Como Los Angeles pretende superar Paris na organização da próxima Olimpíada

A cidade também sediou os jogos em 1932 e 1984

Crédito: LA Coliseum

Jaimie Ding e Andrew Dalton 4 minutos de leitura

Agora é a vez de Los Angeles carregar a tocha. A cidade será a terceira no mundo a sediar as Olimpíadas três vezes, adicionando 2028 à lista histórica dos jogos de 1932 e 1984.

Em 1932, Los Angeles recebeu sua primeira Olimpíada. Naquela época, a cidade foi a única candidata para sediar os jogos, em um período marcado pela Grande Depressão e pela ausência de várias nações.

Mesmo assim, houve momentos marcantes, como as vitórias da atleta norte-americana Babe Didrikson Zaharias, que conquistou medalhas de ouro nas novas modalidades femininas de lançamento de dardo e corrida com obstáculos.

O sucesso financeiro e cultural da Olimpíada de 1984 fez com que praticamente todas as grandes cidades do mundo desejassem sediar o evento.

Combinando o moderno e o clássico com um toque de Hollywood, os jogos de 1984 começaram com o campeão de decatlo Rafer Johnson acendendo a tocha, um homem descendo no estádio Memorial Coliseum com um jetpack e uma trilha sonora composta por John Williams, famoso pelo tema de “Star Wars”. Essa Olimpíada mudou a percepção global sobre Los Angeles, que antes era vista como uma cidade em declínio.

“Queremos que nossos jogos sejam modernos, jovens e cheios do otimismo que o sul da Califórnia traz para o mundo”, afirma Janet Evans, quatro vezes medalhista de ouro olímpica na natação e diretora de atletas do comitê organizador da Olimpíada de 2028.

Em meio a um período de expansão de estádios e arenas, Los Angeles decidiu reformar estruturas existentes em vez de construir novas. “Será uma Olimpíada sem novas construções”, diz Evans.

Depois da inovadora cerimônia de abertura em Paris, no rio Sena, a cidade planeja uma abordagem mais tradicional, com a cerimônia ocorrendo no SoFi Stadium.

Casa de dois times da NFL, o SoFi já sediou um Super Bowl e vários shows da cantora Taylor Swift. Agora, será transformado no maior local de natação olímpica de todos os tempos, segundo os organizadores. O fato de a cerimônia de abertura ocorrer lá significa que, pela primeira vez desde 1972, as provas de natação acontecerão após as de atletismo.

O Intuit Dome, que será a nova casa do time de basquete Clippers, sediará o basquete olímpico. A Crypto.com Arena, no centro da cidade, onde jogam os Lakers, será o palco das competições de ginástica.

A qualidade da água do rio Sena foi uma preocupação durante os jogos de Paris, o que pode direcionar as atenções para a orla de Long Beach, onde acontecerão as maratonas de natação e corridas de triatlo. Embora o histórico de limpeza seja variado, uma análise de 2023 da organização sem fins lucrativos Heal the Bay deu notas consistentemente altas às praias da região.

TRENS, ÔNIBUS E TRÂNSITO

Uma cidade notoriamente difícil de se locomover pode parecer uma escolha curiosa para o evento, mas pode funcionar. A prefeita Karen Bass planeja seguir as táticas do ex-prefeito Tom Bradley, que em 1984 implementou medidas que fizeram alguns afirmarem que o trânsito estava até melhor do que em tempos normais.

Essas medidas incluem pedir às empresas locais que implementem esquemas de rodízio de funcionários para diminuir o número de carros nas ruas e incentivem o trabalho remoto durante os 17 dias dos jogos.

Crédito: Crypto.com Arena

A conquista da Olimpíada pelo então prefeito Eric Garcetti em 2017 deu à cidade um tempo de planejamento mais longo. Embora Los Angeles não tenha um metrô comparável ao de Paris, a cidade construiu novas linhas desde os últimos jogos, passando por vários locais importantes do evento.

Em 2018, a prefeitura planejou uma ambiciosa lista de 28 projetos de ônibus e trens para transformar o transporte público. Alguns desses projetos foram descartados, mas outros avançaram, como a extensão de uma linha de metrô que liga o centro da cidade à ao campus da Universidade da Califórnia, onde ficará a Vila Olímpica.

University da Califórnia em Los Angeles (Crédito: iStock)

Outro projeto importante é o Inglewood People Mover, uma linha de trem automatizada com três paradas próximas aos principais locais olímpicos. No entanto, ainda não está claro se a obra será concluída até 2028.

Recentemente, o metrô recebeu US$ 900 milhões em financiamento por meio de um pacote de investimentos em infraestrutura e subsídios do governo Biden, dos quais US$ 139 milhões serão destinados diretamente à melhoria do transporte até 2028, com o objetivo de realizar uma Olimpíada “sem carros”.

TURISTAS E FINANÇAS

A cidade é o “próximo destino lógico” para os Jogos Olímpicos, de acordo com Adam Burke, presidente e CEO do LA Tourism and Convention Board. “Los Angeles se consolidou como uma das capitais esportivas do mundo.”

Antes disso, porém, a cidade sediará a Copa do Mundo e o Aberto Feminino de Golfe dos Estados Unidos em 2026, além de outro Super Bowl em 2027.

    O setor hoteleiro de Los Angeles continua a crescer, com nove mil novos quartos de hotel adicionados nos últimos quatro anos – e mais a caminho nos próximos quatro.

    Os organizadores da Olimpíada de 2028 estão contando com a venda de ingressos, patrocínios, pagamentos do Comitê Olímpico Internacional e outras fontes de receita para cobrir o orçamento de US$ 6,9 bilhões dos jogos. Até agora, o comitê arrecadou pouco mais de um terço da meta de US$ 2,5 bilhões em patrocínios de empresas nacionais.


    SOBRE O AUTOR

    Jaimie Ding e Andrew Dalton são repórteres da Associated Press. saiba mais