Instagram quer virar YouTube? Rede testa vídeos de até 90 minutos
Com o novo formato Features, a rede social aposta em vídeos longos e horizontais, que poderão ser acessados a partir dos Reels e assistidos até na televisão.

O Instagram acaba de anunciar uma novidade que lembra bastante o YouTube.
Em um vídeo publicado nesta semana, a empresa apresentou o Features, seu novo formato de conteúdo: vídeos de mais de uma hora e na horizontal. Segundo Adam Mosseri, diretor do Instagram, e Tessa Lyons, vice-presidente de produto, essa é a primeira grande aposta da plataforma neste segmento.
A novidade permitirá que criadores publiquem vídeos de até 90 minutos, um salto considerável em relação ao limite anterior de 20 minutos para vídeos verticais no Reels. Mosseri prevê que o Features comece a ser disponibilizado para um grupo limitado de usuários ainda em outubro, com uma expansão gradual nos meses seguintes.
“O Instagram existe para conectar pessoas por meio da criatividade. E criatividade é muito mais do que vídeos curtos, publicações ou carrosséis”, afirma Lyons no anúncio. “Quando observamos como os criadores contam histórias hoje, vemos uma variedade incrível de formatos.”
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Mosseri, que trabalhou por 18 anos no Facebook antes de assumir o comando do Instagram, em 2018, resistiu durante muito tempo à ideia de incorporar vídeos longos à plataforma. Agora, porém, ele e Lyons acreditam que oferecer esse formato é a melhor maneira de acompanhar as necessidades dos criadores.
COMO FUNCIONA O FEATURES DO INSTAGRAM?
Segundo o vídeo de apresentação, uma das principais condições impostas por Mosseri para incorporar o Features ao aplicativo era garantir que ele funcionasse de maneira “simbiótica” com os conteúdos curtos já existentes. Esse princípio orientou a forma como os novos vídeos serão apresentados aos usuários.
Mosseri explica que sua equipe percebeu um comportamento recorrente entre os criadores: muitos utilizavam os Reels para divulgar pequenos trechos de vídeos longos publicados em outras plataformas.
Com o Features, esses profissionais poderão publicar o vídeo completo no próprio Instagram e criar até oito Reels com links diretos para o conteúdo original. A ideia é estabelecer uma transição natural entre os formatos curtos e longos.

“Uma das coisas que já estamos começando a observar durante os testes desses diferentes produtos é que as pessoas podem descobrir um vídeo longo de que gostam ao assistir a um Reel com um trecho desse conteúdo”, afirma Lyons.
Em entrevista ao podcast The Colin and Samir Show, Mosseri explicou que os usuários poderão encontrar os vídeos do Features tanto pelos links publicados nos Reels quanto pela página Explorar.
Os vídeos também passarão a integrar a oferta principal do Instagram para TV, lançado no ano passado para permitir que as pessoas assistam aos Reels na tela grande, acompanhadas de amigos.
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Mosseri e Lyons imaginam o novo formato como uma maneira de transformar o Instagram em uma plataforma capaz de acompanhar os usuários em diferentes momentos.

Os Reels e as publicações seriam os conteúdos rápidos, consumidos como pequenos lanches ao longo do dia. Já os vídeos do Features funcionariam como uma refeição completa, para assistir com mais calma, seja pelo celular ou pela televisão.
POR QUE O INSTAGRAM QUER FICAR MAIS PARECIDO COM O YOUTUBE?
Quando os vídeos do Features começarem a aparecer nos feeds, a primeira impressão de muitos usuários provavelmente será a de estar diante de uma mistura de Instagram com YouTube.
E não é difícil entender o motivo. O YouTube domina o mercado de vídeos longos na internet.
Em uma entrevista concedida à Fast Company em julho, a plataforma revelou que já hospeda mais de 20 bilhões de vídeos e reúne “bilhões” de usuários conectados todos os meses.
Em 2025, a Alphabet, controladora do YouTube, informou que a plataforma havia gerado mais de US$ 60 bilhões em receitas de publicidade e assinaturas. O valor superou o faturamento da Netflix em quase US$ 15 bilhões.
Somente entre abril e junho de 2026, os anúncios no YouTube renderam mais de US$ 11 bilhões à Alphabet, um crescimento de 13% em comparação com o mesmo período de 2025.
Os números mostram como os vídeos longos do YouTube se tornaram um negócio extremamente lucrativo para os anunciantes. Não surpreende, portanto, que o Instagram queira conquistar uma parcela desse mercado.
“Os criadores querem contar suas histórias onde suas comunidades já estão”, afirmou um porta-voz do Instagram, em um e-mail enviado à Fast Company.
“As pessoas também estão se conectando por meio do entretenimento de novas maneiras: compartilhando o que assistem, vendo conteúdos juntas na tela grande e criando a partir daquilo que as inspira. Estamos reunindo essas experiências em um só lugar.”