Estes são alguns aprendizados arrecadados em 15 anos de vitórias e tombos que se aplicam a qualquer área de trabalho:

  • Resolva problemas

Não importa se você quer um emprego, uma promoção, ou abrir seu próprio negócio: o primeiro passo é identificar um grande problema.

No final do meu primeiro estágio nos Estados Unidos, dependia de uma oferta de trabalho para poder conseguir o visto que me permitiria ficar no país. As coisas não estavam super promissoras: havia muitos candidatos e estagiários que não precisavam de patrocínio de visto e, ainda por cima, minha chefe tinha acabado de tirar uma licença para livrar-se de seu vício em heroína. Juro que isso não é ficção. Minha saída? Montei uma apresentação meia-boca identificando um problema na empresa  e explicando por que eu era a pessoa perfeita para resolvê-lo. Funcionou.

Alguns anos depois, fui despedida da Tumblr e mais uma vez achei que estava no fundo do poço. Percebi, no entanto, que talvez o problema que a Tumblr  havia me contratado para resolver era a dor de muitas outras startups de tecnologia: a América Latina parecia ser um mercado realmente promissor, mas difícil demais para gringos. Então, abri uma mini agência que prometia solucionar esse problema, e foi assim que acabei trabalhando com muitas outras startups americanas, incluindo a Duolingo. 

Já na Duolingo, no meu terceiro ano, me pediram para liderar uma equipe de produto. De forma alguma eu poderia criar produtos melhor do que os engenheiros e designers brilhantes na equipe, mas tornei-me útil mantendo reuniões 1-1 com cada um, toda semana, para identificar e remover quaisquer barreiras de seus caminhos e permitir que fizessem o melhor trabalho possível.

Hoje, estou 100% focada em ajudar startups e o passo número um para qualquer startup de sucesso é o mesmo: identificar um grande problema. 

Muita gente que cria startups foca em soluções: vou criar um app que faz XYZ. Mas startups de sucesso seguem uma mesma regra: identificam um grande problema e se dedicam a solucioná-lo.

A moral dessa história é: não perca tempo esperando oportunidades. Encontre problemas a serem resolvidos e torne-se super valioso(a).

  • Ganhe dinheiro aprendendo

Eu me formei em filosofia, não fiz nenhum mestrado e não sabia usar Excel quando comecei minha carreira, mas de alguma forma consegui me tornar uma profissional razoavelmente reconhecida.

Embora diplomas possam acelerar e organizar o seu processo de aprendizado, geralmente são muito caros. Eu tive a sorte de dar a cara pra bater fazendo trabalhos para os quais eu não era qualificada [em tese], mas fui aprendendo trabalhando. Procurei muita coisa no Google, aprendi com meus colegas, descobri recursos e fui remunerada enquanto aprendia. Amo estudar e sinto FOMO de não ter me especializado, mas acredito que esse foi (e continua sendo) um grande hack na minha carreira.

Com exceção de algumas carreiras muito especializadas, como por exemplo medicina ou engenharia, uma das melhores formas de aprender é na prática. Isso é particularmente verdadeiro hoje, já que vivemos numa época de rápidas evoluções por conta das tecnologias digitais, e o que se aprende na teoria pode ter uma validade relativamente limitada.

A maior parte da minha carreira incluiu trabalhos que eu nunca poderia ter pensado em aprender formalmente porque eles sequer existiriam. “Growth,” por exemplo, não existia até depois que me formei e hoje o que mais se procura em startups são profissionais de growth (depois de engenheiros, claro).

Aprenda a confiar em sua capacidade de aprender e busque oportunidades que maximizem o quanto você poderá aprender. Independentemente do que vier a acontecer com o resultado de qualquer emprego, você sempre levará esse conhecimento com você.

  • Faça networking toda semana.

Eu nunca consegui um emprego me candidatando para uma vaga disponível. Nunca. Todas as oportunidades chegaram em mim porque conheci alguém ao longo do caminho. 

Quem define novas vagas numa empresa? Pessoas. Quem decide que candidato contratar? Pessoas. Quem abre novas empresas? Pessoas. Já deu pra entender, né? Por trás de tudo, existem pessoas! E talvez os astros ou Deus, sei lá, mas com certeza existem pessoas. Se alguém reconhecer seu nome no inbox ou num formulário, ou se você for indicado por um conhecido, suas chances de conseguir o que quer tornam-se exponencialmente mais altas.

Eu sei o que você está pensando — networking dá dor de barriga. Em vez de se imaginar em algum auditório sombrio distribuindo cartões de visita para pessoas que medem seu valor pelo seu crachá, pra mim, networking simplesmente quer dizer se interessar por outras pessoas e se preocupar em criar conexões de verdade. Quer dar um passo adiante? Ajude alguém. Apresente pessoas. Recomende um livro. Faça um convite.

Consegui meu primeiro estágio porque mandei mensagens para desconhecidos no LinkedIn (já tinha me inscrito em 100 oportunidades e recebi quase zero respostas!). Fui contratada pelo Tumblr porque tomei um café com um cara que, meses depois, precisava da ajuda de um brasileiro e eu era a única que ele conhecia. 

Quando uma pequena startup chamada Duolingo entrou em contato comigo um ano depois disso, foi porque a chefe de marketing conhecia alguém com quem eu havia trabalhado no Tumblr e entrou em contato com ele para saber como o Tumblr havia crescido no Brasil.

Essa regra não se aplica apenas para obter oportunidades, mas também para ter sucesso. Muito do que consegui para Duolingo e Tumblr foi porque priorizei tomar café com jornalistas e outros players no ecossistema sem um propósito formal.

Fiz pelo menos uma reunião introdutória a cada semana, em média, nos últimos 10 anos, e recomendo que você considere uma cadência constante.

É isso! Tenho alguns outros aprendizados que compartilharei futuramente, se esse texto for útil para leitores da Fast Company Brasil. 

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE A AUTORA

Gina Gotthilf é empreendedora e cofundadora da Latitud.com