Site ensina soluções criativas para adaptar a casa a pessoas com deficiência

Projeto destaca soluções caseiras que pessoas com deficiência criam para fazer com que suas casas funcionem melhor

Crédito: Nathamag11/ GettyImages

Nate Berg 3 minutos de leitura

A pandemia criou um grande obstáculo para a pesquisa de Laura Mauldin. Professora de sociologia da Universidade de Connecticut que estuda deficiência e cuidados, ela planejava visitar as casas de pessoas com deficiência para ver de perto como elas organizam o espaço para atender às suas necessidades específicas.

A pandemia interrompeu essas visitas. Embora Laura ainda pudesse ver as casas por videochamada, muitos dos pequenos detalhes que poderiam ser notados em uma visita na vida real ficaram fora de vista no virtual. Então, ela começou a pedir para as pessoas enviarem fotos.

O que recebeu foi uma enxurrada de gambiarras inovadoras, modificações e soluções caseiras, todas com o objetivo de fazer com que os lares funcionassem melhor para pessoas com deficiência e para aqueles que cuidam delas. “Pensei: isso é brilhante. Temos que mostrar para outras pessoas”, conta Laura.

Assim, ela começou a compilar as fotos e criou o Disability at Home, site que documenta as formas variadas, criativas e muitas vezes simples com que as pessoas têm adaptado suas casas para melhorar a vida com deficiência.

Crédito_ Disability at Home

Por exemplo, alguém modificou e alongou os degraus que levam à porta da frente da casa com madeira compensada e dois degraus compridos. Outro prendeu um carrinho com rodinhas atrás de sua cadeira de rodas para conseguir se movimentar pela casa transportando objetos com mais facilidade. E ainda tem os que usaram coisas comuns, como braçadeiras, fita adesiva e quadros de apagar a seco, para facilitar suas rotinas diárias.

Entre as imagens enviadas, a maioria trazia soluções para os problemas mais comumente enfrentados nos banheiros. “Milhões de pessoas caem todos os anos porque não têm barras de apoio adequadas ou outras medidas de segurança no banheiro”, diz Laura. “Dezenas de milhares até morrem por causa dessas quedas. Isso é um grande problema.”

Disability at Home mostra a grande variedade de maneiras pelas quais pessoas com deficiência e seus cuidadores resolveram esse problema por si mesmos, incluindo barras de apoio feitas de canos de gás e uma combinação de cômoda e cadeira de banho feita de tubos de PVC.

Laura diz que muitas dessas gambiarras e modificações resolvem problemas específicos de maneiras que produtos encontrados no mercado talvez não conseguissem. Mas isso não significa que as empresas não tentam vender soluções.

Liz Jackson é fundadora da Disabled List, grupo que busca fazer a ligação entre deficiência e design. É conhecida por cunhar o termo “bugigangas para deficientes”, que se refere aos produtos e designs criados por empresas para ajudar pessoas com deficiência, mas que não entendem o que essas pessoas realmente querem ou precisam.

Esses produtos geralmente ganham uma cobertura cheia de glamour em publicações de design, mesmo que sua utilidade seja questionável. “Você acessa o Twitter e o que encontra nos comentários são pessoas dizendo que não querem esse tipo de coisa. Não queremos inovação. Queremos infraestrutura”, diz Liz Jackson.

“A maneira como a deficiência é frequentemente abordada não prioriza a solução, e sim as promessas. Mas o que acontece quando você começa a perguntar qual é a solução sem nenhuma promessa tecno-utópica? É aí que entra o trabalho de Laura”, explica Liz. O Disability at Home muda o foco dos grandes designers para pessoas com deficiência e cuidadores que criam suas próprias soluções.

Crédito: Disability at Home

“Quero que as pessoas com deficiência reconheçam a capacidade que têm de adaptar as coisas para elas mesmas, em vez de esperar que alguém venha com uma inovação que vá salvá-las”, diz Liz. “Se formos cuidadosos sobre como o site é usado como ferramenta de ensino, acho que pode ser algo muito valioso.”

Muita gente pode se beneficiar das ideias apresentadas no Disability at Home. Laura diz que existem mais de 53 milhões de cuidadores familiares não remunerados nos EUA. Parte deles provavelmente já estão dando seu jeito e fazendo adaptações e modificações. Destacar esses esforços pode encorajar outras pessoas a encontrar soluções que funcionem para elas.

“O mundo é como a gente o faz. E podemos fazê-lo de forma diferente”, diz Laura.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais