Mobilize-se contra o preconceito etário


Tati Gracia 4 minutos de leitura

Muitas são as transformações que acontecem no cenário brasileiro, dentre elas o padrão demográfico. Em 2021, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já eram mais de 30 milhões de pessoas idosas no Brasil e a previsão é que, em 2043, esse grupo etário represente mais de um quarto da população. Muita gente, não é mesmo?

E se eu te contar que a proporção de jovens com até 14 anos, em 2043, será de apenas 16,3%? E que, em alguns estados brasileiros, já existem mais idosos do que crianças e pré-adolescentes. Ficou em choque? 

Mas, espera um pouco, o que é exatamente uma pessoa idosa?

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o idoso difere entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nos primeiros, são consideradas idosas as pessoas com 65 anos ou mais, enquanto nos países em desenvolvimento, como o Brasil, são idosos aqueles com 60 anos ou mais.

É possível acompanhar o crescimento dessa população por meio do Contador Populacional, super recomendo que conheçam! Ele aponta que, no Brasil, a cada 28 segundos uma pessoa entra no time dos 60+. Se ampliarmos o espectro, a cada 21 segundos uma pessoa entra no time dos 50+. Esse grupo etário já representa 25% da população brasileira, ou seja, um em cada quatro brasileiros já está na jornada da maturidade.

Os dados mostram que esse avanço da longevidade no país se dá, principalmente por duas causas: a brusca redução da taxa de natalidade e o significativo aumento na expectativa de vida.

Em 2021, a chamada “silver economy” movimentou R$ 1,8 trilhão em consumo de produtos e serviços.

No entanto, vamos ser sinceros: apesar da previsibilidade do envelhecimento populacional e de seu ritmo acelerado, o Brasil não está preparado para isso e tampouco reconhece e valoriza o poder de atuação dessa geração. 

A geração que hoje tem mais de 50 anos quebrou tantas barreiras na juventude. Namorou, casou, se separou, casou de novo. E hoje relata uma vida muito mais ativa do que a sociedade imagina. 

Eles participam da chamada “silver economy” ou “economia prateada”, nome dado em alusão à cor dos cabelos grisalhos dessa geração. Esse grupo representou mais 20% do consumo em 2021, o equivalente a cerca de R$ 1,8 trilhão gasto em produtos e serviços.

O QUE É ETARISMO?

Nesse sentido, entender o impacto econômico no comportamento de consumo e na empregabilidade dessa população passa a ser determinante para empresas e marcas que desejam ser inclusivas e longevas. Trata-se de uma oportunidade econômica!

Mas, apesar dessa realidade, o fenômeno do etarismo tem, infelizmente, se desenvolvido ao longo dos anos. 

Etarismo? Anote aí: é o preconceito ou discriminação em razão da idade de uma pessoa.

O termo foi cunhado em 1969 pelo psiquiatra e geriatra Robert Butler, ao apontar para o preconceito no mercado de trabalho em relação à idade do trabalhador, sendo ele mais velho ou mais novo.

Passados 50 anos, ainda há poucas pesquisas que examinam o preconceito baseado na idade, em comparação com o racismo e o sexismo, e questiona-se sobre motivo pelo qual o etarismo ainda é sub-investigado.

A verdade é que muitos não sabem nem o que significa etarismo, a não ser aqueles que têm interesse no tema ou sofrem por conta dele. Te convido a conhecer o vídeo da atriz Andréa Beltrão, “Minha Idade Não Me Define”, movimento impulsionado pela marca Natura Chronos.

Enquanto o mercado debate a melhor forma de se conectar para comunicar com os millennials ou com a geração Z, a população envelhece.

Pode até parecer piegas, mas é muito mais fácil querer construir uma sociedade e uma narrativa para algo com que é bastante difícil você conseguir empatizar e querer construir algo para aquilo que você será.

Enquanto o mercado debate a melhor forma de se comunicar com os millennials ou com a geração Z, a população envelhece.

Filosofia à parte, o maior ponto de inflexão que vejo na luta contra o etarismo é que as pessoas não querem olhar para esse tema. As pessoas não querem discutir sobre o envelhecimento e assim empatizar com esse processo natural da vida. 

Mas, se olharmos o copo meio cheio e partirmos do princípio de que o preconceito etário é um tema relativamente novo no universo da diversidade e inclusão, entenderemos que somos todos “idadistas” em desconstrução. E que, portanto, precisamos aprender juntos novas formas de comunicação e geração de produtos e serviços inclusivos e não discriminatórios.

Um incrível exemplo foi a nova campanha de Dia dos Namorados da marca Reserva. Se você ainda não viu, te convido a conhecer.

Resumindo, meu amigo leitor, eu e você temos dois caminhos: começar a conversar sobre o tema agora mesmo ou esperar para ver como será lá na frente. É uma escolha. Estejamos cientes, contudo, de que o nosso futuro talvez não seja como gostaríamos.

Façamos a nossa escolha!

#etarismo #diganãoaopreconceito #envelhecimentosaudável 


SOBRE A AUTORA

Tati é referência em comportamento de consumo e empatia no Brasil. Mestre em Análise do Comportamento Humano, é autora do livro “Empat... saiba mais