Por que carros autônomos podem ganhar luzes azul-esverdeadas?

Vermelho significa parar, verde significa seguir. Agora, uma proposta nos Estados Unidos quer usar o ciano para indicar quando um carro está sendo conduzido por um sistema automatizado.

Carro visto de frente, em ambiente escuro, com luzes azul-esverdeadas acesas.
Créditos: magnific.com

Hunter Schwarz 3 minutos de leitura
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Táxis autônomos e outros veículos que dispensam um motorista ao volante poderão ganhar uma sinalização própria: luzes de cor ciano, um tom entre azul e verde, para indicar quando estão sendo conduzidos por um sistema automatizado.

A cor poderá se tornar um padrão para as luzes de identificação desses sistemas, segundo uma nova proposta da Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA), agência vinculada ao Departamento de Transportes. A medida faz parte de um conjunto de normas anunciado em 23 de outubro para veículos autônomos.

A ideia é permitir que outros motoristas e agentes de trânsito identifiquem quando um sistema de direção automatizada está controlando o veículo. Segundo a NHTSA, o ciano foi escolhido por não ser utilizado para outras sinalizações e por contar com o apoio da indústria automobilística.

A SAE International, associação de profissionais dos setores automotivo e aeroespacial, recomenda o uso da cor em veículos autônomos. Para a entidade, uma tonalidade exclusiva teria um significado mais claro do que as cores tradicionalmente usadas na sinalização dos carros, como âmbar, vermelho e branco.

Detalhe do retrovisor de um Mercedes-Benz EQS com faixa luminosa turquesa acesa.
Mercedes-Benz apresentou luzes turquesa para sinalizar quando o sistema de direção automatizada Drive Pilot está em funcionamento. Crédito: Mercedes-Benz

A escolha foi feita após consultas a fabricantes, fornecedores, instituições de pesquisa e especialistas sobre diferentes possibilidades de cores.

A NHTSA também afirma que as especificações propostas para o ciano são suficientemente distintas do azul reservado, em alguns estados americanos, a veículos policiais ou de reboque.

A proposta está aberta a uma consulta pública de 30 dias. Em comunicado, Jonathan Morrison, administrador da NHTSA, afirmou que a medida estabelece padrões claros de desempenho para as luzes de identificação dos veículos automatizados e abre caminho para a inovação segura, com regras mais definidas para a circulação desses automóveis.

A Mercedes-Benz já havia apresentado luzes turquesa em 2023, nos modelos EQS e Classe S, para indicar quando os veículos estavam operando no modo Drive Pilot, sistema de direção automatizada autorizado naquele ano na Califórnia e em Nevada.

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Segundo a montadora, a escolha da cor envolveu engenheiros, profissionais responsáveis por conformidade regulatória, especialistas em proteção de dados e em ética. Testes também indicaram que o tom azul-esverdeado podia ser facilmente diferenciado das luzes de trânsito e de emergência.

UMA COR COM CARA DE FUTURO

Há outro motivo para o ciano funcionar tão bem nos carros autônomos: ele parece futurista.

A cor aparece frequentemente em filmes de ficção científica, como Tron: O Legado, lançado pela Disney em 2010. Luzes turquesa nos retrovisores e nas partes dianteira e traseira de um Mercedes-Benz, ou em um táxi autônomo de aparência incomum, comunicam imediatamente uma ideia de tecnologia.

Fotografia da parte traseira de um Mercedes-Benz, mostrando a iluminação turquesa abaixo das lanternas vermelhas.
As luzes turquesa permitem diferenciar a sinalização da direção automatizada das lanternas tradicionais do veículo. Crédito: Mercedes-Benz

Nas cidades onde veículos autônomos já estão sendo testados, é provável que os motoristas associem a cor a um automóvel autônomo, elétrico ou equipado com tecnologias avançadas.

Como recurso de comunicação visual, o ciano é uma escolha bastante intuitiva. A Mercedes-Benz sugere que campanhas educativas antes e durante o lançamento desses sistemas poderiam ajudar o público a compreender o significado das luzes.

Mesmo sem essas explicações, porém, a cor já cumpre parte dessa função. Graças à sua associação com a ficção científica e com as representações do futuro, o azul-esverdeado se tornou uma maneira visualmente reconhecível de comunicar a presença da tecnologia.


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais