Estrategista de criatividade, Natalie Nixon é autora do livro The Creativity Leap: Unleash Curiosity, Improvisation, and Intuition at Work (O pulo da criatividade: desbloqueie curiosidade, improviso, e intuição no trabalho, em tradução livre), premiado na edição deste ano do Fast Company World Changing Ideas. Ela é PhD em gestão de design, palestrante do TEDx talk, e conversou com Doreen Lorenzo para Designing Women, uma série de entrevistas com mulheres brilhantes na indústria do design.

Natalie Nixon (Crédito: Sahar Coston-Hardy)

Fast Company: Quando você percebeu que se interessava por design?

Natalie Nixon: Acho que o meu interesse pelo design vem da minha mãe. Ela e as mulheres da minha família são muito talentosas com costura, tricô e tecelagem. Aprendi a costurar aos 10 anos e sempre foi uma arte funcional para mim. É assim que vejo o design até hoje.

FC: Como isso influenciou sua educação e carreira?

Natalie: Fui para Vassar e acabei me formando com dupla especialização em antropologia e estudos africanos. Olhando para trás, acho que os estudos africanos foram o meu primeiro contato com design de sistemas. Nós analisávamos o povo da diáspora africana através das lentes da economia, ciência política, sociologia e história, então aprendi que mudar uma parte de um sistema causa um efeito cascata em todas as outras áreas. No caso dos estudos africanos, todos esses atores e enredos diferentes faziam parte de um sistema denominado cultura. Isso me deu ferramentas para trazer uma abordagem muito integrativa ao meu trabalho.

FC: O que você decidiu fazer depois de terminar o doutorado?

Natalie: Concluir um doutorado em gestão de design foi como respirar ar fresco. Realmente me inspirou a criar e lançar o programa de MBA em Design Estratégico, um programa executivo que integra estratégia, liderança, operações financeiras e branding ao design thinking. Dois anos depois de lançar aquele programa, dei uma palestra TEDx e recebi diversos convites para assessorar empresas. Todos esses trabalhos divertidos de consultoria me levaram a criar o Figure 8 Thinking. Tudo começou como um movimento paralelo, um repositório para minha prática. Então percebi que estava me divertindo mais com esses projetos paralelos do que na academia. Nunca segui um planejamento de cinco anos. Cada vez que fiz uma transição, me afastei de onde estava para tomar uma nova direção, e ouvir a minha intuição. Eu acredito realmente que quando amamos o que fazemos, trazemos um nível de alegria e inspiração para o nosso trabalho. Ninguém precisa nos dizer para trabalhar mais, ficar até mais tarde ou acordar mais cedo.

“Perguntar “e se?”, ser audacioso, pausar e encorajar a curiosidade tem tudo a ver com maravilhar-se”

FC: Conte-nos sobre seu livro premiado, The Creativity Leap.

Natalie: Durante o processo de criação da Figure 8 Thinking, eu ministrava muitas palestras e no final, as pessoas costumavam perguntar onde poderiam ler mais sobre o que tinham acabado de ouvir. Sou colunista da Inc., poderia recomendar algum dos meus textos já publicados, mas percebi que não havia um espaço central com a curadoria das minhas ideias. Rapidamente decidi que precisava escrever e produzir meu capital intelectual. Então escrevi The Creativity Leap.

Quis oferecer às pessoas uma maneira simples e acessível para pensar sobre criatividade. Em muitas das consultorias que era convidada a fornecer, os clientes precisavam de ajuda para construir uma cultura de inovação, mas no meu ponto de vista, eles queriam começar do lugar errado. Disseminavam muito a palavra “i” — inovação — e há um desafio nisso. Se aconselho e recomendo que comecem pela criatividade, existe um pouco de resistência porque as pessoas não entendem o que é, de fato, criatividade e acabam setorizando-a como algo específico para arte e artistas. A maneira como defino criatividade é alternar entre reflexão e rigor para resolver problemas. Perguntar “e se?”, ser audacioso, pausar e encorajar a curiosidade tem tudo a ver com maravilhar-se. Disciplina, tempo na tarefa e foco são o rigor. Criatividade não é fazer tudo que você imagina — ela requer reflexão e rigor.

Minha esperança é que o livro ajude profissionais e empresas a perceber que, se existe a intenção de alternar entre admiração e rigor para resolver problemas, para produzir novos valores em escala, isso é ser criativo.

“Os líderes mais bem-sucedidos abraçam e falam abertamente sobre o papel da intuição na construção da estratégia”

FC: Como fazer com que as pessoas entendam as nuances da criatividade e a transformem em algo tangível?

Natalie: Para isso, desenvolvi a estrutura 3i Creativity: investigação, improviso e intuição. Entrevistei mais de 50 pessoas de setores e profissões realmente diversos para escrever o livro, e descobri com dados consistentes que todas elas incorporaram intuição na hora de tomar decisões. Os líderes mais bem-sucedidos abraçam e falam abertamente sobre o papel da intuição na construção da estratégia. A investigação é sobre fazer perguntas novas, melhores e diferentes. Infelizmente, grande parte de nosso sistema educacional apenas equipara a curiosidade à ignorância. Mas fazer perguntas claramente leva à descoberta, exploração e experimentação. Por último, o improviso é sobre estar tão enraizado no presente, que você é capaz de se adaptar e entrar de cabeça no desenvolvimento.

Na consultoria de empresas, gosto de começar ouvindo mais sobre o estado atual dos negócios e foco em três domínios: pessoas, processos e tempo. Não é possível projetar um futuro audacioso se não tivermos consciência de onde estamos. Mudar de mindset, leva a mudanças de comportamento, o que acaba levando a uma mudança cultural. Algumas organizações ainda são um pouco míopes em termos do que entendem sobre o ambiente externo, e isso geralmente ocorre porque não estão praticando o pensamento lateral o suficiente. Eles não são curiosos o suficiente para explorar empresas do setor adjacente e descobrir o que pode ser aprendido com elas. Meu objetivo é equipá-los com a capacidade de começar a olhar para fontes muito diferentes de inspiração e aprendizagem. Na verdade, incentivo o pensamento em questões, o que considero muito libertador. Não é apenas um exercício; é uma nova maneira de pensar, que dá às pessoas permissão para perguntar “E se?”

FC: Que conselho você daria para os jovens e criativos que desejam entrar neste campo?

Natalie: O título do meu conselho é “Siga seu coração!” No entanto, o subtítulo abaixo deve alertar sobre o quão assustador é seguir seu coração. Sempre acho que se você está apavorado e animado, em partes iguais, deve aproveitar a oportunidade. Seu terror o aterrará, mas a alegria o manterá otimista e sonhando. Curiosidade significa ceder o controle de seu próprio caminho e intuição é sobre bravura antes da maestria.

SOBRE A AUTORA

Doreen Lorenzo é diretora assistente da School of Design and Creative Technologies e diretora e fundadora do Center for Integrated Design, ambos na Universidade do Texas, em Austin.