O futuro dos games está na nuvem


Paulo Aguiar 3 minutos de leitura

Tanto se fala de metaverso que uma das notícias mais relevantes da indústria de games neste ano passou batida: o Xbox Cloud Gaming aberto para todos, disponibilizando jogos do console diretamente no browser – desktop e mobile – por streaming, sem necessidade de instalação, funcionando em qualquer device que tenha tela e internet.

O conceito não é novidade, mas a capacidade de executar em escala, é. Minha ideia com esse artigo é falar da relação entre as plataformas e os jogos na nuvem e refletir sobre o impacto que isso tem na indústria – especialmente com a chegada do 5G. 

A primeira oferta de game via streaming surgiu em 2011, com o lançamento da OnLive, disponibilizada apenas nos EUA. A plataforma foi descontinuada em 2015 e, de lá pra cá, inúmeras startups surgiram prometendo a revolução – o que, na prática, ainda não aconteceu.

Os gigantes do mercado foram lançando suas promessas. PS Now, Xbox Cloud e Ge Force entraram fortes na briga. Mas foi só em 2019, com o lançamento do Google Stadia, que ficou claro que a corrida pelos games na nuvem não seria exclusiva das empresas tradicionais do segmento. A partir daí, as coisas aceleraram bastante. 

O funcionamento da tecnologia é simples: o usuário acessa o game pelo navegador, servidores processam o jogo e devolvem a experiência real time

Parece simples, né?  

A corrida pelos games na nuvem não será exclusiva das empresas tradicionais do segmento.

Funciona como os serviços de streaming que conhecemos, mas com uma diferença: a Netflix, por exemplo, demora segundos antes do play para “pré-carregar” o filme, já que o arquivo processado é sempre o mesmo. No game, não. Ele depende dos comandos dados pelo jogador para renderizar em tempo real uma cena. No caso dos jogos online, ainda envolve muitos jogadores. Atrasos no processo (o famoso lag) podem inviabilizar a partida. 

De forma  resumida, esse é o motivo pelo qual estamos há mais de 10 anos aguardando um serviço de qualidade para jogar na nuvem e o porquê do XBox Cloud Gaming aberto a todos significa que chegamos lá – pelo menos quem tem uma boa internet! Eu testei: joguei Fortnite com outros 100 jogadores em um Google Chrome com 20 abas abertas e rolou bem. A assinatura do serviço, com mais de 100 títulos, é de R$ 5 por mês.

REVOLUÇÃO NA INDÚSTRIA

Além do Xbox, o GeForce Now também está disponível no Brasil, mas com acesso limitado. Há indícios de que, em breve, teremos Amazon Luna (que já opera nos EUA) utilizando a mesma conta do Prime Video. O que deixa claro, mais uma vez, que os próximos passos  serão dados  por empresas não-endêmicas. 

A inovação na experiência do usuário é evidente. Com o 5G, poderemos jogar games de última geração sem a necessidade de um PC gamer e sem precisar deletar apps para abrir espaço no smartphone. 

Com o 5G, poderemos jogar games de última geração sem a necessidade de um PC gamer.

Mas a revolução vai além da experiência e abrange a indústria como um todo. Há décadas vemos um modelo de gaming baseado em hardware e ele sofrerá um grande impacto.

Será que existirá espaço para um Playstation 6 ou ele será apenas um controle conectado na TV? E já num futuro próximo teremos players como a Netflix liderando a indústria dos jogos pela nuvem? E quando a Amazon vai integrar o Luna com o Prime Gaming e a Twitch? 

São várias questões a serem respondidas nos próximos capítulos dessa corrida. Mas uma coisa é certa: em breve teremos cloud gaming como uma categoria à parte no share de plataformas, com usuários migrando dos caros PCs e consoles, e até do mobile, dado aos títulos AAA exclusivos das plataformas que estarão na nuvem.

Outro fenômeno relevante serão os usuários “não-gamers” que, depois de assistirem a uma série, serão convidados a jogá-la, potencializando ainda mais o crescimento da indústria. 


SOBRE O AUTOR

Chief Creative Officer da 3C Gaming, Paulo Aguiar tem 15 anos de experiência liderando times e projetos criativos, muitos deles em mai... saiba mais