The North Face adota a reciclagem em sua linha de jaquetas

Na linha Remade, os casacos de inverno são costurados, no estilo Frankenstein, a partir de várias partes. Os resultados são super estilosos

Crédito: The North Face

Adele Peters 2 minutos de leitura

Há alguns meses, Kellen Hennessy, designer de produto da The North Face, começou a separar caixas de jaquetas velhas na Tersus Solutions, uma empresa que conserta roupas usadas para a marca. A maioria das roupas velhas pode ser limpa, consertada e revendida. Mas outras estão muito danificadas, e acabam indo parar no lixo.

Foi pensando justamente em como reciclá-las que Kellen idealizou uma nova coleção de casacos – cada um costurado de várias partes, como um Frankenstein.

Crédito: The North Face

“Estamos tentando usar peças danificadas para reparar outros itens danificados de maneiras criativas”, diz ela. O lançamento, focado na clássica jaqueta bufante Nuptse da marca, é o mais recente de uma série de produtos que a empresa comercializa como parte da linha Remade. Cada um dos itens é único e reconhecidamente diferente da linha de produtos padrão, como uma jaqueta roxa com uma única manga rosa.

Crédito: The North Face

O projeto começou em 2020, depois que Kellen e outros designers visitaram uma instalação que consertava roupas usadas ou danificadas para a empresa. Eles queriam aprender a projetar melhor os produtos para aumentar a durabilidade, procurando problemas como encaixes que davam defeito repetidamente ou bolsos que precisavam de mais reforço para durar mais tempo.

Outras mudanças de design, como fazer um padrão acolchoado mais simples, também facilitam o reparo posterior dos casacos. Eles também viram uma oportunidade de começar a reciclar peças que não podiam ser facilmente consertadas.

A primeira pequena leva de roupas Remade foi lançada no Dia da Terra (22 de abril) daquele ano. Hoje, são lançados cerca de 50 itens a cada dois meses e a marca busca maneiras de ampliar o programa.

Crédito: The North Face

“O maior desafio é tornar o upcycling eficiente”, diz ela. “Essa prática não é muito comum em grandes empresas. É complicado. Há tantas variáveis que o processo exige uma boa quantidade de tempo, esforço e logística.” Mas, para uma empresa que pretende ser circular, esse é um passo importante antes de recorrer à reciclagem total do material.

“O ideal é prolongar a vida útil da roupa o máximo possível, em sua forma atual”, ela explica. “Esses recursos foram fabricados. Como podemos maximizá-los? Pegar peças e componentes utilizáveis de roupas existentes e juntá-los a fim de prolongar sua vida útil coletiva é, em última análise, a solução de menor impacto.”

O upcycling também é algo que os clientes desejam, acrescenta a designer. “Os casacos são visualmente interessantes e atraentes. Acho que essa é uma maneira de as pessoas vestirem seus valores, por assim dizer.”


SOBRE A AUTORA

Adele Peters é redatora da Fast Company. Ela se concentra em fazer reportagens para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo, ... saiba mais