SXSW 2024: da negociação de conteúdo à inteligência artificial
Quando trabalhei para o World Wide Web Consortium, fundado pelo inventor da web, Tim Berners Lee, uma das coisas que mais me fascinava era o conceito de "conneg" ou "content negotiation" entre navegadores.
A negociação de conteúdo no HTTP, documentada na RFC 7231, é o processo de determinar a melhor maneira de compartilhar informações entre um servidor e o dispositivo do usuário.
Quando um servidor envia dados – como uma mensagem de sucesso ou erro –, pode apresentá-los em formatos ou idiomas diferentes. A negociação de conteúdo escolhe o melhor jeito de compartilhar essas informações com base nas preferências do dispositivo do usuário.
Quem faz essa escolha é o que chamamos de "user agent", que é o software ou dispositivo utilizado pelo usuário para interagir com a web – browsers, aplicativos de cliente HTTP ou outros agentes que realizam solicitações HTTP em nome do usuário, por exemplo.
O "user agent" expressa suas preferências, capacidades e características através de código (e vou parar com o tecniquês), decidindo o que fazer com os dados dos usuários desde que a web começou a ser utilizada para navegar na internet.
a privacidade tende a permitir que as pessoas controlem com quem compartilham suas opiniões e com quem se associam politicamente.
A diferença de lá para cá é que, apesar do mainstream ter trazido os conceitos de inteligência artificial para o dia-a-dia, a opacidade sobre o uso dos dados das pessoas só aumentou, dada a complexidade do ecossistema.
Vou falar sobre isso e outros assuntos em um dos maiores eventos de inovação do mundo, o South by Southwest. Vou também acompanhar outras palestras e workshops que considero relacionados à evolução dessa complexidade para um mundo melhor, onde as pessoas tenham o controle sobre seus dados e possam entender como funcionam as tecnologias que ocupam nossa vida.
Se no ano passado fiquei focada em discussões sobre privacidade e cibersegurança, em 2024 vou acompanhar temas mais laterais ao meu tema da privacidade.
A primeira atividade que estarei de olho é a apresentação da drag queen de Austin Brigitte Bandit, que vai falar sobre como ela utilizou a Primeira Emenda (da Constituição dos EUA) para contestar limitações da sua expressão e sobre como a liberdade está no cerne de suas performances.
Esse assunto é importante porque a privacidade tende a permitir que as pessoas controlem com quem compartilham suas opiniões e com quem se associam politicamente, duas atividades essenciais para a democracia. Também está na agenda a palestra da dra. Joy Buolamwini que, além de PhD em inteligência artificial pelo MIT, deve falar sobre um tema muito parecido com o meu.
Em sua palestra, ela vai compartilhar suas visões e expertise sobre como preservar a humanidade em meio à crescente popularidade da inteligência artificial a partir do controle dos nossos dados.
Acredito que seus insights serão muito valiosos para compreendermos os desafios e oportunidades que a inteligência artificial apresenta para o nosso mundo.
Essas duas palestras são a minha seleção inicial. Mas, como são 10 dias de evento, tenho certeza de que poderei acompanhar muitas outras atividades interessantes por lá. Prometo trazer tudo nas próximas colunas!