Imagine comprar um carro elétrico da Ikea. É possível montar um veículo sozinho?

Ryan Schlotthauer acredita que sim. Aluno recém-graduado na Faculdade de Estudos Criativos de Detroit, o designer industrial apresentou um projeto de pesquisa inspirado na montadora francesa Renault e na empresa de móveis Ikea para fabricar o Höga.

O Höga é um carro conceitual com a mesma premissa dos móveis “de montar” da Ikea — em que o comprador adquire as peças e monta o seu próprio produto. Embora ainda seja uma hipótese de design, que não foi planejada para fabricação, a ideia desenvolvida em software demonstra consistências.

(Crédito: Ryan Schlotthauer)

A base do Höga (palavra sueca que significa “alto”) é um chassi plano de “skate”. Nesses projetos, cada vez mais populares em carros elétricos, as baterias e os motores são alojados na parte de baixo do veículo. Sem um motor a gás volumoso, sobra muito espaço na parte superior da cabine para que os designers testem a criatividade. Empresas como a Canoo replicaram o modelo personalizável do chassi de skate em vans e caminhonetes híbridos.

(Crédito: Ryan Schlotthauer)

No modelo de Schlotthauer, a parte de cima do Höga foi imaginada como um grande móvel da Ikea, entregue com 374 peças leves o suficiente para transportar e montar individualmente. Motivado pelos princípios básicos de design da Bauhaus, o designer escolheu cores primárias (vermelho, amarelo e azul) para guiar o passo a passo da construção e orientar o uso no cotidiano.

(Crédito: Ryan Schlotthauer)

As peças azuis são para conforto, amarelas são para os controles e vermelhas sinalizam as peças tecnológicas. “Queria que o carro fosse bem fácil e reconhecível, principalmente para pessoas de idade avançada”, diz o inventor. “O interior é inspirado nos meus avós, agrupo as coisas por cores para ajudá-los.”

(Crédito: Ryan Schlotthauer)

Por dentro, as formas básicas da Bauhaus (círculos e quadrados) também inspiraram muitos componentes no design. O resultado ergonômico é bem diferente dos veículos comuns presentes no mercado, mas a curvatura dos apoios de braço e o volante perfeitamente redondo são detalhes projetados para dar mais conforto aos passageiros. 

(Crédito: Ryan Schlotthauer)

A cabine é uma construção em forma de A — similar a uma barraca sobre quatro rodas — e os painéis da carroceria são feitos de plástico reciclável. A ideia é que a Ikea recupere essas peças quando estiverem degradadas e recicle em novos produtos, reduzindo o impacto ambiental do veículo.

Em vez de incorporar algum sistema de computador como o da Tesla, o Höga permite que o usuário conecte seu tablet ou telefone de escolha. O inventor também sugere que a plataforma seja construída de forma estável. Se as pessoas levam um supercomputador no bolso, o carro poderia ser apenas mais um app.

(Crédito: Ryan Schlotthauer)

O aspecto mais singular do Höga são as portas dianteiras e traseiras. Diferente dos carros com quatro portas, o veículo abre inteiramente em cada extremidade, como um tubo em formato de trapézio. As renderizações do projeto demonstram que passageiros cadeirantes ou ciclistas podem entrar facilmente na cabine por meio das rampas laterais, praticamente como se o carro fosse uma sala sobre rodas.

O espaço de armazenamento é significativo, considerando a metragem de baixa escala do design. Schlotthauer imagina o Höga semelhante aos moldes do Citroën Ami — um carro europeu de baixa velocidade, pequeno o suficiente para funcionar com um motor de motocicleta. Enquanto o projeto não está previsto para produção, o carro elétrico “de montar” é estimado no valor de US$ 6,5 mil por seu criador. 

SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos. Seu trabalho já foi publicado  no Gizmodo, Kotaku, PopMech, PopSci, Esquire, American Photo e Lucky Peach.