Designer dos parques da Disney vai levar suas ideias para o “mundo real”

O maior escritório de arquitetura do mundo acaba de contratar Bob Weis, ex-presidente da Disney Imagineer

Crédito: John Diefenbach/ Gensler/ Istock

Nate Berg 5 minutos de leitura

Bob Weis é um criador de mundos. Agora, o ex-presidente da Walt Disney Imagineering disse adeus ao mundo dos parques temáticos e da ficção e decidiu projetar edifícios e espaços reais, da nossa vida cotidiana. Weis está se unindo à empresa de arquitetura e design Gensler, onde assumiu o papel de líder global em design de experiência imersiva.

A Gensler é o maior escritório de arquitetura do mundo. Trabalha com mais de quatro mil clientes em projetos conhecidos globalmente, que vão desde arranha-céus a estádios e interiores de escritórios. O convite a Weis surgiu da ideia de aplicar sua experiência na criação de ambientes temáticos e experiências imersivas a prédios que as pessoas usam no dia a dia, seja para uma noitada divertida ou para um dia de trabalho.  

A Gensler já explorou esse tipo de projeto imersivo em prédios como a sede da AT&T em Dallas, onde uma praça pública apresenta arte interativa, música ambiente e sons de pássaros locais.

AT&T Discovery District (Crédito: Gensler)

A recente contratação de Weis é mais um sinal claro de que mais experiências sensoriais estão a caminho. Também é uma aposta na expectativa das pessoas de que os espaços físicos de suas vidas diárias incluam mais histórias, mais experiências marcantes e designs não convencionais.

“Agora, mais do que nunca, conforme nos recuperamos de uma pandemia global, as pessoas buscam experiências empolgantes, autênticas e viscerais nos espaços onde vivem, trabalham e se divertem”, avalia Andy Cohen, co-CEO da Gensler.

“Há muita demanda por isso”, acrescenta Weis.

PERTO DE CASA, LONGE DO SOFÁ

Foi em 1980 que Weis entrou para a divisão Imagineering da Disney, onde trabalhou em diversos parques temáticos, incluindo Tokyo Disney, Shanghai Disney e California Adventure. Mais recentemente, entre 2016 e 2021, ele ocupou a presidência da Disney Imagineering. 

Bob Weis (Crédito: Mercie Ghimire/ Gensler)

Durante o seu período na Disney, o mundo testemunhou o surgimento da internet, dos serviços de streaming – e de outras formas de entretenimento que nos mantém dentro de casa – e o difícil período de isolamento social por conta da pandemia.

Diante de tudo isso, Weis ainda acredita na importância dos tipos de experiências envolventes oferecidas em lugares físicos, como os parques temáticos da Disney. Ele espera que as pessoas estejam prontas para vivências assim mais perto de suas casas, mas longe de seus sofás.

“Fico incomodado quando alguém fala de ‘experiência imersiva’, mas está se referindo a algo que acontece dentro de uma tela. Todo mundo tem tela dentro de casa”, diz Weis.

“Quando alguém afirma que teve uma experiência imersiva, supõe-se que envolveu todos os sentidos. Ela precisa envolver a pessoa na narrativa de um jeito que seria impossível fazer de dentro de casa, na frente do computador”, acrescenta.

MAIS DINAMISMO

A criação de um design verdadeiramente imersivo não precisa assumir a forma da fantasia, como acontece nos parques e resorts da Disney.

Weis diz que sua mudança para A Gensler reflete um desejo crescente entre as pessoas de sair de casa e compartilhar experiências comunitárias com mais gente. É também uma chance para trabalhar no ritmo rápido do desenvolvimento urbano.

“Parques temáticos levam muito tempo para serem desenvolvidos. Há muita infraestrutura e capital investido. Eles duram muito, mas demoram muito para serem implantados”, explica. “Com a Gensler, estou focando em projetos muito atuais, que pretendem estar em uma relação de dinamismo com o nosso tempo.”

Esta não é a primeira vez que a Gensler e a Imagineering se cruzam.  As duas organizações trabalharam juntas no projeto do resort da Disneylândia em Xangai: Cohen e Weis se conhecem há 25 anos.

Crédito: Shangai Disney Resort

DESIGN DE EXPERIÊNCIA IMERSIVA

Segundo Weis, sua mudança para a Gensler é uma chance de ampliar o escopo do tipo de design que ele conseguia fazer com a Disney, dedicado a momentos e monumentos únicos, vivenciados apenas nas férias. Suas criações, agora, estarão integradas a lojas, ambientes de trabalho, hospitais ou residências, ou seja, locais que as pessoas usam todos os dias.

“Tenho muita gratidão pelos projetos em que trabalhei na Disney, mas gosto da ideia de trazer esse tipo de experiência para mais perto de onde as pessoas vivem, das cidades onde vivem, dos lugares que frequentam e para várias áreas de suas vidas.”

A criação de um design realmente imersivo não precisa assumir a forma da fantasia, como acontece nos parques da Disney.

A Gensler ainda não anunciou nenhum projeto específico em que Weis estará envolvido, mas Cohen prevê que sua experiência encontrará relevância em uma ampla gama de projetos, do varejo ao bem-estar, passando por locais de trabalho, entretenimento, estádios e arenas esportivas. “O design de experiência imersiva tem aplicações em todas as nossas áreas de atuação”, acredita o co-CEO da Gensler.

A Gensler não é a única empresa de arquitetura que se aventura no espaço multissensorial do design de experiência. Em 2020, o escritório de arquitetura NBBJ, com sede em Seattle, adquiriu o estúdio de design ESI Design e o Rockwell Group, com sede em Nova York.

Já faz algum tempo que eles misturam os limites da prática arquitetônica convencional ao seu trabalho em resorts, cenários de teatro e experiências imersivas emergentes.

Por se tratar da maior empresa de arquitetura e design do mundo, essa virada da Gensler é significativa e também sinaliza o rumo que a indústria está tomando. Mesmo a mudança de Weis para a Gensler foi significativa, mas não surpreendente.

Quando ele deixou o cargo de presidente da Imagineering, sua substituta, Barbara Bouza, assumiu o cargo com uma experiência semelhante, mas às avessas: ela já havia trabalhado na Gensler por quase 20 anos.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais