Criado na década de 1980 por Gifford Pinchot, o termo intraempreendedorismo foi, por muitos anos, a palavra da vez do vocabulário corporativo. E por mais que outros verbetes ocupem o vocabulário das empresas, ele segue em alta. Em maio de 2020, período em que as companhias começaram a buscar formas de se reinventar frente ao cenário de pandemia, as consultas com a frase “intraempreendedorismo o que é” cresceram 60%, geralmente relacionadas com outros termos como administração, necessidade, startup, saúde e planejamento operacional.

Iniciativas recentes vêm reforçando a importância do intraempreendedorismo para as grandes empresas. A Unilever, por exemplo, criou o programa Garagem de Inovação, espaço colaborativo e de experimentação que permite aos próprios colaboradores participarem dos processos de inovação. “A Garagem nasceu na Unilever Brasil e logo se tornou referência globalmente como uma iniciativa para fortalecer a cultura de experimentação. É um espaço que carrega uma missão poderosa, e é onde surgem projetos e ideias das mais diversas dores do negócio”, explica Natalia Iazzetti, gerente de inovação de desenvolvimento de clientes da Unilever Brasil.

Natalia Iazzetti, gerente de inovação e de desenvolvimento de clientes da Unilever Brasil  (Crédito: Divulgação)

“Intraempreendedorismo traz inúmeros desafios para a empresa, pois exige da liderança e dos executivos um novo olhar sobre a forma de fazer os negócios, e oferece a possibilidade de enxergar as operações que já eram realizadas por uma outra perspectiva, oferecendo a oportunidade de sair da zona de conforto para potencializar a força de trabalho interna da empresa. Esse processo nem sempre é fácil, mas oferece novos caminhos para solucionar questões cotidianas”, explica Natalia.

De acordo com Cecília Varanda, uma das gerentes da Garagem de Inovação da Unilever, as parcerias desenvolvidas com players externos ajudaram a trazer novas perspectivas. Entre elas, estão o Foodcamp, desenvolvido com a consultoria de inovação 1601, Lever Up e o Digifund, onde o intraempreendedorismo é ator principal. “O intraempreendedorismo instiga desde estagiários até gerentes e diretores para inovarem dentro de uma organização, sem importar o cargo ou área em que atuam dentro da empresa. Dar oportunidades para os colaboradores criarem uma solução para o que eles enxergam de dificuldades no dia a dia é formar novos líderes, azeitando as operações da empresa e alavancando os negócios de forma inovadora”, diz Cecília.

MISSÕES COLABORATIVAS

No caso da Nestlé, a pandemia e os desafios gerados por ela trouxeram novas dinâmicas internas como a criação das Missões Colaborativas. Desde o começo da pandemia, mais de 800 colaboradores de áreas que estavam com menos demanda foram dar suporte para outras mais aquecidas. A iniciativa evoluiu e, em 2021, um novo modelo dentro das áreas foi estabelecido com a realização de mais de 22 missões colaborativas, lançando desafios para atrair e desenvolver colaboradores.

Carolina Sevciuc, diretora de transformação digital da Nestlé Brasil (Crédito: Divulgação)

“As missões colaborativas da Nestlé ajudam a descobrir novos talentos, acelerar projetos estratégicos e evoluir a mentalidade digital nos processos internos de capacitação e gestão de pessoas. Neste ano, por exemplo, uma das missões foi para trabalhar com inovação aberta em projetos para acelerar a agenda de sustentabilidade da companhia. Esses colaboradores deram o seu melhor para a área de Transformação Digital. Temos aprendido muito com eles, pois eles trazem novos olhares que fazem toda a diferença nos projetos”, explica Carolina Sevciuc, head de transformação digital da Nestlé Brasil.

Com o projeto, reforça Carolina, a área de inovação recebeu insights importantes, novos olhares e, ao mesmo tempo, desenvolveu competências de inovação nos colaboradores que participaram. De acordo com a executiva, o novo modelo está sendo um piloto. “Essas 22 missões deste primeiro semestre reúnem 16 projetos em áreas de transformação digital como: data lab, inovação aberta, novos modelos  de negócios, vendas digitais”, explica.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil