Conheça a fábrica de móveis construída com paredes de vidro

Projetada pelo Bjarke Ingels Group, a nova fábrica de móveis de Vestre preza pela transparência e sustentabilidade

Credito: Einar Aslaksen/ Vestre

Nate Berg 3 minutos de leitura

Embora a nova fábrica de móveis Vestre, nos arredores de Oslo, capital da Noruega, afirme ser a mais sustentável do mundo, um título mais apropriado é que é a primeira a ser influenciada pelos blocos televisivos que passam desenhos animados de manhã.

Créditos: Einar Aslaksen/ Vestre

O designer responsável por desenvolver a fábrica, o arquiteto Bjarke Ingels, e sua empresa Bjarke Ingels Group, usaram algumas memórias de infância de programas que assistiam na TV para elaborar o conceito do projeto.

Durante intervalos entre os desenhos animados, as emissoras às vezes passavam filmes curtos de fábricas, mostrando como os produtos do dia a dia, como sapatos e lápis, são produzidos.

“Era fascinante assistir como eram feitos”, diz Ingels. Então ele decidiu adicionar esse mesmo sentimento de admiração à própria fábrica.

A Vestre é especializada em móveis externos para espaços públicos, como bancos, vasos para plantas e lixeiras, e sempre prezou pela transparência na forma como fabrica seus produtos.

A nova fábrica, em forma de cruz, é onde a empresa processa a maior parte da madeira, desde o processo de serragem à pintura e montagem. Do lado de fora fica uma vasta floresta de pinheiros, transformada em um parque público.

Separando a principal matéria-prima no exterior e os móveis processados no interior há enormes paredes de vidro, um aceno literal à transparência. Da mesma forma que aqueles filmes curtos nos intervalos de desenhos animados, o vidro oferece ao público curioso uma vista dos bastidores.

“Através do vidro, qualquer um pode ver de perto a maravilha dos processos de fabricação do século 21”, diz Ingels. Construir uma fábrica literalmente transparente – bem no meio de quase 300 mil metros quadrados de floresta – e acessível ao público é uma abordagem completamente diferente das fábricas rústicas e acinzentadas do passado.

A intenção da Vestre de ser o mais arquitetonicamente transparente possível certamente encontraria algum limite, pois, embora a maioria das partes da fábrica possa ser vista de fora, o maquinário pesado e os robôs ficam em áreas restritas aos funcionários.

No interior, funcionários e máquinas industriais automatizadas circulam e trabalham nas quatro alas do edifício, cada uma dedicada a uma determinada tarefa: fresagem, pintura, montagem e logística. A fábrica usa um sistema de pintura codificado por cores no piso para mapear os fluxos funcionais de cada quadrante e facilitar o movimento de materiais entre as alas.

Esse sistema transforma o piso no que Ingels chama de “arco-íris de funcionalidade”. Os designers até aplicaram o sistema de cores nas máquinas e robôs, o que exigiu algumas modificações por parte dos fabricantes.

EDIFÍCIO ECOLÓGICO

Embora a transparência seja o foco principal, o título que a empresa deu à sua fábrica, a chamando de “fábrica de móveis mais ecológica do mundo”, também tem seu mérito. O edifício foi projetado para gerar pouca emissão de carbono, ter alta produção de energia renovável e fabricar seus produtos de forma mais ecológica.  

A construção foi feita, na maior parte, com o material mais abundante ao seu redor, com colunas, vigas e paredes de madeira maciça, isolamento de lascas de madeira de baixo carbono e uma fachada de madeira carbonizada resistente a insetos.

O design da fundação usou o mínimo possível de concreto para dar suporte ao edifício, e os arquitetos negociaram com o corpo de bombeiros local a remoção da menor quantidade de árvores necessária para a construção.

Janelas de vidro triplo percorrem a fachada do prédio, bem como o pátio central, isso faz com que quase todas as partes da fábrica recebam luz natural, mantendo a temperatura amena tanto no verão quanto no inverno.

Grandes escadas acompanham as janelas tanto por dentro quanto por fora, servindo para os funcionários se locomoverem pelo interior e para visitantes espiarem de fora. No topo das escadas há um deck com vista dos telhados verdes, com painéis solares das quatro alas do edifício e também para a floresta ao redor.

O design dá à fábrica uma espécie de transparência bidirecional. Os trabalhadores no interior podem olhar para fora e ver as árvores, enquanto os visitantes podem subir as escadas para ver os móveis sendo feitos. “Tudo funciona perfeitamente, além de poder ser visto e admirado”, diz Ingels.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais