Um app de saúde mental em forma de game para você se sentir mais feliz

Paradise Island envia o jogador em missões na vida real e o leva de volta ao jogo para ganhar recompensas

Crédito: MIT Media Lab

Elissaveta M. Brandon 3 minutos de leitura

Testei vários aplicativos de saúde mental e bem-estar. Mas abandonei e esqueci completamente de todos logo depois, provavelmente porque não tive nenhum incentivo real para continuar usando.

Pensando nisso, Craig Ferguson, engenheiro líder de plataforma do grupo Affective Computing do MIT Media Lab, desenvolveu o Paradise Island, um game de saúde mental que envia o jogador em missões na vida real em troca de recompensas virtuais. A ideia é fazer com que as pessoas retornem ao app para resgatar os prêmios, o que, por sua vez, as mantém mais engajadas.

Paradise Island é, na verdade, uma sequência de The Guardians: Unite the Realms, lançado em 2020, e que conta com quase 13 mil usuários. Ambos são baseados em um tipo de terapia clinica- mente comprova- da conhecida como “ativação comportamental”, que incentiva as pessoas a fazer coisas consideradas boas para elas.

Os jogadores podem escolher entre 75 atividades, selecionadas a dedo com a ajuda de um psicólogo. Elas vão desde sessões de alongamento a pintar um quadro para enviar como mensagem de texto a um amigo. Você escolhe a atividade que preferir.

Prometi a mim mesma que iria contatar amigos que moram longe com mais frequência. Assim, a primeira atividade que escolhi foi enviar uma mensagem para alguém. O aplicativo me perguntou o quão gratificante eu esperava que a atividade fosse (“muito gratificante”). Enviei uma mensagem a um amigo distante e colocamos o papo em dia por uma hora.

Voltei ao aplicativo, resgatei minhas recompensas – uma “joia da alma”, um “bilhete dourado” e três novos “animais de estimação” – e fui solicitada, novamente, a refletir sobre como a atividade me fez sentir (“incrivelmente gratificante”).

Devo admitir que não sou uma grande entusiasta de games. Mas, mesmo que não me importe muito com os bilhetes dourados, sempre volto pelos gentis empurrõezinhos que o aplicativo nos dá, como as atividades que sei que me farão sentir melhor, mas que provavelmente não faria sem ele porque, bem… eu não tinha tempo.

O jogo foi lançado há tão pouco tempo que não existem muitos dados disponíveis, mas a versão original apresentou uma taxa de retenção, em 15 dias, de 10% dos usuários e, em 30 dias, de 6,6%. Pode parecer um índice baixo, mas é 2,5 vezes maior do que a média dos aplicativos de saúde mental.

Dos 12,7 mil usuários que baixaram o primeiro jogo, Ferguson aponta que 50% comple- taram pelo menos uma atividade e 17%, pelo menos oito – o número mínimo de sessões neces- sárias para concluir um curso de ativação comportamental, segundo pesquisas.

O Paradise Island oferece aos usuários enredo e cenário totalmente novos, além de mais animais de estimação, um novo minijogo e cerca de 50 missões na vida real. A proposta de reflexão antes de aceitar um desafio também é nova, bem como a possibilidade de escolher o nível de esforço necessário para sua missão diária.

O jogo foi desenvolvido para durar cerca de 21 dias (com o limite de uma missão por dia, para não sobrecarregar pessoas com depressão). Depois disso, a esperança é que os usuários criem o hábito e continuem jogando.

“Um dos objetivos do aplicativo é ensinar uma lição às pessoas, ajudá-las a desenvolver habilidades e resiliência”, explica Ferguson. “Para que então reflitam e percebam ‘quando estava me sentindo mal, não acreditava que correr ajudaria, mas ajudou’, e lembrem-se disso.”


SOBRE A AUTORA

Elissaveta Brandon é colaboradora da Fast Company. saiba mais