A casa do tamanho do bolso da geração Z

Projeto usa casas minúsculas para mostrar como a renda de jovens compradores não acompanha os preços dos imóveis

Crédito: Riksbyggen

Nate Berg 2 minutos de leitura
Favoritar no Google

Três novas casas acabam de ser construídas na Suécia com o objetivo de atender a um segmento pouco contemplado pelo mercado. Voltadas para jovens que compram seu primeiro imóvel, elas foram projetadas e construídas de acordo com a renda e a poupança médias de pessoas de 25 anos.

Em um país com escassez de moradias como a Suécia, isso parece uma boa ideia. Mas há um porém: como as casas foram construídas de acordo com o que os jovens conseguem pagar, elas são incrivelmente, opressivamente e irrealisticamente pequenas. E isso é intencional.

As três casas minúsculas têm entre cerca de 1,9 e 4,5 metros quadrados, oferecendo pouco mais do que quatro paredes, um teto, um vaso sanitário e um lugar para sentar. Não há espaço sequer para se deitar completamente em uma cama.

Essas casas não são produtos de verdade. Elas fazem parte de uma campanha pela reforma habitacional liderada pela Riksbyggen, uma incorporadora sueca, e pela agência criativa BBDO Nordics.

Em vez de explicar o desafio da falta de moradias acessíveis apenas com números, a Riksbyggen optou por mostrar, em tamanho real, como seria de fato uma moradia que os jovens conseguem pagar.

As três casas serão levadas em uma turnê pela Suécia, dando às pessoas a oportunidade de "entrar" na crise habitacional do país.

1.	Campanha construiu três casas em tamanho real para mostrar o que jovens conseguem pagar
Crédito: Riksbyggen

O tamanho das casas é baseado no índice de metro quadrado da Riksbyggen, que combina renda, preços dos imóveis e condições de financiamento para mostrar o que é acessível a jovens que recebem a renda média em diferentes cidades suecas.

Em Umeå, por exemplo, os jovens conseguem pagar o modelo de 4,5 metros quadrados. Em Gotemburgo, a casa média acessível teria 3,1 metros quadrados. Em Estocolmo, seriam apenas 1,9 metro quadrado.

Ao construir as três casas, a Riksbyggen espera pressionar por três reformas para ampliar o aceso à moradia: aumentar a produção de casas, disponibilizar empréstimos de menor custo para compradores de primeira viagem e reintroduzir um programa de construção de habitação social para idosos, o que liberaria mais imóveis para compradores mais jovens.

As casas podem estar ajudando a estimular medidas concretas. O ministro da habitação da Suécia, Andreas Carlsson, visitou os imóveis, espremendo seu corpo alto em uma das meias camas das casas.

“Vemos um verdadeiro impulso político em torno das três propostas, embora em graus diferentes”, diz Johanna Frelin, CEO da Riksbyggen. “O maior apoio político atualmente parece estar voltado para um empréstimo inicial garantido pelo Estado para compradores de primeira viagem, enquanto o apoio a investimentos em moradias para pessoas mais velhas também está voltando a ganhar atenção.”

“Nossa proposta de que o Estado compartilhe mais os riscos da construção de novas moradias é politicamente mais desafiadora, mas a necessidade de agir é cada vez mais reconhecida”, acrescenta Frelin. “Em última análise, esperamos que a campanha ajude a transformar esse reconhecimento em políticas concretas.”


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais