquisa “Consumo & Influência 2026”, realizada pela YOUPIX em parceria com a Nielsen. O levantamento mostra que a recomendação de um criador de conteúdo passou a ser o início de uma jornada que pode incluir buscas, avaliações, ferramentas de inteligência artificial e compras dentro das próprias redes sociais.
Nesse cenário, o influenciador deixa de ser apenas um canal de divulgação e passa a integrar a jornada de consumo, da descoberta à venda.
CREATOR VIROU PARTE DO VAREJO
Para Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX, uma das principais mudanças aconteceu quando os criadores passaram a participar diretamente da conversão e das vendas. O movimento foi impulsionado pelo varejo, pelo social commerce e pelos programas de afiliados.
Esse modelo representa um “dinheiro novo” dentro da creator economy. Em vez de depender apenas do orçamento de marketing das marcas e de campanhas pontuais, o criador pode receber comissões continuamente.
“Diferentemente do marketing tradicional, essa dinâmica não tem temporada e permite que o criador ganhe dinheiro de forma mais autônoma, sem depender apenas de contratos com grandes agências”, explica Rafaela.
O TikTok Shop ajuda a dimensionar essa transformação. Segundo a pesquisa, 56% dos consumidores já fizeram uma compra diretamente pela plataforma e 80% avaliaram positivamente a experiência.

O Instagram, por sua vez, continua como a principal rede para a descoberta de produtos e serviços, citado por 80% dos entrevistados. O TikTok passou de 34% para 51% como canal de influência sobre as compras.
Para explicar o novo papel dos creators, Rafaela recorre a uma figura conhecida do varejo brasileiro: as revendedoras de produtos de beleza. A diferença é que, no lugar da revista impressa, a vitrine agora é o conteúdo digital.
“É uma nova vitrine. Para o criador vender, ele precisa criar. Isso gera um volume de conteúdo orgânico e autêntico que é excelente para as marcas”, afirma.
A IA ENTROU NA JORNADA DE COMPRA
O uso da inteligência artificial para pesquisar produtos após a recomendação de um influenciador quase quadruplicou em um ano: passou de 11% para 42% dos consumidores.
As ferramentas são usadas para comparar opções, resumir avaliações e buscar recomendações antes da compra. Para Rafaela, essa mudança exige que as marcas repensem a forma como constroem sua reputação digital.
Leia mais: Cuidado, influenciadores, a inteligência artificial pode assumir o seu lugar
Se antes o foco estava na otimização dos conteúdos para os mecanismos de busca, agora é preciso considerar também o conjunto de avaliações, análises, comentários e experiências compartilhadas por consumidores e criadores. Esses conteúdos ajudam a formar o repertório digital consultado pelas ferramentas de IA.
Vídeos, reviews e unboxings, portanto, podem influenciar uma compra mesmo quando o consumidor não acessa diretamente o link do creator. “O influenciador está influenciando duplamente”, resume Rafaela.
NEM TUDO APARECE NO DASHBOARD
Os dados também expõem uma limitação dos indicadores tradicionalmente usados para avaliar campanhas. Embora apenas 20% dos consumidores comprem imediatamente pelo link compartilhado pelo criador, 58% concluem a compra em até sete dias após a recomendação.
56% dos consumidores já fizeram uma compra diretamente pelo TikTok Shop.
Nesse intervalo, o consumidor pode pesquisar preços, consultar avaliações, salvar o conteúdo para rever depois ou finalizar a compra em outro canal. Parte da influência exercida pelo creator, portanto, não aparece nos dashboards de conversão.
Para Rafaela, medir apenas os resultados registrados pela plataforma ou pelo canal do varejo significa observar uma parcela pequena da jornada. Mais do que atribuir a venda ao último clique, as empresas precisam compreender os diferentes pontos de contato que contribuíram para a decisão.
OS CREATORS CHEGAM À MESA DOS CEOS
A creator economy deixou de ser apenas uma frente de comunicação e passou a interferir nas estratégias das empresas. Quando os criadores influenciam descoberta, reputação, conversão e desenvolvimento de produtos, o tema ultrapassa as equipes de marketing digital.
“A pauta do gerente de marketing digital já está na mesa do CEO”, afirma Rafaela.
Nesse novo cenário, os creators começam a ser considerados parceiros de longo prazo. Modelos como cocriação de produtos, participação societária e colaborações permanentes tendem a ganhar espaço à medida que as empresas reconhecem a influência como um ativo estratégico, e não apenas como mídia.
“A influência digital não é mais uma ‘perna’ da campanha. Ela está se tornando a carne do negócio”, resume Rafaela.