Muito se falou dos aprendizados advindos do período mais agudo de pandemia, quando o isolamento e afastamento social eram a regra geral, e que se mostraram fundamentais para reduzir o ritmo de contaminação. Mas hoje, já entrando num modelo mais aberto do modus vivendi, tenho dúvidas quanto à adoção desses aprendizados, como a empatia, por exemplo, tão falada, mas pouquíssimo executada.

Do meu lado, contudo, além da reflexão que veio de maneira inevitável sobre essa condição coletiva da nossa existência, o que mais me marcou e que, espero, vai continuar marcando, é a questão da frugalidade.

Refletir sobre o que de fato precisamos, o que é necessário, imprescindível, me remeteu aos preceitos, que aprendi a admirar, do instituto Akatu e sua luta incansável pelo consumo consciente.

Sei que não é exatamente a mesma coisa, mas trazem na essência o que de alguma forma vem se perdendo em muitos momentos da nossa existência: o olhar para o coletivo, para o outro, para o mundo.

Em tempos de COP 26 e uma conversa aberta sobre os destinos do nosso planeta, a pergunta que deveríamos fazer a nós mesmos é: preciso de tudo isso que está dentro do meu armário?

Recentemente compareci a uma reunião de trabalho, seguindo todos os protocolos, e ao abrir meu armário olhei para roupas que, além de mofadas pelo longo tempo sem uso, já não faziam sentido pela quantidade – dentro desta lógica, reforçada na pandemia, de ser mais frugal. 

Quando ouço a ideia da abundância preconizada no universo de inovação, mesmo sabendo que tem outro campo de atuação, buscando abundância de recursos e possibilidades para todos, ainda assim me assusto.

Ser mais frugal me traz como benefício adicional um meio mais simples e fácil de lidar com o cotidiano, com menos combinações e complexidade.

Não é tentar esquecer que a vida cotidiana é complexa. Mas entender e buscar levar adiante também a possibilidade de ser mais simples em alguns momentos e situações.

O que isso traz de mudança? 

Para mim? Tranquilidade.

Para o mundo à minha volta? Uma fração mínima, mas existente, de melhoria, de redução de gastos e consumo além do necessário.

Como diz a história do beija-flor questionado ao tentar apagar o incêndio na floresta com a água que levava no seu bico: “estou fazendo a minha parte.”

 

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE O AUTOR

Marco Antonio Souto é head de estratégia do Grupo Dreamers e ativista da causa do Idadismo.