Redes sociais fazem bem à democracia? Brasileiros acreditam nisso mais que a média global

Pesquisa do Pew mostra que 65% dos brasileiros veem impacto positivo das plataformas na democracia, acima da mediana global de 55%; ao mesmo tempo, maioria reconhece riscos de manipulação e polarização

Montagem de uma mão segurando um celular diante do Congresso Nacional, cercada por ícones vermelhos de curtidas, comentários e notificações.
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Isabella Lura 5 minutos de leitura
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Entre os dois turnos das eleições brasileiras, um novo levantamento mostra como o país avalia o papel das redes sociais na democracia: 65% dos brasileiros consideram que as plataformas tiveram um impacto positivo, dez pontos percentuais acima da mediana de 55% entre os 37 países pesquisados.

No Brasil, 29% consideram esse impacto negativo. A mediana entre os países é de 35%, segundo a pesquisa publicada pelo Pew Research Center em 1º de outubro.

A percepção brasileira chama ainda mais atenção quando comparada à de algumas das maiores economias do mundo. Nos Estados Unidos, 64% dos adultos dizem que as redes sociais fazem mal à democracia. A avaliação negativa chega a 70% na Holanda, 65% na França, 61% na Alemanha e 56% no Reino Unido.

Na América Latina, o cenário é diferente. A avaliação positiva chega a 69% no México, 65% no Brasil, 63% na Colômbia, 59% no Peru, 56% na Argentina e 51% no Chile. Pelo menos metade dos entrevistados em todos os países latino-americanos incluídos no levantamento considera positivo o impacto das redes sociais sobre a democracia.

Gráfico compara avaliações positivas e negativas das redes sociais na democracia. No Brasil, 65% veem impacto positivo e 29%, negativo; as medianas de 37 países são 55% e 35%.
No Brasil, 65% avaliam positivamente o impacto das redes sociais na democracia, acima da mediana de 55% entre os 37 países pesquisados. Crédito: Pew Research Center

O levantamento ouviu 42.151 pessoas em 36 países, incluindo o Brasil, entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026. Os dados dos Estados Unidos vêm de pesquisas separadas realizadas no mesmo ano.

A avaliação positiva dos brasileiros convive, porém, com uma percepção forte dos problemas associados às plataformas: 78% dizem que internet e redes sociais facilitaram a manipulação das pessoas por meio de informações falsas e rumores.

MAIS INFORMAÇÃO, MAIS VOZ — E MAIS MANIPULAÇÃO

No Brasil, 73% dos entrevistados afirmam que o acesso à internet e às redes sociais tornou as pessoas mais informadas sobre acontecimentos atuais.

Ao mesmo tempo, 78% dizem que essas tecnologias facilitaram a manipulação por meio de informações falsas e rumores.

A combinação se repete em outros indicadores: 60% dos brasileiros dizem que internet e redes sociais aumentaram a possibilidade de as pessoas terem uma voz significativa na política, enquanto 64% afirmam que elas deixaram a população mais dividida em suas opiniões políticas.

Enxergar as redes sociais como positivas para a democracia, portanto, pode conviver com o reconhecimento de seus riscos.

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Essa combinação também aparece fora do Brasil. Na mediana dos 37 países, 77% dizem que internet e redes sociais deixaram as pessoas mais informadas e 60% afirmam que elas deram mais voz política aos cidadãos. Ao mesmo tempo, 79% dizem que facilitaram a manipulação e 68% veem aumento da divisão política.

Gráfico compara quatro efeitos da internet e das redes sociais em 37 países. No Brasil: mais informação, 73%; mais voz política, 60%; maior facilidade de manipulação, 78%; mais divisão política, 64%.
No Brasil, mais informação e voz política convivem com a percepção de maior facilidade de manipulação e divisão política. Crédito: Pew Research Center

Essa ambiguidade também aparece nas respostas individuais. Em 29 dos 37 países, pelo menos um terço dos adultos afirma que as redes produzem simultaneamente os quatro efeitos investigados pelo Pew: mais informação, mais voz política, maior facilidade de manipulação e mais divisão.

PAÍSES MAIS RICOS VEEM AS REDES COM MAIS DESCONFIANÇA

A comparação entre os países revela outro padrão. As avaliações mais negativas se concentram nas economias de renda mais alta.

Os sete países em que pelo menos metade da população afirma que as redes sociais fazem mal à democracia estão entre os mais ricos pesquisados: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos.

Nos países de renda média, a percepção tende a ser mais positiva. Em Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, aproximadamente três em cada quatro entrevistados ou mais afirmam que as redes sociais tiveram um impacto positivo sobre a democracia.

Mesmo assim, a avaliação negativa está crescendo. Entre os 26 países para os quais o Pew possui dados comparáveis de 2022 ou 2023, 16 registraram aumento significativo na parcela da população que considera as redes sociais ruins para a democracia.

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Nos Estados Unidos, a percepção praticamente não mudou: 64% dos americanos já consideravam as redes sociais prejudiciais à democracia em 2022, mesmo percentual registrado agora.

Em outros países, a mudança foi maior. Na Holanda, por exemplo, a avaliação negativa passou de 54% para 70% em quatro anos. França e Alemanha agora apresentam níveis de percepção negativa próximos aos dos Estados Unidos, mostra a análise comparativa do Pew.

O BRASIL TAMBÉM ESTÁ MUDANDO DE PLATAFORMA

O lugar em que essa discussão acontece também está mudando. Entre as cinco plataformas pesquisadas pelo Pew em 2026, o Instagram aparece na frente no Brasil: 67% dos adultos dizem utilizar a rede. O Facebook vem logo depois, com 62%, seguido pelo TikTok, com 51%.

A diferença mais acentuada aparece no X. Em 2023, 22% dos brasileiros pesquisados diziam usar a plataforma. Em 2026, são apenas 7%.

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No conjunto dos 37 países, o Facebook ainda lidera entre as cinco plataformas analisadas, seguido pelo Instagram. TikTok, X e Snapchat aparecem em proporções menores, segundo o recorte da pesquisa sobre o uso das redes sociais.

O uso também varia conforme a idade: adultos mais jovens são mais propensos a utilizar várias plataformas ao mesmo tempo.

Tabela compara o uso de cinco redes sociais em 37 países. No Brasil: Facebook, 62%; Instagram, 67%; TikTok, 51%; X, 7%; Snapchat, 6%.
Instagram é a plataforma mais usada entre as cinco pesquisadas no Brasil, com 67%. Facebook aparece com 62% e TikTok, com 51%. Crédito: Pew Research Center

ENTRE PARTICIPAÇÃO E POLARIZAÇÃO

Os dados chegam em um momento especialmente sensível para o Brasil, entre os dois turnos das eleições de 2026.

A pesquisa do Pew mede percepções sobre as redes sociais. Ela não avalia o efeito das plataformas especificamente sobre esta eleição nem estabelece uma relação causal entre seu uso e o comportamento eleitoral.

O que mostra é como os brasileiros avaliam o ambiente no qual uma parcela importante da conversa política acontece.

A maioria acredita que as redes sociais fazem bem à democracia e ampliam o acesso à informação. A maioria também acredita que elas facilitam a manipulação e aprofundam divisões políticas.

Para os brasileiros, os benefícios e os riscos das plataformas fazem parte da mesma experiência


SOBRE A AUTORA

Isabella Lura é estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, dedicada e curiosa com interesse em contar histórias e transformar... saiba mais