A distopia de alterar seu DNA digital e torná-lo mais atraente para empregadores

Crédito: Fast Company Brasil

Mark Wilson 2 minutos de leitura

Nosso “eu” online nem sempre é o nosso “eu” real, especialmente quando se trata de vida profissional. Quer estejamos escolhendo a foto certa para o LinkedIn ou tentando soar sagaz no Twitter, esses diferentes “eus” podem estar baseados em coisas que não se encaixam mais. E a pior parte é que, enquanto você passa por um processo seletivo, o recrutador que você está tentando impressionar pode ser apenas um software automatizado, usando um algoritmo para classificar sua postura encenada e estranha em uma planilha.

Mas e se houvesse uma maneira de lutar contra isso – seja contra a cultura do LinkedIn, o recrutamento por bots ou a pressão de ser visto como inteligente? Essa é a ideia da Deepwork em sua publicação intitulada The Pudding. Trata-se de um site satírico, mas que também é bastante funcional, que oferece ferramentas de IA que fazem de tudo, desde montar um currículo, criar e modificar fotos e gerar conteúdo divertido para o Twitter.

(Crédito: cortesia de The Pudding)

Este trabalho satírico, descoberto pela FlowingData, imagina essas ferramentas vendidas como serviços mensais de baixo custo. “Com nossa tecnologia de ponta, você será mais do que apenas estatística. Somos capazes de alterar algoritmicamente seu DNA digital, desde seu currículo com excesso de informação até seu rosto cansado no Zoom, transformando você em algo que comprovadamente ressoa com os empregadores… e com o Klarna, você pode pagar depois. Quando puder.”

(Crédito: cortesia de The Pudding)

Permita-me dizer que o Klarna é a cereja do bolo do capitalismo em seu estágio avançado. E a melhor parte do projeto é que as ferramentas realmente funcionam. Existem dois criadores de fotos separados, que permitem que você use controles deslizantes simples para alternar entre fotos, combiná-las em uma nova pessoa, ajustar a feminilidade ou masculinidade e até mesmo deslizar entre “básico” e “yassified” (este último é similar a um simples filtro do Instagram, mas faz seu trabalho muito bem).

(Crédito: cortesia de The Pudding)

Para os usuários do Twitter, também é disponibilizada uma ferramenta com a qual você pode juntar dois tweets de contas diferentes para postar no seu feed. Por exemplo: misturar @girlboss e @tim_cook resulta em algumas pérolas como “Deixe que as férias te apresentem algumas das melhores cervejas artesanais do mundo. #fotografadocomiPhone por Wild Turkey Farm. ????⌚️ #Watkinsburg. #mestrecervejeiro” ou “Como um dos meus melhores amigos costuma dizer: ‘Esteja sempre pronto, sempre tenha planos.’” Que é um ótimo conselho!

É engraçado e, ao mesmo tempo, distópico. Mas não é como se estivéssemos vivendo no mundo de Jogos Vorazes. A parte mais interessante do projeto é que essas ferramentas não são ficção científica. Cada uma é desenvolvida através de pesquisas disponíveis publicamente, como “the First-order Motion Model method” (em português, o método do Modelo de Movimento de Primeira Ordem”), também conhecido como Deepfakes. O site simplesmente coloca uma interface acessível em cima de uma tecnologia já existente – assim como empresas privadas fazem. Além disso, você pode comprar uma foto de rosto convincente gerada por IA para usar nas redes sociais agora mesmo. Você também pode usar ferramentas como o Grammarly para melhorar sua escrita. E, claro, você sempre pode comprar seguidores para parecer popular.

Em outras palavras, a Deepworks pode não vir a ser a ferramenta utilizada para conseguir um emprego melhor em 2030. Mas tem o potencial de ser a ferramenta para consegui-lo hoje.


SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos. saiba mais