Jaguar finalmente apresenta seu novo carro elétrico – e ele voltou a dividir opiniões
O Type 01 divide especialistas, mas sua proposta radical pode ajudar a marca britânica a se diferenciar em um mercado dominado por modelos parecidos

A Jaguar apresentou oficialmente em Nova York seu novo Type 01, modelo 2028, e, afinal, o céu não desabou. Dois anos atrás, quando a marca britânica revelou seus conceitos em tons pastel, a internet desencadeou uma tempestade de ridicularização e publicou obituários para a marca.
Hoje, diante do carro de verdade, parte daquela enxurrada de críticas ferozes se transformou. Parte dela.
Ao vivo, o Type 01 é imponente. Ao contrário das curvas suaves do Porsche Taycan ou do Audi e-tron GT, o Jaguar é um monólito com janelas minúsculas: um enorme bloco de alumínio com quatro portas, 5,3 metros de comprimento e superfícies suavizadas, assentado quase rente ao chão sobre rodas de 23 polegadas. O capô é tão comprido que parece capaz de acomodar o Titanic.
O carro nem sequer tem vidro traseiro. O teto desce em uma curva suave até encontrar a grade vertical na traseira. Por dentro, há quatro assentos, separados fisicamente por uma espécie de espinha dorsal que divide os passageiros.
Pelo menos, o carro é ousado e original – algo que a maioria das pessoas vem destacando na internet. E isso é bom em um setor que vende, em sua maior parte, SUVs horríveis e carros insossos, todos feitos com a mesma receita.
Nos comentários do blog automotivo The Autopian, a publicação mais popular diz: “Na verdade, adorei a versão de produção. Por que os carros precisam ser sem graça? Eu digo: vamos ousar. E, independentemente do que qualquer pessoa pense sobre isso, podemos concordar em uma coisa: pelo menos não é mais um maldito SUV. Parabéns a QUALQUER fabricante de automóveis que, hoje em dia, tenha coragem de investir dinheiro em seus sedãs”.

Concordo 100%.
Até mesmo quem detesta o carro parece achar que a reformulação era necessária: “Isso é ridículo, mas continuar no caminho anterior teria sido ainda mais ridículo para a Jaguar”.
O CONSENSO POSITIVO ENTRE OS CRÍTICOS
Na imprensa especializada, Daniel Golson, do Jalopnik, argumenta: “Há muitas linhas retas e marcadas, mas o Type 01 também tem muitas curvas e detalhes que me fazem lembrar os Jaguars do passado. Como meu colega Brad observou, todos os melhores Jaguars pareciam naves espaciais”.
Angus MacKenzie, da MotorTrend, afirma: “Visualmente, é um tipo de Jaguar muito diferente, mas respeita profundamente os valores tradicionais da marca”.

Alistair Weaver, do Edmunds, elogia o modelo: “A simplicidade do design é um antídoto bem-vindo à complexidade de muitos carros modernos, e as proporções são excelentes”.
Mike Austin, da Road & Track, acredita que “a maneira mais gentil de descrever a aparência do Type 01 ao vivo é dizer que ele tem presença”. Como muitos outros veículos de imprensa, quando a Jaguar apresentou o primeiro protótipo, sua publicação questionou se a empresa conseguiria levar adiante essa reformulação impressionante.
OS CÉTICOS E OS PURISTAS
Outros não estão tão convencidos. Os detratores argumentam que o design sacrifica a ergonomia dos passageiros, a herança da marca e a funcionalidade da cabine em nome de uma reformulação radical. Ollie Kew, da Top Gear, diz: “O Type 01 é um carro egoísta, que desperdiça espaço”.
No The Autopian, Thomas Hundal criticou duramente o desenho arquitetônico: “Para ser direto, o Type 01 é um monólito – um monumento brutalista que dá as costas às formas voluptuosas dos Jaguars do passado”. Ele também pediu mais botões físicos (e com razão).

A crítica de Andrew Krok, da Car and Driver, não é tão dura, mas ele também faz algumas provocações: “A direção nas quatro rodas de série (com ângulo máximo de 6 graus) significa que este submarino da classe Ohio não deveria ter um raio de giro medido em léguas”.
Parece-me que a Jaguar pode estar no caminho certo. Pelo menos, está demonstrando disposição para ousar em grande escala. Talvez a montadora consiga encontrar pessoas dispostas a desembolsar US$ 131 mil – um preço competitivo em relação ao de seus concorrentes.

Se a Ferrari Luce, universalmente odiada, esgotou sua produção – supostamente graças à política da Ferrari de obrigar os clientes de alto nível a comprar todos os carros que a marca fabrica para ter a chance de adquirir o próximo modelo –, não vejo por que o Type 01 estaria condenado ao fracasso comercial.
No mínimo, parece uma boa tentativa da Jaguar de recuperar sua antiga glória e conquistar uma nova geração de pessoas absurdamente ricas.