Recentemente a Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção, realizou uma pesquisa com 2.120 pessoas com idade entre 18 e 26 anos para entender seus anseios na carreira.

Destaco os seguintes pontos:

61% relataram a importância de se ter e desenvolver foco para a solução de problemas.

Sabemos que o modelo educacional hoje ainda continua sendo do século XVIII. Na pandemia, os professores tiveram que exaustivamente se adaptar à transformação digital. Além disso, a parte prática do aprendizado ainda é uma lacuna presente em muitas escolas.

“Quantas vezes o jovem aprendiz e o estagiário precisam ser colocados para fazer algo que os seus superiores detestam fazer? Como a sua empresa tem auxiliado no processo de desenvolvimento de novas lideranças?”

Quando os jovens — eu poderia estar entre eles, porque tenho 26 anos — entrevistados para a pesquisa relatam a importância de focar em resolver problemas, estão falando de praticar, colocar a mão na massa e aprender enquanto fazem.

Uma das formas que encontrei para fazer isso acontecer foi por meio de sugestões e direcionamentos de conteúdos numa sequência prática, para que tenham acesso às ferramentas e métodos que possam utilizar na vida real. Após a conclusão dos conteúdos expositivos, os participantes recebem um problema real para ser resolvido. E esse ciclo se tornou uma prática constante em tudo que venho fazendo quando o assunto é levar educação para o mundo do trabalho e o mundo do trabalho para educação.

47% disseram estar muito interessados em desenvolver habilidades de liderança e assumir um papel estratégico nos próximos 5 anos.

Quantas vezes o jovem aprendiz e o estagiário precisam ser colocados para fazer algo que os seus superiores detestam fazer? Como a sua empresa tem auxiliado no processo de desenvolvimento de novas lideranças? Ou não é do interesse da organização? Tudo bem se não for. Mas não dá para tapar o sol com a peneira em pleno século XXI, em 2021, no meio de uma pandemia.

Ficamos tão presos na corrida por formar novos programadores que esquecemos que o mercado de trabalho contrata por habilidades técnicas, mas demitem por habilidades sociais e cognitivas. Sua empresa, muito provavelmente, já fez isso.

76% disseram que consideram altamente importante desenvolver as habilidades sociais, aprimorar a rede de relacionamentos e dominar as ferramentas de trânsito social.

A maioria dos grandes profissionais sabe da importância de fazer conexões valiosas, o famoso networking. Mas ninguém ensina. Quer dizer, poucas pessoas ensinam, e eu me incluo nesta roda.

Para qualquer ser humano acelerar seus aprendizados sobre qualquer tema, é necessário a troca e compartilhamento com o outro. Assim, pode garantir até 70% do aprendizado, de acordo com William Glasser, que aplicou sua teoria da escolha para a educação.

O que quero dizer com tudo isso é: não ignorem as habilidades sociais. As técnicas são importantes, mas as socais que irão garantir a presença e a motivação de cada talento. Além disso, invistam em uma educação para o mundo do trabalho e levem o mundo do trabalho para educação.

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE A AUTORA

Monique Evelle é empresária, ativista, criadora do Desabafo Social e sócia da Sharp.