Se eu pudesse definir em uma única frase o que acredito ser o mais importante para qualquer gestor eu diria simplesmente: esteja presente. 

Pode parecer simples e óbvio, como se todos os gestores se comportassem assim. 

Mas posso garantir que no dia a dia, na pressão natural do ambiente de trabalho, nas crises, estar presente é mais que um exercício de empatia. 

É uma tomada de posição diante da vida.

Nem sempre na minha carreira como gestor eu entendi e atuei com essa clareza. 

Sempre busquei olhar para além do profissional à minha frente, mas essa síntese veio se consolidando ao longo dos anos.

Ninguém me contou. Foi a vontade de apurar o conhecimento e a entrega que me levaram até aí.
Eu sempre quis ser um gestor melhor aprendendo com meus erros, mesmo naquela época que erro era assunto de alto risco.

Estar presente é entender que a equipe precisa estar certa que mesmo à distância, e 2020 e 2021 foram emblemáticos nesse sentido, você está ali, presente.

Presente para ajudar nas escolhas, para facilitar a busca por novos caminhos, para reforçar valores e até para se mostrar incompetente para resolver determinada situação.

Se você estiver verdadeiramente presente no cotidiano, sua equipe saberá que tem alguém com ela.

Não necessariamente acima, nem abaixo. 

Presente.

Próximo.

Atento ao que está visível e ao que não é dito.

O gestor precisa ler nos silêncios, nos impulsos, nos medos, nas fraquezas e nas vitórias.

Estar presente é mostrar para sua equipe que você busca soluções e caminhos e não apenas resultados. 

E agora com os sistemas híbridos, presencial e distante, a um só tempo, o desafio é ainda maior.

Pesquisa recente do Great Place to Work, “2021 Global Employee Engagement Benchmark”, revela que “no mundo inteiro, funcionários estão tendo uma experiência persistente de falta de confiança, propósito e conexão no trabalho.”

Especificamente em relação às lideranças, o estudo mostrou que “quase metade das pessoas entrevistadas tem uma relação fraca ou pobre com suas lideranças, sendo que cerca de metade delas indicou que suas lideranças: não se importam com elas como pessoas; não as envolvem nas decisões; não agem de forma coerente com suas palavras.” 

Em síntese, as empresas estão desperdiçando talentos por não saber como lidar.

Não importa o lugar ou o modelo: gestão é sobre pessoas.

E ser um gestor é para quem gosta de pessoas.

Estar presente pode ser uma frase, um olhar, um silêncio.

Na crise ou na bonança. 

Que em 2022, você possa estar presente, íntegro, coerente, pronto para os desafios junto com a sua equipe.

E que a sua equipe possa enxergar em você esse ponto de segurança.

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE O AUTOR

Marco Antonio Souto é head de estratégia do Grupo Dreamers e ativista da causa do Idadismo.