Alimentado pela crescente conscientização, ao longo da pandemia de Covid-19, sobre as necessidades de saúde das mulheres, o mercado global de femtech movimentará US$ 50 bilhões em 2025, segundo estimativas da Frost & Sullivan.

A aceleração dessa indústria será gigantesca, já que em 2019 a receita global do mesmo segmento foi de apenas US$ 820 milhões, de acordo com a PitchBook.

Esse crescimento será impulsionado pelo crescimento exponencial de produtos e serviços voltados para a saúde feminina somados a novas tecnologias, como inteligência artificial e machine learning.

A ORIGEM DO TERMO

O termo femtech (female technology) foi apresentado pela primeira vez por Ida Tin, escritora, empreendedora e fundadora do Clue, aplicativo de rastreamento de ovulação criado em 2013. A ideia surgiu quatro anos antes, enquanto Ida segurava seu celular em uma das mãos e um pequeno dispositivo para medir a sua temperatura na outra. Unir ambos para monitorar seus dias de fertilidade era um desejo pessoal que se transformou em um negócio.

“Mulheres consomem três vezes mais produtos e serviços relacionados à saúde do que os homens”

Desde então, a palavra femtech tem sido utilizada para definir ferramentas que utilizam soluções de tecnologia para melhorar a saúde das mulheres em diversas áreas, como gestação, menstruação, fertilidade, etc.

Atualmente, os aplicativos de celular que monitoram a fertilidade e a gravidez representam mais de 50% do mercado das femtechs, mas outras soluções voltadas para o universo feminino também chegaram ao mercado. As menotechs, por exemplo, visam melhorar o estilo de vida das mulheres que passam pela menopausa.

O TAMANHO DA OPORTUNIDADE

As mulheres representam metade da população do planeta e consomem três vezes mais produtos e serviços relacionados à saúde do que os homens.

Ainda assim, as empresas de tecnologia que atendem às suas necessidades específicas de saúde e bem-estar compõem uma parcela muito pequena do mercado global de healthtechs (apenas 3% dos investimentos em digital health nos EUA desde 2011, de acordo com a Rock Health).

Ainda, segundo estudo da Frost & Sullivan:

· 90% das decisões sobre cuidados primários de saúde para famílias são tomadas por mulheres;

· 80% dos gastos familiares com saúde são feitos por mulheres;

“A última edição do Inside Healthtech Report aponta que hoje já são 23 startups no Brasil focadas na saúde e bem-estar da mulher”

· Mulheres que trabalham gastam 29% mais per capta em saúde em comparação com homens no mesmo grupo;

· Mulheres representam 50% dos clientes globais de saúde e são prestadoras de cuidados primários para idosos e crianças;

· Mulheres são 75% mais propensas a usar ferramentas digitais para cuidados de saúde do que os homens.

O CENÁRIO BRASILEIRO

Segundo o mesmo estudo da Frost & Sullivan, o mercado potencial de femtech do Brasil já está avaliado em cerca de US$ 5,8 bilhões.

A última edição do Inside Healthtech Report aponta que hoje já são 23 startups no Brasil focadas na saúde e bem-estar da mulher, oferecendo soluções como acompanhamento do ciclo menstrual e fertilidade, menopausa, gravidez e amamentação, entre outros serviços.

Uma das mais conhecidas é a Oya Care, que se auto-denomina a primeira clínica virtual de saúde feminina no Brasil. Logo em sua primeira rodada de captação, a startup levantou US$ 800 mil.

O FUTURO DAS FEMTECHS

Vários aspectos ajudaram a impulsionar a agenda femtech e continuarão exercendo um papel chave no futuro deste segmento: mais mulheres estão assumindo cargos de liderança em empresas de tecnologia, a ampliação do foco para além de questões da idade reprodutiva e mais capital migrando para este setor.

Além disso, aceleradoras dedicadas às femtechs foram lançadas em todo o mundo durante os últimos dois anos, todas oferecendo uma combinação de networking, mentoria e apresentações para investidores em potencial.

Nos EUA, a agenda vem sendo ampliada com ofertas que vão além dos cuidados com saúde. Inúmeras soluções que se aproximam mais do universo cosmético, como depilação a laser e dispositivos para acelerar o crescimento capilar, aparecem nos feeds como opções seguras, simples e que cabem no bolso das consumidoras.

Estamos diante de uma revolução que vai se desenrolar de forma muito acelerada na nossa sociedade e eu, como consumidora, já comecei a usufruir disso 😉

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE A AUTORA

Adriana Knackfuss é head de Integrated Marketing Experiences (IMX) da Coca-Cola para a América Latina. Designer de formação, ingressou na The Coca-Cola Company em 2007. Foi líder de comunicação e marketing no Brasil, VP de transformação digital no Brasil e na América Latina e líder global do portfólio de marcas de sabores na matriz da empresa, em Atlanta (EUA).