Confiar não é algo que se possa prescindir simplesmente.

Confiar é fator determinante no nosso processo cotidiano de tomar decisões. 

E a gente é instado a decidir milhares de vezes por dia. Alguns estudos dizem que tomamos mais de 35.000 decisões a cada dia.

Não vamos nem nos aprofundarmos no Paradoxo da Escolha de Barry Schwartz. 

Para escolher é preciso confiar.

Mas no que você confia?

Nas marcas?

Em quais? Naquelas que tem um propósito que vai além da sua atividade comercial, que se compromete e atua pela comunidade onde está presente?

Ou naquelas que fazem parte da sua vida há anos? 

Ou no que dizem os especialistas? 

Ou os anônimos nas redes sociais?

Nos amigos?

Na ciência?

Na imprensa?

Nas notícias?

Nos políticos?

Na sua família, seus irmãos, primos, cunhados?

Ou nos seus pais, que decidiram por você muita coisa na sua infância?

Em quem você confia? 

Em si próprio, no seu instinto, na sua capacidade analítica?

São tantas as fontes de informação e pontos de contato no nosso cotidiano. 

Cada qual com sua história, sua narrativa, suas verdades, seus argumentos.

Confiar é um processo. 

Ou pelo menos sempre foi assim.

Exigia tempo, relacionamento, repetição de atitudes que comprovam as hipóteses iniciais, validavam o que se pensava e aí se formava uma camada mais sólida, que protegia, que acalmava. 

Como se adquire confiança hoje?

E quanto vale ganhar a confiança de alguém ainda que seja por curto espaço de tempo?

Alguns dirão que a erosão das instituições como o governo, a igreja, a família, entre outros foi a causa dessa crise de confiança.

A primavera de 1968 que agitou Paris, que levou tanques para Praga, que mexeu com os Estados Unidos, que marcou países pelo mundo todo, inclusive o Brasil, trazia como uma das suas frases, que virou música por aqui, “não confio em ninguém com mais de 30 anos”. 

Será que a nova versão é não confiar em ninguém por mais de 30 dias?

Ou minutos?

Mas se não confiar, como decidir?

Ou não decidir é o extremo da confiança que se pode ter no depois?

E você, confia?

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE O AUTOR

Marco Antonio Souto é head de estratégia do Grupo Dreamers e ativista da causa do Idadismo.