Discord terá lives suspensas no Brasil por decisão da ANPD; entenda

Plataforma terá que cumprir determinação da ANPD após fiscalização sobre a proteção de menores de idade

Discord
(Créditos: Discord/ Arkadiusz Warguła/ Getty Images)

Lilian Campos 3 minutos de leitura
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O Discord terá que suspender parte de seus recursos no Brasil após uma determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A medida foi anunciada nesta quarta-feira (12) e ocorre em meio a uma fiscalização sobre a proteção de crianças e adolescentes dentro da plataforma.

A decisão é preventiva e estabelece um prazo para que a empresa cumpra a determinação. Apesar da restrição, o Discord continuará funcionando no país, já que a medida atinge funcionalidades específicas do serviço.

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LIVES DO DISCORD SERÃO SUSPENSAS NO BRASIL

Segundo a ANPD, o Discord deverá suspender em até três dias úteis a funcionalidade “Go Live”, utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados, além de outros recursos equivalentes de transmissão e compartilhamento de vídeo.

A suspensão permanecerá válida até que a empresa comprove a implementação e a efetividade de medidas técnicas, de segurança e de governança adequadas aos riscos identificados para menores de 18 anos. A retomada total ou parcial das lives dependerá de autorização prévia da Agência.

A ANPD ressalta que o Discord não está sendo bloqueado no Brasil. Outros recursos da plataforma continuarão funcionando.

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POR QUE A ANPD TOMOU A DECISÃO?

A medida faz parte de um processo de fiscalização aberto em 7 de agosto para apurar possíveis falhas na proteção de crianças e adolescentes. A Agência afirmou ter encontrado evidências de que a plataforma não adotou medidas razoáveis para prevenir e reduzir determinados riscos.

Entre as preocupações estão situações envolvendo violência, assédio, indução à automutilação e ao suicídio. De acordo com a ANPD, as transmissões ao vivo teriam sido utilizadas repetidamente em episódios de graves violações contra menores de idade.

Outro ponto levantado é a arquitetura da própria ferramenta. Segundo a Agência, o Discord não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas acontecem, o que impede a utilização, no servidor, de mecanismos para analisar o material audiovisual e identificar violações em tempo real.

DISCORD PODE RECEBER MULTA

A determinação atual tem caráter preventivo, mas o processo de fiscalização continua. Caso sejam confirmadas irregularidades, a ANPD poderá adotar medidas corretivas e aplicar as sanções previstas no ECA Digital.

Entre elas está a possibilidade de multa de até R$ 50 milhões por infração, segundo a Agência. O Discord deverá comprovar em até três dias úteis o cumprimento integral da suspensão no Brasil e terá dez dias úteis para apresentar recurso à Superintendência de Fiscalização da ANPD.

A investigação também apura outros pontos, como possíveis falhas nos mecanismos de aferição de idade, remoção de conteúdos considerados violadores e comunicação às autoridades competentes.

O QUE DIZ O DISCORD?

Em posicionamento enviado à Fast Company Brasil, o Discord informou que recebeu a determinação da ANPD e está analisando seu conteúdo. A empresa afirmou ainda que discorda da caracterização feita pela Agência e defendeu as medidas que mantém para a segurança dos usuários.

“A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência”, afirmou a plataforma.

Segundo o Discord, o servidor privado envolvido no caso que a empresa investigou era acessível somente por convite, e a plataforma o removeu pouco depois de sua criação. A empresa afirma ainda que continua cooperando com as autoridades policiais e que sua investigação encontrou indícios de que os criminosos teriam coordenado a atividade em outras plataformas antes de criarem o servidor e continuado fora do Discord após o banimento dos envolvidos.

A empresa também declarou estar “desapontada” com a decisão da ANPD, que considera prematura. O Discord afirmou que recebeu o processo na sexta-feira (07) e que a plataforma ainda estava no prazo para responder.

A companhia afirma que vinha mantendo diálogo com a Agência e que pretende continuar as conversas com autoridades brasileiras sobre segurança no ambiente online.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais