Metaverso – parte 2


Bernardo Mendes 4 minutos de leitura

Oi, tudo bem?

Espero que sim!

Como prometido no último texto, voltei para falar mais sobre o metaverso. Dessa vez vou apresentar para vocês o Ciclo de Hype de Gartner e listar as principais tecnologias atuais indispensáveis para o desenvolvimento do metaverso.

Bem… Se você está aqui é porque quer saber mais a respeito do metaverso e talvez esteja buscando uma maneira de entender como ele vai impactar sua vida. Afinal de contas, tem-se falado muito a respeito dessa “nova tecnologia com capacidade de mudar o mundo como o conhecemos!”.

Mas, quantas outras vezes a gente já ouviu essa mesma história? Quantas outras tecnologias surgiram com a incrível “capacidade de mudar o mundo como o conhecemos” e no fim não mudaram nada, ou muito pouco? Ou até mudaram, mas levou mais tempo do que o previsto?

E se eu te disser que é possível identificar o momento no qual uma tecnologia se encontra e qual seu grau de maturidade? Para isso, usamos o Gartner Hype Cycle, ou Ciclo de Hype de Gartner, um gráfico que quebra o ciclo de desenvolvimento de uma nova tecnologia em cinco diferentes fases:

1 . Innovation Trigger (acionador de inovação): inovadores, empreendedores e cientistas surgem com uma nova tecnologia. As primeiras provas de conceito aparecem e geram interesse da mídia. Geralmente, nesse ponto, ainda não existem produtos utilizáveis, nem viabilidade comercial comprovada. 

2 . Peak of Inflated Expectations (pico de expectativas infladas): a empolgação a respeito de aplicações hipotéticas foca no potencial positivo e não enxerga os possíveis fracassos. Nesse ponto, o hype começa a crescer, gerar empolgações infundadas e inflar expectativas. Aqui o otimismo e a imaginação andam mais rápido que a realidade. E esse descompasso deságua no

3 . Trough of Disillusionment (vale da desilusão): o interesse passa a cair por conta de experimentos e implementações que não geram os resultados esperados. A alta expectativa, aliada a baixos resultados, faz o mercado, os investidores e a mídia perderem a esperança na tecnologia em questão. Porém, a marcha constante do progresso leva a gente para a

4 . Slope of Enlightenment (ladeira da informação): mais e mais exemplos da tecnologia surgem, provando conceitos e demonstrando seu impacto positivo para o ecossistema no qual está inserida. Surgem produtos de segunda e terceira geração, além de um aumento no financiamento de produtos piloto. E é aqui que, em muitos casos, o resultado atingido consegue superar as expectativas iniciais e nos coloca na

5 . Plateau of Productivity (planície da produtividade): finalmente, chegamos no ponto onde a tecnologia passa a ser adotada em massa, o lucro se torna real e concreto, as expectativas são supridas ou superadas e a nova tecnologia se torna lugar comum no nosso dia a dia.

Ok, tá aí o Ciclo do Hype. Mas onde é que o metaverso se encontra nesse momento? De acordo com o último levantamento da Gartner (de agosto de 2022), o nosso querido metaverso ainda está lá no primeiro estágio, passando pela fase de Acionador de Inovação. 

Além disso o metaverso, junto com a cybersecurity mesh architecture (arquitetura de malha de segurança) e os humanos digitais, formam um grupo de tecnologias que levarão 10 anos para atingir a Planície da Produtividade, de acordo com o “2022 Gartner Hype Cycle for Emerging Technologies” (Hyper Ciclo Gartner para Tecnologias Emergentes 2022).

A FUNDAÇÃO DO METAVERSO

Assim como a inteligência artificial, a infraestrutura do metaverso é uma convergência de tecnologias, cada uma com seu próprio ciclo. Por conta disso, resolvi listar aqui os principais desenvolvimentos tecnológicos nos quais é bom ficar de olho:

 – Redes 5G/ 6G: a quantidade de dados utilizada pelo metaverso será absurda e ninguém quer fazer parte de um universo tridimensional, renderizado quase em tempo real, com lag, delay, latência ou queda na qualidade da imagem. Para atingirmos o ponto ideal no qual o metaverso poderá ser vivenciado por completo, serão necessárias redes mais poderosas e mais rápidas. No momento, o 5G ainda engatinha no mundo e passa longe da adoção em massa.

 – Interoperabilidade: para termos uma infraestrutura bem desenvolvida, é necessário criar protocolos capazes de garantir que todas as tecnologias envolvidas no processo sejam capazes de trabalhar juntas. No momento, já temos o Metaverse Standards Forum (Fórum de Padrões do Metaverso) para ajudar a cuidar disso.

 – Hardware: no texto anterior, destaquei uma fala do escritor Neal Stephenson sobre não precisarmos de interfaces de realidade virtual/ aumentada para acessar o metaverso. Porém, o acesso será muito facilitado por esse tipo de hardware, permitindo melhor integração entre o usuário e o espaço.

 – NFTs: os tokens não fungíveis são certificados digitais de autenticidade impossíveis de ser duplicados ou replicados. São, basicamente, um recibo de compra infalsificável, que pode ser usado para representar a compra de um bem digital. Sem essa camada de segurança e proteção por parte dos compradores e vendedores, não será possível criar uma economia digital segura dentro do metaverso.

Considerando que a estrutura do metaverso é essa convergência de tecnologias distintas, cada uma com seu próprio ciclo de hype, prever seu impacto em nossas vidas se torna uma tarefa quase impossível.

Porém, somos humanos, curiosos e inovadores por natureza e a ideia de uma nova tecnologia capaz de unir pessoas e criar novos padrões de relação e comportamento será sempre atraente.

Por hoje é só!

Até a próxima viagem.


SOBRE O AUTOR

Com 10 anos de experiência no mercado de entretenimento, entrou no mundo dos games ao trabalhar na implementação da ESL no Brasil, uma... saiba mais