Construir uma marca amada não é fácil, mas também não é impossível – parte 2


Thadeu Diz 5 minutos de leitura

No meu artigo de estreia, levantei quatro pontos principais que, ao longo dos anos, acabei concluindo que se entendermos/ seguirmos, as chances de o seu negócio dar certo acabam aumentando exponencialmente. São eles:

1 . A melhor bússola é o seu instinto.

2 . Se não for um ‘WOW’, é um NÃO.

3 . As pessoas não querem consumir, elas querem pertencer.

4 . 3P’s – Pessoas, Processos, Paranoia.

Por uma questão de espaço, acabei usando o primeiro artigo para me aprofundar nos dois primeiros. Prometi que no mês seguinte falaria um pouco mais dos últimos dois pontos. Vamos lá!

3. As pessoas não querem consumir, elas querem pertencer

Desde o primeiro dia da Zee.Dog, sempre falamos que somos muito mais que uma marca. Somos uma comunidade. Uma marca vende bens de consumo e pronto. Já uma comunidade cria mecanismos (entre elas produtos também, claro!) para as pessoas compartilharem interesses em comum.

É frequente a quantidade de conversas que tenho com executivos de marketing e diretores criativos de diversas indústrias com o mesmo “problema” – querem construir uma comunidade forte em volta de suas empresas, mas nada parece estar funcionando. Veja bem, para uma comunidade se construir em volta de uma “marca”, esta, antes de mais nada, precisa entender que o foco não pode ser em perfis demográficos, e sim em perfis psicográficos. 

O propósito da sua empresa não pode só estar escrito, ele precisa ser vivido em todas as suas decisões.

Uma comunidade se forma organicamente e por vontade própria com pessoas que compartilham os mesmos valores, sonhos, vontades, paixões, etc. O famoso senso de propósito não é mero clichê. Mas já adianto que, hoje em dia, não basta mais ter um propósito aspiracional escrito na sua página de “quem somos” que estará tudo resolvido.

O propósito da sua empresa não pode só estar escrito, ele precisa ser vivido em todas as suas decisões sobre o que fazer e o que NÃO fazer. Quando vejo fundadores criando uma marca de skate, por exemplo, mas que nunca subiram em um na vida, chego à conclusão de que as chances dessa marca dar certo são praticamente zero.

Quando criamos o slogan da Zee.Dog, Connecting Dogs and People, fundamentalmente estávamos deixando claro que, ao comprar um produto Zee.Dog, você não estaria levando um acessório para o seu cachorro não fugir.

Consumir um produto Zee.Dog era uma porta de entrada para uma comunidade de pessoas apaixonadas por seus cães, que queriam se conectar mais com eles e que compartilhavam os mesmos interesses. A mensagem que deixo aqui é: não venda produtos, ofereça pertencimento.

4. 3P’s – Pessoas, Processos, Paranoia

De certa forma, todo mundo conhece esses “P’s” de marketing. Mas, uma das coisas que eu sempre tenho falado, principalmente quando lido com mentorados e uma galera mais jovem que está construindo marca, é que percebo que falta um foco especial para os “‘P’s” internos.

Uma das coisas mais importantes que aprendi é que, para um trabalho criativo ser bem feito, precisa haver processos.

Na minha visão, o olhar para Pessoas, Processos e Paranoia foi o que ajudou na construção do grupo Zee.Dog e nos trouxe até aqui. Quando vejo qualquer empresa aplicando esses três “pilares”, volto ao ponto de que as chances de dar certo aumentam consideravelmente.

Obviamente, tem um “bilhão” de outras coisas importantes para focar em um negócio e na construção de uma comunidade, mas sempre gosto de destacar esses três pontos específicos, que fazem toda a diferença.

Pessoas: Desde o primeiro dia tivemos o cuidado de trazer as melhores pessoas para cada posição dentro da empresa. Quando digo isso, não é me referindo só a talento. Para nós da Zee.Dog, as pessoas que escolhemos para integrar o time entendem a visão da marca e vivem o propósito.

As pessoas que trabalham no grupo são apaixonadas por cachorros, amam pets, amam o que fazem e amam trabalhar em uma empresa com a missão de conectar cachorros e pessoas. É nítido. Sem dúvida, é o que julgamos como de máxima importância: pessoas que vivem o propósito da marca, com um talento fora da curva e que são muito fiéis à construção do sonho. 

Costumo dizer que a Zee.Dog não foi construída pelo nosso mérito como fundadores, mas que 99% desse mérito veio das pessoas que contratamos e mantivemos conosco. Talvez a nossa maior aptidão tenha sido achar essas pessoas – muito maior até do que construindo o business em si.

Processos: Muitas vezes, principalmente no âmbito criativo, as pessoas acham que trabalhar com criatividade ou promover um ambiente de ideias e inovação não é algo processual. Uma das coisas mais importantes que aprendi ao longo dos anos – com uma das líderes de criação do grupo – é que, para um trabalho criativo ser bem feito, precisa haver processos. 

Digo isso porque construção de marca, no final das contas, é consistência em excelência. Quando você tem disciplina e um olhar para ter esses dois atributos, torna todos os processos um meio para entregar esse nível de qualidade ao final. Processos muito bem definidos de quem faz o quê, quem aprova o quê e como se aprova esse trabalho – etapas que existem justamente para não burocratizar as coisas. 

Paranoia: Sempre damos o crédito para o sucesso da

A mensagem que deixo aqui é: não venda produtos, ofereça pertencimento.

Zee.Dog ao que chamamos de “paranoia” – do bem, claro. Uma paranoia positiva, de entender que o sucesso está no prestar atenção nos mínimos detalhes, em absolutamente tudo. Em todos os pontos, em todos os lugares.

Acredito que esse “P” é muito importante para diretores criativos, diretores de branding, e qualquer pessoa que está liderando ou construindo marca. Porque, se você não tem paranoia, acaba não construindo, inclusive, processos. Esse apreço por ser crítico nos detalhes ajuda a criar e a manter uma cultura única que gira em volta disso, de certa forma.

Se você não está constantemente paranoico com cada frase que qualquer pessoa da empresa escreve, qualquer post que é feito, cada comunicação pensada, cada conteúdo criado, está aos poucos diminuindo o crivo e deixando de garantir a essência do que você quer para a marca. Coisas que parecem até banais para alguns, mas que, na prática e no todo, não são. Ao ignorar esse critério, você acaba atingindo o ponto principal da consistência em excelência.

Vale ressaltar que não é uma “paranoia” que cria uma cultura de esporro, ou uma cultura ruim, de stress. É um norte que vai guiar toda a sua equipe para um único lugar: o de promover e criar todos os dias uma marca que foi feita para gerar conexão de verdade, apresentando a sua essência e propósito em cada detalhe.


SOBRE O AUTOR

Investidor e empreendedor, co-fundou o grupo Zee.Dog (Zee.Dog, Zee.Now, Zee.Dog Human e Zee.Dog Kitchen). Atua hoje como Diretor Criat... saiba mais