Afinal, maximalismo é tendência ou está fora de moda?

A rixa entre maximalismo e minimalismo é cada vez mais sem sentido. Hoje, ambos os estilos podem coexistir pacificamente

Crédito: Jenna Peffley/ Justina Blakeney

Elizabeth Segran 5 minutos de leitura

Todos os anos, os jornalistas que cobrem assuntos de decoração, moda e design voltam à mesma questão: estamos vivendo um momento maximalista ou minimalista? Como também sou jornalista desse meio, entendo perfeitamente o apelo de discussões acaloradas como essa – identificar tendências de design é uma compulsão da mídia. Tem a ver com o ímpeto de detectar uma mudança cultural em cima do lance. 

Mas, hoje em dia, está cada vez mais claro que declarar qualquer suposta alternância entre maximalismo e minimalismo seria forçar a barra. Na era das redes sociais, uma infinidade de estéticas prolifera. Não há necessidade de optar exclusivamente por uma ou por outra tendência.

Por isso, proponho desistirmos de tentar prever qual desses estilos estará mais na moda nos próximos meses. Em vez disso, é mais útil pensar no maximalismo e no minimalismo como linguagens de design funcionais, que influenciam como queremos nos sentir em qualquer espaço.

Crédito: The Ingalls/ Kelly Wearstler

A ERA DAS ESCOLHAS

Se você estiver circulando bastante pelo TikTok (esbarrando na conta do designer de interiores Hugh Long, que analisa as casas das celebridades, por exemplo), já deve ter percebido uma celebração do “mais é mais”.

Mas, se estiver frequentando outros cantos, como o feed do Instagram da designer Jenni Kayne (cujo faturamento dobrou durante a pandemia), dirá que tem visto muitas paredes brancas, muitas texturas neutras e terrosas.

Crédito: The Ingalls/ Kelly Wearstler

Em sua próxima viagem, você poderá se hospedar em uma rede de hotéis decorados com várias camadas de informação, cuja decoração movimentada tenta capturar o espírito de uma faculdade próxima. Ou, então, em hotéis com uma proposta mais impessoal e clean, que se baseiam em uma visão mais limpa e esparsa, quase não incluindo cores ou elementos de design nos quartos.

Estamos vivendo a era das escolhas e da personalização ilimitada. Se você prefere uma estética específica, pode encontrar uma infinidade de influenciadores para inspirá-lo e de marcas para preencher sua vida com produtos adequados ao seu gosto.

Crédito: Jonathan Adler

Seja qual for o estilo que você escolher, reserve um tempo para criar uma casa que faça você se sentir bem, seja ela mais clean ou mais repleta de referências. 

MAIS FUNÇÃO DO QUE FORMA

Ao longo dos séculos, o maximalismo foi frequentemente usado para sinalizar poder e conquista. Estava diretamente associado às classes altas, que tinham meios para viajar e colecionar arte. O minimalismo refletia o oposto: a classe trabalhadora não tinha escolha, a não ser viver em casas esparsas, cercada por objetos puramente práticos.

Alguns críticos culturais argumentam que a sociedade tende a abraçar o minimalismo durante os períodos históricos mais difíceis, como nos anos após a recessão de 2008, quando poucos desejavam ficar associados aos ricos.

Crédito: The Ingalls/ Kelly Wearstler

Mas os designers também promoveram o minimalismo como um marcador de bom gosto e classe. É em parte por esse motivo que tantas marcas de varejo adotaram a mesma estética minimalista. Nosso fascínio pelo minimalista carrega os ideais do modernismo europeu, que passou a significar um marcador de “bom” gosto, atuando no apagamento de culturas visualmente mais complexas.

Como Diana Budds escreve na revista “Curbed”, o maximalismo, em toda a sua complexidade, nos permite responder melhor a movimentos sociais como o Black Lives Matter e à segunda onda do feminismo. Artistas como Kehinde Wiley, que captura a experiência negra, são conhecidos pelos cenários complexos e estampados de seus retratos.

Barack Obama, Kehinde Wiley (Crédito: Scott Olson/ Getty Images)

A essa altura, os valores em torno do maximalismo e do minimalismo estão todos misturados, liberando-nos da necessidade de usá-los para expressar nossos ideais. Na esfera doméstica, muitas pessoas ricas adotam o minimalismo como um sinal de bom gosto e como forma de alcançar uma mente tranquila em meio a uma vida agitada.

Pense na arejada casa Montecito, que aparece em “Harry & Meghan”, o documentário da Netflix sobre o duque e a duquesa de Sussex, ou no recém-reformado rancho de Kayne em Santa Ynez. Ao mesmo tempo, o maximalismo segue sendo usado para sinalizar riqueza, como no passado.

Crédito: Jonathan Adler

PASSADO E FUTURO

A designer de interiores Kelly Wearstler revelou que alguns de seus clientes se voltam para uma estética maximalista porque desejam destacar suas grandes coleções de arte, por exemplo. Mas em um mundo onde a decoração é cada vez mais barata (e amplamente disponível em lojas como Ikea e Wayfair), essa também pode ser uma forma de criar um ambiente aconchegante.

Pense, por exemplo, na estética Jungalow da designer de interiores Justina Blakeney, repleta de plantas, móveis antigos e cores alegres e saturadas. Ou na propensão de Jonathan Adler para criar uma decoração peculiar.

Crédito: Jenna Peffley/ Justina Blakeney

O design maximalista geralmente tem um propósito distinto. Trata-se de preencher um espaço com objetos significativos, que evocam memórias e elevam seu espírito. O objetivo é ver algo que te lembre de uma época em que você foi feliz ou que sirva como uma piada interna e que te faça rir. Abraçar o maximalismo abre espaço para mais toques pessoais. Reforça sua identidade e suas experiências.

Crédito: Jungalow/ Justina Blakeney

O minimalismo faz o oposto. Cria uma tela em branco para que você não precise pensar ou lembrar de nada – o que pode ser tranquilizante em meio a uma vida já com tantos estímulos.

De acordo com a ideologia xintoísta de Marie Kondo, o minimalismo cria o cenário ideal para a meditação, quando quer que seu cérebro fique vazio. Ele cria a ilusão de espaço aberto, que o inspira a pensar em todas as coisas que você ainda não viu e não se tornou no mundo.

Ou seja: talvez seja hora de finalmente nos libertarmos da pressão de seguir uma abordagem ou outra com base em qualquer noção opressiva vendida por revistas de decoração sobre o que está “na moda”.

O maximalismo nos inspira a lembrar com carinho do passado, enquanto o minimalismo nos inspira a olhar para frente. Ambos são igualmente valiosos. Tudo vai depender de como você se quer se sentir em sua própria casa.


SOBRE A AUTORA

Elizabeth Segran, Ph.D., é colunista na Fast Company. Ela mora em Cambridge, Massachusetts. saiba mais