Um rebranding se faz necessário quando existe uma desconexão entre as expressões de design da marca e a marca em si, o que ela quer representar ou comunicar. Essa definição é de Rapha Abreu, VP global de design da Coca-Cola que, em entrevista recente à Fast Company Brasil, ressaltou o peso, significado e relevância de um movimento como esse. Há algumas semanas, foi o Nubank que anunciou sua primeira atualização de marca.

Cristina Junqueira, cofundadora e CEO do Nubank no Brasil (Crédito: Divulgação)

Os motivos, como explica Cristina Junqueira, cofundadora e CEO, são vários, mas, em linhas gerais, além de comemorar os oito anos da empresa, reflete um momento de expansão internacional, ampliação de portfólio e maior maturidade. Nesta entrevista, Cristina conta um pouco mais sobre a jornada até chegar na nova marca e pontua o momento de expansão de portfólio no Brasil e a chegada ao México e Colômbia.

“A atualização da marca chegou para refletir toda essa evolução, é um movimento natural para representar um Nubank muito mais maduro que aquele de oito anos atrás”

FAST COMPANY BRASIL: O que é necessário do ponto de vista de negócios até chegar a uma nova identidade de marca?
CRISTINA JUNQUEIRA:
Desde a criação do Nubank, focamos em resolver as dores dos brasileiros, que encaravam péssimos serviços de atendimento ao cliente e sofriam com a burocracia do setor sem nem imaginar que poderia haver outra opção. Oito anos se passaram, e a gente se consolidou com mais de 38 milhões de clientes. O crescimento no Brasil, a expansão para outros mercados como México e Colômbia e o desenvolvimento de um portfólio variado de produtos atestam esse novo momento. A atualização da marca chegou para refletir toda essa evolução, é um movimento natural para representar um Nubank que é muito mais maduro que aquele de oito anos atrás.

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FAST COMPANY BRASIL: O que define o momento mais apropriado para se atualizar uma marca?
CRISTINA: As conversas estão acontecendo há mais de um ano, desde março do ano passado. Tomamos todo o tempo necessário para que o logo representasse o Nubank que somos hoje. A expansão de nosso portfólio também reflete essa transformação que procuramos espelhar na nova marca. Hoje, nossos serviços no Brasil incluem não só o cartão de crédito, mas conta digital para pessoas físicas e jurídicas, empréstimo pessoal, seguro de vida e investimentos. Todos eles com o propósito de simplificar a vida das pessoas e possibilitar a inclusão financeira de milhões delas, ainda desbancarizadas – só no Brasil, são cerca de 50 milhões de pessoas nesta situação.

A nova identidade visual do Nubank, anunciada em 13 de maio  (Crédito: Divulgação)

FAST COMPANY BRASIL: Qual é esse Nubank mais maduro que você define e como ele se materializa?
CRISTINA:
Em 2020, realizamos três aquisições estratégicas, vimos a consolidação da nossa operação em outros países da América Latina, como o México e a Colômbia, e mantivemos crescimento exponencial no Brasil. Agora, com um portfólio variado de produtos, conseguimos oferecer soluções para cada vez mais problemas no mercado. Em seguros, por exemplo, inovamos com o Nubank Vida, com preços acessíveis e um fluxo de contratação 100% digital. Historicamente, os clientes interessados em contratar um seguro de vida tinham de lidar com práticas  burocráticas e que dificultam a tomada de decisão. Em três meses desde o lançamento (em dezembro de 2020), registramos mais de 100 mil contratos ativos e mais de 10,5 bilhões em cobertura.

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FAST COMPANY BRASIL: Quais os próximos passos do Nubank considerando os movimentos recentes que envolvem oferta de novos serviços como seguros, internacionalização e agora a nova identidade de marca?
CRISTINA JUNQUEIRA:
O foco é continuar evoluindo nossa oferta de produtos atuais e oferecer soluções inovadoras que atendam às reais necessidades dos consumidores. Isso passa pela inclusão financeira de milhões de pessoas no Brasil e na América Latina, por exemplo, com o cartão com “garantia” e o projeto Reinventando o Cartão de Crédito, que foram criados para permitir que cada vez mais brasileiros tenham acesso a crédito de forma descomplicada.  Estamos começando também a disponibilizar os primeiros cartões de crédito nos outros países em que temos operação e esperamos conseguir um desempenho tão bom quanto o alcançado por aqui – atualmente, já somos o sexto maior emissor de cartões no México, mais de 1,5 milhão de pessoas já pediram o produto e, na Colômbia, anunciamos que começaríamos a operação e, em dois meses, 200 mil pessoas entraram na lista para ter um cartão de crédito. Em investimentos, já começamos a apresentar soluções, com o lançamento recente dos nossos primeiros fundos multimercado e a integração com a Easynvest, mas o Brasil ainda registra mais de R$ 1 trilhão aplicado em poupança.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil