O caminho do SEO para o GEO

De ajustes técnicos no site à reputação em plataformas de avaliação, quatro estratégias ajudam marcas a ganhar espaço nas respostas geradas por IA

como fazer sua marca aparecer nas respostas da IA
Créditos: Sumaid pal Singh Bakshi/ Unsplash/ Magnific

Anton Storzhuk 6 minutos de leitura
Favoritar no Google

Um bom produto e um site fácil de usar já foram suficientes para atrair clientes por meio das buscas. Hoje, porém, os potenciais clientes recorrem cada vez mais a assistentes de inteligência artificial para perguntar qual serviço escolher antes mesmo de abrir o Google. Se a marca não aparecer na resposta gerada pela IA, o cliente talvez nunca chegue ao site.

Um ano após o lançamento do AI Overviews, do Google, a proporção de buscas que terminam sem um único clique para um site passou de 56% para 69%. Uma pesquisa com profissionais de empresas B2B revelou que a IA já influencia 92% das listas de fornecedores pré-selecionados e 83% das decisões finais de compra de fornecedores.

O reconhecimento da marca é determinante para a pré-seleção em apenas 7% dos casos. Uma correspondência precisa com o que o cliente procura tem muito mais peso. A IA ainda favorece nomes consolidados em cada categoria, mas, em 93% dos casos, a precisão supera o reconhecimento da marca.

O que faz a diferença é o quanto uma marca corresponde à solicitação. Essa é a oportunidade para uma empresa menos conhecida superar um líder de mercado.

COMO A IA MUDOU AS REGRAS DAS BUSCAS

A otimização para mecanismos de busca (SEO, na sigla em inglês) e a otimização para mecanismos generativos (GEO, também na sigla em inglês) resolvem o mesmo problema de maneiras diferentes: como um algoritmo decide o que mostrar em resposta a uma consulta?

O SEO combinava palavras-chave, links e metatags de uma página para produzir uma lista de sites. Com o GEO, os sistemas de IA leem diversas fontes sobre um tema para gerar uma única resposta coerente.

Backlinks e menções à marca continuam importantes tanto para o SEO quanto para o GEO. O que mudou foi o critério usado pelo algoritmo para determinar o que é confiável. Antes de citar um fato, um assistente de IA o verifica em várias fontes independentes.

Antes, o volume era o critério mais importante: quanto mais backlinks levassem a um site, melhor seria sua posição. Isso tornava o sistema fácil de manipular por meio de esquemas de criação artificial de links.

Os sistemas de IA funcionam de outra maneira. O número de menções não é o que importa. O que conta é a autoridade das fontes em que essas menções aparecem e a consistência das informações. A IA não vai considerar confiável um site sustentado por mil backlinks, mas sem cobertura real na imprensa.

Leia mais: Como posicionar sua marca para a era da busca por inteligência artificial

Os dados confirmam isso: se você classificar 100 marcas pelo número de backlinks e, depois, pela visibilidade nas AI Overviews, as duas listas terão pouquíssimas marcas em comum. Se, em vez disso, classificá-las pelas menções em fontes independentes, as listas serão muito mais parecidas.

Como os assistentes de IA dependem do conteúdo e da consistência das menções, priorize as ações de GEO na ordem a seguir.

1. Descubra o que a IA já está dizendo sobre sua marca

Primeiro, faça a um assistente de IA as mesmas perguntas que um cliente faria e observe quais fontes ele cita. Uma verificação isolada não oferece uma visão completa, porque as respostas podem mudar diariamente, dependendo da maneira como você formula a mesma pergunta.

Para evitar o trabalho manual, uso o Brand24, que monitora automaticamente as menções às marcas nas respostas do ChatGPT, do Gemini e do Perplexity e mostra o share of voice em comparação com a dos concorrentes.

2. Torne seu site acessível aos robôs e coloque as respostas em destaque

Para conquistar citações da IA, duas condições precisam ser atendidas: os robôs devem ter acesso ao seu site e as informações essenciais precisam estar imediatamente visíveis.

Primeiro, nunca bloqueie robôs como GPTBot e ClaudeBot no arquivo robots.txt. Se um rastreador não conseguir acessar uma página, nada vai resolver o problema, nem mesmo a inclusão de marcação de dados estruturados. Segundo, 44,2% das citações vêm dos primeiros 30% de uma página. Por isso, os principais pontos devem aparecer no início.

Uso o Yoast SEO para verificar se as páginas do meu site atendem às duas condições. A ferramenta sinaliza se o rastreador está bloqueado e se a hierarquia dos títulos está correta. Para os links internos, uso o InLinks, que ajuda os sistemas de IA a encontrar mais rapidamente o conteúdo relevante do meu site.

Ilustração mostra um robô de inteligência artificial entre dois consumidores com carrinhos de compras.

3. Publique conteúdo regularmente na imprensa independente

Segundo a Muck Rack, 82% de todas as citações feitas por sistemas de IA vêm de mídia espontânea: cobertura independente, e não conteúdo produzido pela própria empresa.

Publicamos regularmente conteúdo sobre nossa empresa em veículos de comunicação relevantes. Como negociar individualmente com cada veículo exige tempo e os assistentes de IA não distinguem mídia espontânea de mídia paga, uso o PRNEWS e o Medialister.

Essas plataformas dão acesso a um conjunto de veículos de comunicação de uma só vez. Assim, conseguimos obter cobertura mais rapidamente do que por meio de negociações diretas.

4. Gerencie sua reputação nas plataformas de avaliação

Os assistentes de IA reproduzem avaliações literalmente. O ChatGPT, por exemplo, pode formular uma resposta da seguinte maneira: “A avaliação da empresa no Trustpilot é…”.

A IA também absorve o tom emocional das avaliações. Se uma marca tiver predominantemente comentários negativos, a resposta do modelo tenderá a ser negativa. O mesmo vale para avaliações positivas.

O volume e a atualidade das avaliações também importam. Um perfil com cinco comentários publicados há três anos é percebido de maneira diferente de outro que recebe atualizações frequentes e inclui respostas da empresa. Os assistentes de IA considerarão o segundo uma fonte mais confiável.

Por isso, peço aos clientes que publiquem avaliações no Trustpilot e no G2. Também monitoro menções à marca em comunidades relevantes no Reddit. Esse canal é menos previsível do que as plataformas especializadas em avaliações, mas uma recomendação espontânea por lá é um sinal importante para a IA.

Leia mais: O novo território das marcas quando o comprador é uma IA

Nenhuma dessas quatro etapas produz resultados isoladamente. Um site sem menções na imprensa não será citado pela IA. Menções sem avaliações não ajudarão a estabelecer o tom desejado.

POR QUE ESPERAR CUSTA MAIS

Nos resultados tradicionais do Google, os usuários percorriam 10 links e escolhiam um por conta própria. Em uma resposta gerada por IA, essa possibilidade não existe da mesma maneira, porque a ferramenta menciona apenas um pequeno grupo de marcas. A sua está ali ou não está.

Quanto mais ampla e consolidada for uma categoria, mais difícil será entrar nessa lista restrita partindo do zero. Uma empresa precisa definir seu nicho com precisão. Em vez de usar “CRM”, por exemplo, prefira “CRM para equipes de vendas B2B distribuídas”.

Certa vez, um cliente me contou que havia procurado no ChatGPT um sistema de gestão do relacionamento com clientes para sua equipe de vendas remota, sem sequer recorrer ao Google.

Apenas três marcas apareceram na resposta – e ele nem chegou a abrir os sites das demais empresas. As companhias que ficaram de fora perderam a oportunidade de fechar negócio antes mesmo de saber que aquele cliente existia.

Se você não está investindo em GEO, talvez já tenha perdido centenas de negócios.


SOBRE O AUTOR

Anton Storzhuk é CEO da Metria Software. saiba mais