Já cansei de ouvir de muitas pessoas ao longo dessa jornada empreendedora que entrar com uma marca nascida no Brasil no mercado internacional é tarefa impossível. Que não dá para competir em igualdade com marcas nascidas em países em que inovação e tecnologia são default tanto nos novos como nos velhos negócios. Mas ainda que o cenário nacional reforce essa tese, não poderia concordar com ela. Explico por quê.

No mercado em que estou inserido, não é novidade para ninguém que o Brasil prioriza o comércio de commodities, ainda que a China esteja aí para provar que nenhuma economia de países em desenvolvimento chegou a um outro patamar sem industrialização e serviços fortes.

O agronegócio no mercado brasileiro é responsável por 26,6% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgados em março deste ano. O resultado mostra que a participação do setor no PIB cresceu 24,31% em comparação com o ano anterior. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento também indicaram que o agro foi responsável por quase metade das exportações do país em 2020, uma participação recorde de 48%.

“Estamos, sim, entrando para competir em setores nos quais o Brasil não é considerado competitivo. Ainda. Ok, não trazemos para o Brasil as cifras que o agro traz. Mas podemos trazer”

Tudo isso é lindo, mas por que não repensarmos em agregar tecnologia para nossas commodities?

É nessa força que acredito. E ela não é só minha. É de milhares de negócios que estão contribuindo para revolucionar a imagem do Brasil no mercado global, agregando valor com novas tecnologias, repensando e querendo restaurar o Brasil.

Nosso potencial criativo e inovador pode transformar o país na potência pela qual queremos ser reconhecidos internacionalmente. Os grandes fundos de investimento internacionais já perceberam essa nova força. Com o caminho aberto pelos “unicórnios brasileiros”, as startups que já ultrapassaram o valor de mercado de US$ 1 bilhão, nunca o mundo esteve tão aberto para as marcas nacionais que combinam propósito, solução e um modelo de negócio inovadores. Os grandes fundos de investimento do mundo estão de olho no Brasil. E isso já é bastante para que possamos fazer previsões mais otimistas.

Desde 2019, quando a Fazenda Futuro surgiu, o plano de expansão internacional estava no nosso roadmap. Primeiro, expandimos para a América Latina. Em 2020, estreamos operações na Europa e Oceania. Agora em 2021, estamos chegando aos Estados Unidos. Já projetamos que, nos próximos anos, 80% da receita das nossas vendas virão do mercado internacional.

Nosso caso não é isolado. Várias empresas brasileiras estão conquistando seu espaço no mercado global vendendo além de soja e carne bovina. Estamos, sim, entrando para competir em setores nos quais o Brasil não é considerado competitivo. Ainda. Ok, não trazemos para o Brasil as cifras que o agro traz. Mas podemos trazer. O reconhecimento do mercado global é o primeiro passo.

Estamos vivendo uma crise econômica grave, em decorrência da maior pandemia dos nossos tempos. Mas também é fato que dificilmente vamos sair dela sem projetar o que queremos ser para o mundo. A gente sabe. E você?

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE O AUTOR

Marcos Leta é fundador da Fazenda Futuro e sucos Do Bem.