Snapchat cria filtro para trocar a camisa do time na Copa do Mundo

A nova lente do Snap é uma janela para o futuro da realidade aumentada

Crédito: Snap Inc./ Divulgação

Nate Berg 4 minutos de leitura

Em uma Copa do Mundo, nem sempre é fácil ter que torcer para outra seleção. O torneio é assistido por bilhões de espectadores em todo o planeta. Para aqueles apaixonados por qualquer uma das 32 seleções nacionais em campo, a fase eliminatória deixa a maioria dos torcedores frustrada, tendo que se contentar em escolher algum adversário para torcer, conforme as opções diminuem.

Agora, para algumas equipes selecionadas, será muito mais fácil mudar a torcida – pelo menos no aplicativo de realidade aumentada do Snapchat. A Snap, a empresa por trás do aplicativo, acaba de lançar um recurso chamado Live Garment Transfer, que permite aos usuários vestir virtualmente as camisas de seis seleções que estão na competição.

Em parceria com as equipes dos EUA, França, Arábia Saudita, Bélgica e Catar, os usuários do Snapchat podem sobrepor uma versão 3D das camisas desses times em vídeo em tempo real, em segundos. Se e quando a derrota vier para algum desses times, os torcedores terão pelo menos uma maneira digital de apoiar um segundo favorito.

Crédito: Snap Inc.

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O Live Garment Transfer é uma tentativa de envolver os fãs durante o evento esportivo mais assistido do mundo e, provavelmente, a primeira de muitas parcerias pagas que a Snap espera traduzir na tão sonhada receita que a empresa tem lutado para atrair. É também uma indicação de para onde a própria realidade aumentada está caminhando.

Carolina Arguelles, líder global de estratégia de produtos de realidade aumentada (RA) e de marketing de produto da Snap, afirma que os filtros de RA têm sido historicamente usados como uma ferramenta para a criatividade.

Originalmente lançado para permitir que os usuários sobreponham o conteúdo RA em seus snaps, o Snapchat Lenses foi a primeira experiência de realidade aumentada de muitas pessoas. Em 2017, a Snap lançou o Lens Studio, aplicativo que os desenvolvedores podem usar para criar e publicar experiências de RA no próprio Snapchat.

O SEGREDO SÃO AS REDES NEURAIS

A tecnologia para criar o filtro Live Garment Transfer está em desenvolvimento há anos. Desde 2017, os pesquisadores da empresa publicaram mais de 20 artigos descrevendo os fundamentos desse tipo de processamento de imagem para vídeo em tempo real e as redes neurais por trás dele.

O desenvolvimento do recurso levou dois anos, com centenas de milhares de horas de treinamento de imagem e vídeo como suporte a quatro redes neurais. São eles que permitem que a imagem estática de uma camisa de futebol se adapte a vídeos do corpo humano em movimento em todas as suas formas variadas, envolvendo os braços e o tronco e apagando qualquer vestígio da roupa por baixo.

Ao analisar cada pixel de qualquer vídeo usando o filtro, a tecnologia consegue segmentar cada parte do corpo, dos ombros à barriga e ao cabelo, e colocar a camisa digital exatamente onde se esperaria que uma camisa estivesse. Para as equipes da Copa do Mundo em parceria com o Snap, a tecnologia oferece aos fãs uma novidade enganosamente simples.

Crédito: Snap Inc.

A maioria das experiências de RA até agora dependia de modelos digitais complexos que aplicativos como o Snapchat colocavam sobre o espaço 3D. Esse novo recurso permite que os usuários façam upload de uma imagem simples e que a tecnologia a transforme em uma espécie de roupa digital que pode vestir um corpo no espaço, substituindo o que o usuário está vestindo no feed da câmera ao vivo.

O novo filtro do Snapchat é uma indicação de para onde a própria realidade aumentada está caminhando.

Em última análise, é uma tecnologia que pode ajudar a Snap e outras empresas de tecnologia de realidade aumentada a transformar sobreposições digitais inteligentes em fluxos de receita de longo prazo. Arguelles diz que há uma aplicação óbvia no mundo do varejo de roupas, e a Snap já criou filtros de teste de roupas. Mas eles se concentravam em transformar imagens estáticas das roupas em imagens estáticas dessas mesmas peças nas pessoas.

A capacidade de transformar as trocas de roupa em vídeo ainda está na fase inicial, diz Arguelles, e funciona melhor com roupas justas na parte superior do corpo, como camisas e moletons, apenas na frente. Mas ela espera que, em breve, a tecnologia seja capaz de replicar o caimento das roupas no corpo inteiro, na frente e nas costas.

A tecnologia da Snap pode tornar mais fácil para os consumidores experimentar roupas e é potencialmente lucrativa para os varejistas venderem online, sem a necessidade de lojas físicas. Também pode se tornar uma ferramenta para decidir quais produtos essas empresas levarão para o mercado.

“Ser capaz de simular o caimento com antecedência e obter feedback imediato do cliente para informar coisas como a verdadeira fabricação: acho que esse é definitivamente um caminho tecnológico interessante”, conclui Arguelles.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais