Aos 101 anos, a designer Iris Apfel apresenta sua nova coleção

Em colaboração com uma marca de tapetes, Apfel criou 18 modelos que são "uma maneira maravilhosa de se expressar e de deixar de ser mais um na multidão"

Crédito: Ruggable

Mark Wilson 3 minutos de leitura

Iris Apfel é uma figura peculiar no mundo do design. Do alto de seus 101 anos, a estilista e ícone da moda continua lançando novos produtos com sua assinatura “mais é mais” – e com um preço democrático.

No início deste ano, ela lançou uma coleção em parceria com a H&M, com peças a partir de US$ 30. Agora, assina 18 tapetes e cinco capachos de uma nova colaboração com a marca de tapetes laváveis Ruggable. Os preços variam de US$ 80 a US$ 979, uma faixa notavelmente abrangente, que oferece escolhas para clientes de diferentes perfis e em diferentes fases da vida.

Crédito: Ruggable/ Divulgação

“Quando desenho uma coleção, ela é uma expressão das minhas emoções e sentimentos. Sou capaz de tornar tangíveis essas ideias abstratas. É ótimo colocar em meus designs sentimentos intensos, reações instintivas e coisas que osto”, afirma Iris. “Para esta colaboração, me inspirei em belos tecidos e em influências cotidianas, bem como em minhas próprias experiências pessoais.”

Ela diz que começou incorporando desenhos de tapetes dos séculos 17 e 18. “Acho que o resultado foi um sucesso. São designs mais antigos, mas que parecem muito contemporâneos.”

Crédito: Ruggable/ Divulgação

A designer descobriu sua vocação quando criança, juntando retalhos de tecidos de sua avó e comprando bijuterias em lojas de antiguidades no bairro de Greenwich Village, em Nova York, antes de mergulhar no jornalismo de moda e no design de interiores, aos 20 anos.

“Eu meio que fui parar no design de interiores e nunca saí de lá.  Adoro interiores e adoto a mesma abordagem estética que aplico à moda; só que em uma eu visto o corpo, e na outra eu visto o espaço.”

Em 1950, ao lado se seu falecido marido, fundou uma empresa têxtil chamada Old World Weavers, que ficou famosa reproduzindo estampas de antigos tapetes europeus (isso explica por que vemos tantos designs inspirados em paisley e persas em sua nova coleção).

Seu trabalho na Old World Weavers a projetou ao papel de restauradora de interiores na Casa Branca, trabalho que executou para nove presidentes, começando com Harry S. Truman e terminando com Bill Clinton.

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Seu amor por viagens e pela natureza também influenciou muitos modelos da nova coleção, que inclui macacos, pássaros tropicais e flores – em contraste com os tapetes do século 17. Exemplo disso é uma peça-chave da coleção, um tapete chamado On Safari, que sobrepõe uma pele de zebra (falsa) a um padrão de tapete persa.

Crédito: Ruggable/ Divulgação

“O On Safari, em especial, foi inspirado na minha infância. Minha mãe era louca por zebras e eu cresci com estampas de zebras em casa. Pouco antes de falecer, ela comprou uma pele de zebra que foi passada para mim, e eu ando sobre ela todos os dias.”

On Safari também brinca com uma grande tendência – a sobreposição de dois ou mais tapetes para criar um novo visual –, mas ela reproduz essa estética em um único pedaço de tecido. A peça funciona bem para o processo de produção da Ruggable, que imprime os padrões, em vez de tecê-los.

Crédito: Ruggable/ Divulgação

Para cada uma das peças, os próprios designers gráficos da Ruggable traduziram o trabalho de Iris Apfel em estampas que funcionariam para fabricação. Fora isso, a Ruggable deu carta branca à designer. “A gente só queria que a Iris fosse a Iris”, resume Jeneva Bell, fundadora da Ruggable. “Não pedimos absolutamente nada específico a ela.”

De fato, o maior apelo de Iris é, fundamentalmente, ser ela mesma.  Sua abordagem ousada e a aposta no gosto e estilo individuais são exatamente o que transformou alguém com tamanha força criativa em um medalhão da moda. Quando perguntei a ela qual seria o seu conselho para a próxima geração de designers, ela insistiu que abraçar a personalidade é o único caminho para causar impacto.

“Antes de mais nada, eles têm que aprender a ser indivíduos. Muitas pessoas hoje seguem o caminho mais fácil. O que quer que esteja sendo feito, eles fazem; eles apenas seguem, como gado”, diz ela.

“Todo mundo nasceu com a capacidade de ter uma personalidade e um ponto de vista, e acho que todo mundo deveria desenvolvê-los. Claro que não é a coisa mais fácil do mundo. Você tem que saber quem é para poder fazer essas coisas. Não ouça os especialistas, ouça a sua intuição. Divirta-se. Arrisque-se. Seja ousado. Há muita coisa ao seu redor para te inspirar.”


SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos. saiba mais