POR NICOLE LAPORTE

Durante o anúncio sobre a aquisição da MGM pela Amazon por US$ 8,5 bilhões, na semana passada, Mike Hopkins, vice-presidente sênior do Prime Video e Amazon Studios, falou duas grandes buzzwords de Hollywood.

“O valor financeiro real por trás deste acordo é o tesouro do” – tcharararan – “IP no extenso catálogo que planejamos reimaginar e desenvolver com a talentosa equipe da MGM.  É muito empolgante e nos dá oportunidades para” – tcharararan – “storytelling de alta qualidade.”

Nessa fusão, a propriedade intelectual se une ao storytelling criativo na intenção de criar uma empresa como nenhuma outra. Algo inédito, se desconsideradas Disney, Comcast, Sony, ViacomCBS ou a recém-anunciada fusão entre Warner e Discovery, a Warner Bros. Discovery. De fato, assim como os spin-offs da Marvel e de Star Wars fazem parte da Disney+, é hora de se preparar para um reality show com temática de Rocky no Amazon Prime Video.

O que mais preocupa, porém, é a marca monopolística que esse acordo coloca sobre uma das empresas mais ricas e poderosas do mundo. Uma empresa cujo capital de mercado está não nos bilhões, mas nos trilhões. Agora, além de vender seus próprios produtos em seu marketplace e ameaçando negócios menores e independentes, a Amazon fará o mesmo com filmes e programas de TV em uma escala 10 vezes maior do que tem feito com o entretenimento. O catálogo da MGM conta com mais de 4 mil filmes e 17 mil episódios de séries.

Políticos de todos os lados reclamam das Big Techs há anos e agora essas lamentações vão crescer ainda mais nas próximas semanas. Possivelmente, essas reclamações podem até afetar a aprovação do acordo, que ainda depende de aprovação regulatória.

Em 2019, a senadora democrata de Massachussets, Elizabeth Warren, encaminhou processos antitruste contra empresas como Amazon e Facebook que iriam bloquear fusões e aquisições dessas companhias. No ano passado, outra aspirante à presidência, a também senadora democrata Amy Klobuchar, de Minnesota, publicou o livro Antitrust: Taking on Monopoly Power From the Gilded Age to the Digital Age. E Josh Hawley, senador republicano do Missouri, que lançou Tyranny of Big Tech em maio, criou o ato Trust Busting for the Twenty-First Century Act, que mira “um pequeno grupo de empresas que controlam o que norte-americanos compram, informações que recebem e discursos nos quais se engajam”. Hawley quer banir todas as fusões e aquisições de empresas com capital superior a US$ 100 bilhões.

Veja o tweet do senador logo após o anúncio do acordo entre Amazon e MGM:

Mas, voltando para o que esse acordo significa para o entretenimento. A Amazon tem estado mais preocupada com quantos rolos de papel higiênico está vendendo do que com a quantidade de streamings de Jack Ryan.

Em livro recém-publicado, Brad Stone conta como Jeff Bezos, ex-CEO da Amazon, se perguntava, confuso, por que não era possível “testar” programas de TV da mesma forma com que são testadas escovas de dente eletrônicas – se funcionam, vão para o mercado.

“Estamos tomando decisões de US$ 100 milhões e não temos tempo para avaliar se essas decisões são boas? Deve haver um jeito de ver o que funciona e o que não funciona para que não tomemos essas decisões no vácuo”, disse Bezos a Roy Price, ex-head do Amazon Studios.

“Não deve ser tão difícil”, afirmou então Bezos, fazendo uma lista dos elementos que compõe uma boa série (humor, traição, violência, cliffhangers, etc).

Um movimento monstruoso como a Amazon comprando a MGM não deve ser tão difícil. Mas, se será bom para os consumidores e para a vitalidade da indústria do entretenimento, é outra história.

SOBRE A AUTORA

Nicole LaPorte é redatora sênior da Fast Company e escreve sobre onde a tecnologia e o entretenimento se cruzam. Anteriormente, ela foi colunista do The New York Times e escritora da Newsweek/The Daily Beast e Variety.