Carebots vieram para ficar. Ou não?


Adriana Knackfuss 2 minutos de leitura

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, existem mais de um bilhão de pessoas acima de 60 anos no mundo, número que aumentará para 1,4 bilhão em 2030. Já o Brasil, que em 2016 era dono da quinta maior população idosa do planeta, verá seu número de idosos ultrapassar o total de crianças entre zero e 14 anos nos próximos oito anos.

O envelhecimento da população vem acompanhado do aumento da longevidade. A combinação desses fatores faz com que governos busquem soluções diversas para suprir a escassez de mão-de-obra que se apresenta na medida em que teremos uma população em idade ativa significativamente menor daqui para frente. Uma das novidades que mais chamam atenção neste campo é a utilização de robôs como alternativas aos cuidadores. A este tipo de tecnologia chamamos carebots.

Em geral, carebots são desenvolvidos como soluções alternativas a serviços como auxílio médico, alimentação e locomoção. Mais recentemente, também passaram a suprir necessidades de socialização, funcionando como a “Siri” para pessoas mais velhas.

O envelhecimento populacional demandará um contingente adicional de seis milhões de enfermeiros no mundo.

Não estamos mais falando de robôs como algo futurístico ou de pouca aplicabilidade. Carebots são uma solução real para um problema real da sociedade. No Japão, onde quase um terço da população tem mais de 65 anos, o governo vem dando subsídios para a compra e instalação de robôs desde 2015.

Stevie, um robô criado em 2019 na Trinity College Dublin, já ajuda 300 residentes em uma comunidade de idosos em Washington DC. Em março deste ano, o estado de Nova York comprou centenas de robôs ElliQ, produzidos pela empresa israelense Intuition Robotics, para incentivar a independência e proporcionar companhia aos idosos que vivem sozinhos.

MERCADO POTENCIAL

O mercado global de componentes de robôs personalizados atingirá US$ 17,2 bilhões até 2027. Embora a Ásia seja o mercado predominante atualmente, o crescimento nessa área será uma realidade no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde um em cada quatro adultos com mais de 65 anos é considerado socialmente isolado, o crescimento dessa tecnologia é o mais acelerado do mundo.

O envelhecimento populacional demandará um contingente adicional de seis milhões de enfermeiros no mundo, número que dificilmente será alcançado com os modelos tradicionais de formação de profissionais de saúde. Apesar de acreditar que nada substitui o contato humano, é preciso reconhecer que estamos diante de uma solução tecnológica que pode oferecer mais qualidade de vida às pessoas. 

Ainda assim, imagens de idosos isolados interagindo com robôs me geram uma certa tristeza… Talvez seja porque a minha geração não nasceu tecnológica. Ou será que repensaremos essa alternativa daqui a alguns anos?


SOBRE A AUTORA

Head de integrated marketing experiences (IMX) da Coca-Cola para a América Latina e eleita Women to Watch. Designer de formação, ingre... saiba mais