Digital presenteísmo e o futuro do trabalho que ninguém quer


Adriana Knackfuss 2 minutos de leitura

A adoção do trabalho remoto trouxe mais flexibilidade para o nosso dia a dia. Mas os hábitos adquiridos durante anos dentro de escritórios podem nos levar a um futuro do trabalho prejudicial à produtividade e ao engajamento dos colaboradores. Estamos falando da cultura do presenteísmo digital, que vem se estabelecendo como algo normal dentro das organizações.

Mas o que é presenteísmo digital?

De acordo com Abby Peel, co-lead mental health network do serviço digital do governo do Reino Unido, esse fenômeno acontece “quando você se sente pressionado a estar disponível remotamente durante todo o dia”. De maneira geral, pensamos que a pressão para estar 100% conectados diminuiria com o trabalho remoto, mas a realidade tem mostrado o oposto.

Por estarem fora do campo de visão de chefes e colegas, os trabalhadores remotos tendem a buscar provar sua presença, fomentando uma cultura always on, na qual todos se sentem obrigados a permanecer online e interagir independente do dia ou horário.

A principal causa do presenteísmo digital é que, historicamente, no local de trabalho, a visibilidade era tão ou mais importante do que a produtividade. Um funcionário “trabalhador” era constantemente definido como alguém que passava mais horas em sua mesa, em vez de ser avaliado por sua produção.

De acordo com uma pesquisa do LinkedIn, os trabalhadores remotos trabalharam 28 horas extras por mês desde o início do lockdown. A busca por visibilidade fatalmente vem contribuindo para jornadas de trabalho mais longas. 

Por que o presenteísmo digital é um problema?

O problema começa com a gestão e a liderança, assim como as bases sobre as quais construímos nossa cultura no local de trabalho.

De acordo com pesquisa do LinkedIn, trabalhadores remotos trabalharam 28 horas extras por mês desde o início do lockdown.

A “Harvard Business Review” chama isso de “estar no trabalho, mas fora dele”. E, de acordo com uma auditoria de produtividade norte-americana, essa é uma desconexão que custa à economia dos EUA mais de US$ 150 bilhões por ano.

Mas as consequências financeiras do presenteísmo digital são apenas a ponta do iceberg, já que as pessoas convivem com sintomas de esgotamento, exaustão, estresse e ansiedade.

Como garantir que os funcionários remotos mantenham um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal? Aqui estão algumas estratégias que os líderes de equipe podem adotar para gerenciar o presenteísmo digital:

A) Mantenha conversas frequentes com seus funcionários. Os check-ins não apenas demonstram que a empresa valoriza sua equipe, mas também ajudam os gerentes a se manterem atualizados sobre as preocupações e os desafios que os membros da equipe podem enfrentar.

B) Promova uma cultura de trabalho positiva, com confiança e transparência na comunicação. Isso inclui deixar sempre claro os critérios de sucesso para as pessoas e as melhores formas de comunicação no dia a dia. 

C) Lidere pelo exemplo: Não dá para pedir que os funcionários não estejam always on se o chefe se apresenta desta maneira 😉


SOBRE A AUTORA

Head de integrated marketing experiences (IMX) da Coca-Cola para a América Latina e eleita Women to Watch. Designer de formação, ingre... saiba mais