A luminária produzida com bactérias e resíduos de frutas

Desenvolvido pela mexicana Polybion, o Celium transforma resíduos de frutas em um material translúcido usado em luminárias de design

luminárias feitas de material cultivado com bactérias e resíduos de frutas
Axel Gómez-Ortigoza Aguirre e Alexis Gómez-Ortigoza, cofundadores da Cenit (Crédito: Galar/ Galería Arquitectura)

Hunter Schwarz 2 minutos de leitura
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O sistema de iluminação Cenit é cultivado sob encomenda. É que a coleção de luminárias pendentes e de mesa, criada pela empresa mexicana de biotecnologia Polybion e pelo estúdio mexicano de design Natural Urbano, usa cúpulas cultivadas a partir de bactérias.

A Polybion chama de Celium o biomaterial usado nas luminárias, produzido com bactérias cultivadas a partir de resíduos de frutas. O desenvolvimento do Celium levou mais de 10 anos de pesquisa e desenvolvimento, conta Alexis Gómez-Ortigoza, cofundador da Polybion.

O processo é totalmente integrado: envolve transformar resíduos agroindustriais de frutas em um meio de cultivo capaz de produzir suas próprias bactérias, cultivar essa celulose bacteriana (um biopolímero natural) e finalizá-la até transformá-la em um material adequado para um produto de consumo.

Os resíduos agroindustriais de frutas fornecem nutrientes para as bactérias. À medida que crescem, elas formam a celulose em uma folha contínua. Quando essa folha atinge a espessura desejada, ela é colhida e, a partir daí, a Polybion consegue refiná-la para obter características como espessura, flexibilidade, toque, cor, textura e desempenho.

“Nosso trabalho tem se concentrado em transformar essa capacidade biológica em uma plataforma de materiais que possa ser produzida de maneira consistente, refinada para diferentes aplicações e integrada a produtos e cadeias de valor em vários setores”, afirma Gómez-Ortigoza.

O Celium tem dois acabamentos: Manto, que é leve, translúcido e maleável, e Espumante, que tem uma sensação mais encorpada e semelhante à espuma. Nas luminárias pendentes e de mesa Cenit, o material é preso a uma estrutura de madeira de freixo natural em folhas sobrepostas que produzem um brilho quente.

luminária feita de material cultivado com bactérias e resíduos de frutas
Crédito: Galar/ Galería Arquitectura

“Quando a luminária está acesa, o material revela gradientes, textura e calor. Quando está apagada, o Celium mantém uma forte presença física por meio de sua superfície e de sua forma”, diz Gómez-Ortigoza.

Cada luminária pendente ou de mesa Cenit é produzida sob encomenda e leva cerca de cinco semanas para ser criada.

O visual limpo e moderno do sistema de iluminação contrasta com a última colaboração da Polybion com a Natural Urbano, a Lapso, que usa longos filamentos de Celium para criar uma luminária que lembra uma água-viva.

O Celium e outros materiais de biodesign representam uma disciplina emergente do design que dá nova vida a resíduos, transformando-os em matérias-primas funcionais, como azulejos feitos de escamas de peixe ou materiais de construção para estruturas impressas em 3D a partir de milho.

As luminárias Cenit mostram que resíduos de frutas podem ser o ponto de partida para algo muito mais luminoso.


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais