“Pessoal, bom dia. Infelizmente não vou conseguir ir hoje. Tenho uma reunião na varanda, logo depois vou até o banheiro, tenho outra reunião lá. Em seguida devo chegar na sala e ficar umas duas, três horas na sala. E tenho outro bate-papo na cozinha”.

É bem provável que você tenha recebido esse áudio no WhatsApp durante os primeiros meses da pandemia, no ano passado. Aliás, é bem possível que você tenha passado a receber muito mais mensagens – pessoais e profissionais – no WhatsApp desde então.

“Uma pessoa utiliza, em média, 28 aplicativos para realizar tarefas básicas e passam de um app ao outro até 10 vezes por dia”

Longe de ser fake news, o áudio descreveu com bom-humor a rotina de muitos no home office: pular de call em call. E, entre as calls, responder e-mails, preencher planilhas, pesquisar algo no Google, acessar as redes sociais, buscar entretenimento nos serviços de streaming. Tudo dentro de casa, no máximo mudando de um cômodo para o outro.

Essa exposição diária às ferramentas online e que, diante das circunstâncias, torna-se excessiva, gera cansaço e perda de produtividade: o chamado App Fatigue.

De acordo com a RingCentral, uma pessoa utiliza, em média, 28 aplicativos para realizar tarefas básicas e passam de um app ao outro até 10 vezes por dia. Isso significa perder até 32 dias navegando entre essas plataformas.

“Os profissionais gastam, em média, 36% de seu dia buscando e consolidando informações e em 44% das vezes não conseguem encontrá-las”

E um whitepaper do IDC, realizado a pedido da Coveo e Lexalytics, aponta que 90% de toda informação digital está desestruturada e contida em uma variedade de formatos, localidades e aplicações que não se comunicam entre si. Por isso, as pessoas acabam utilizando diversos sistemas para encontrar e organizar dados.

Isto leva a desperdício de tempo: os profissionais gastam, em média, 36% de seu dia buscando e consolidando informações e em 44% das vezes não conseguem encontrá-las. Isso resulta em custos financeiros para as empresas: com base nos trabalhadores que recebem salários anuais de US$ 80 mil e trabalham em média 41,8 horas por semana, o tempo perdido na busca de informações é de US$ 5.700 por profissional ao ano, ainda segundo o IDC.

(Crédito: Monday.com)

“O software muitas vezes deveria empoderar o negócio, mas muitas vezes limita, causando silos organizacionais, faltas de usabilidade e baixa adesão”, afirma Brunno Santos, diretor de canais da Monday.com no Brasil.

A empresa israelense – que fez sua estreia na Nasdaq sob o ticker MNDY nesta quinta-feira, 10, e planeja vender 3,7 milhões de ações a US$ 155 cada – é uma plataforma na nuvem que pretende, por meio da automação, unificar o fluxo de informações das empresas e, consequentemente, combater o App Fatigue.

De acordo com Santos, mesmo as empresas que têm sido bem-sucedidas na digitalização de seus produtos e serviços, muitas vezes ainda gerenciam fluxos de trabalho de forma manual. “Além de ser um trabalho repetitivo, cria-se a possibilidade do erro humano, o que é normal por ser uma carga muito alta. Um dos grandes desafios dos softwares é que são estruturas rígidas e que endereçam desafios específicos. Com isso, a informação não flui”, comenta.

(Crédito: Monday.com)

A aposta da Monday.com é que, com a democratização do software, as empresas ganhem agilidade no negócio por meio da análise das informações e do trabalho colaborativo. Com API aberto, a plataforma possui integração com empresas como Google Ads, Slack, Outlook, Microsoft Teams, Salesforce e Zoom – os braços de investimentos destas duas últimas estão comprando US$ 75 milhões em ações ordinárias da empresa.

Na prática, a camada low code da plataforma permite que as empresas customizem seus dashboards de acordo com suas necessidades. A empresa afirma que de março de 2020 a março de 2021 contribuiu para a eliminação de mais de 800 milhões de processos repetitivos e manuais.

No Brasil, Santos observa que a automação do gerenciamento de negócios é uma das mais populares entre as empresas. Hoje, iFood, BTG Pactual, Uol e Riachuelo estão entre os clientes nacionais. O país está entre os dez principais mercados para a empresa.

Para o pós-pandemia, considerando os desafios da volta aos escritórios e possíveis modelos híbridos, as empresas precisarão quebrar silos organizacionais, integrar plataformas e garantir agilidade nas decisões de negócio.

“Existe um paradigma entre fácil usabilidade e uso complexo das plataformas. Quando o software é de fácil usabilidade, não endereça um desafio complexo e vice-versa. As plataformas precisam dar autonomia aos colaboradores e às empresas”, diz Santos.

SOBRE A AUTORA

Isabella Lessa é redatora-chefe da Fast Company Brasil.