Então é Natal, e o que você fez? (Ano 2)

A pergunta “o que você fez?” não quer saber se você bateu meta. Quer saber se você esteve lá. Se havia você dentro do que você produziu

pessoa carregando um grande relógio
Créditos: flyparade/ Getty Images/ Inga Seliverstova/ Pexels

Genesson Honorato 2 minutos de leitura

Um ano depois, a pergunta continua de pé. Talvez até mais difícil de responder.

Então é Natal. E lá vem ela de novo, aquela pergunta que parece inofensiva, mas que, quando ecoa no fim do ano, tem o peso de um déjà vu: “e o que você fez?”

Essa pergunta virou o título de uma coluna, em dezembro do ano passado, que provocava sobre tempo, tela e distração. Hoje, ela volta com outra camada. Porque acho eu que agora a questão não seja só o que você fez, mas o quanto de você esteve presente no que fez.

O ano passou, e passou rápido. Mas o que ficou? Você se lembra de alguma coisa com nitidez? Um cheiro? Uma conversa? Um instante que não virou post, nem resultado, nem entregável?

Será que o maior esgotamento de 2025 teria sido esse: não conseguir se encontrar dentro da própria rotina?

Acordar, entregar, responder, alinhar, apagar incêndios… Mas em que momento você parou e realmente habitou o tempo presente?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos de ansiedade e depressão aumentaram em mais de 25% no mundo desde 2020. Em parte, porque estamos vivendo sob a lógica de aceleração constante: tudo é urgente, tudo exige resposta imediata, tudo parece insuficiente. E isso vai cobrando um preço. 

Baixo ruído virou luxo, silêncio virou desespero? Estar cansado virou o novo normal?

ilustração de cabo de  força sendo desligado da tomada

A pergunta “o que você fez?” não quer saber se você bateu meta. Quer saber se você esteve lá. Se havia você dentro do que você produziu. Se, entre tantas urgências, você conseguiu proteger alguma pausa, sua, só sua. Sem wi-fi, sem cronômetro, sem resultado imediato.

Talvez a virada do ano não precise de tantas metas. Talvez precise de memória. Daquelas que a gente guarda no corpo, não no drive. Presença é quando o tempo não passa por nós, mas com a gente. Quando o instante não é só mais um, mas uma lembrança, não porque foi postado, mas porque foi vivido.

O que pode ser um diferencial para 2026: 

  • Recuperar o “tempo vivido” ao invés do “tempo medido”
  • Não contar os dias, mas fazer os dias contarem.

Como bem disse Gilberto Gil, e repito aqui, “o melhor lugar do mundo é aqui e agora…”

Boas festas!

Até 2026.


SOBRE O AUTOR

Genesson Honorato é psicólogo com olhar para a psicanálise, tem formação em Marketing e Design Digital pela ESPM e MBA em inovação pel... saiba mais