POR LILLY SMITH

Primeiro havia pena e tinta. Depois veio a caneta-tinteiro, seguida pela caneta esferográfica. Agora podemos adicionar algo novo aos livros de história: a caneta compostável.

A caneta compostável (foto: cortesia CRA-Carlo Ratti Associati)

A nova família de marcadores Scribit, desenvolvida pela empresa italiana de design Carlo Ratti Associati chamado de caneta “Scribit”, também conta com tinta comestível. E ao contrário do 1,6 bilhão de canetas plásticas descartáveis que os americanos enviam para aterros sanitários todos os anos, essas aqui não liberam toxinas para o meio ambiente quando jogadas fora.

Canetas de plástico estão por toda parte e, como sabemos, são realmente difíceis de reciclar. A maioria das pessoas simplesmente as jogam fora quando a tinta acaba, e embora existam opções para reciclá-las,  isso requer um esforço especial, parecido com o que fazemos (ou deveríamos fazer) com pilhas e baterias. As soluções, hoje, resumem-se a comprar uma lixeira para plásticos, uma caixa específica  para reciclagem de canetas ou enviá-las para uma instituição de reciclagem. Nada muito fácil ou atraente, convenhamos.

É por isso que a Scribit chama a atenção. Seu tubo, recarregável,  é feito em algumas cores diferentes, de acordo com o material: madeira responsavelmente cultivada, alumínio anodizado reciclado ou plástico PHB biodegradável. Os criadores também testaram dezenas de materiais para solucionar necessidades funcionais da caneta, como por exemplo uma barreira de oxigênio que evita que a tinta seque no tubo. De acordo com Carlo Ratti, sócio-fundador do CRA e também professor fo Massachusetts Institute of Technology (MIT),  a ponta e os cartuchos de tinta são feitos de fibras naturais. A tinta, que estará disponível em oito cores, é à base de água e feita com pigmento orgânico atóxico certificado como comestível. Não que você deva comê-lo, que fique bem claro. Caso aconteça a ingestão do líquido, você simplesmente não ficará doente e nem sofrerá alguma sequela.

Os detalhes da linha Scribit (foto: cortesia CRA-Carlo Ratti Associati)

A caneta está atualmente em desenvolvimento. Ainda não há uma data de lançamento e nem um preço fechado, mas o fabricante estima um valor parecido com o de outras canetas. A expectativa é por novidades concretas ainda no primeiro semestre de 2021, se a pandemia permitir. “Apesar de toda a conversa sobre uma economia circular no espaço do design, uma das ferramentas mais básicas da indústria, a humilde caneta, foi esquecida. Nosso redesenho é um passo para consertar essa falha”, afirma Ratti.

Lilly Smith escreve sobre design na Fast Company