Água sem microplásticos virou o novo símbolo de luxo
Novas marcas prometem água livre de PFAS e microplásticos, transformando pureza e transparência em diferencial de luxo

Por anos, marcas de água engarrafada premium tentaram convencer consumidores a partir de características quase intangíveis associadas à origem do produto: a pureza de uma geleira islandesa ou o exotismo e a vitalidade de um aquífero remoto no Pacífico.
Agora, uma nova geração de marcas quer redefinir bem-estar, saúde e luxo em torno de algo que a água não tem – um mistério invisível chamado microplásticos e PFAS, os chamados “químicos eternos”.
Com evidências crescentes de que a água engarrafada contém consideravelmente mais microplásticos do que a água da torneira, essas empresas estão aproveitando uma consciência (e um medo) cada vez maior dos consumidores em relação aos efeitos de longo prazo desses contaminantes.
“O movimento orgânico nunca chegou à água, porque ela não é cultivada”, afirma Clara Sieg, ex-investidora de capital de risco e fundadora da Loonen, marca de água livre de PFAS, submetida a testes rigorosos e vendida em garrafas de vidro.
“Durante muito tempo, foi uma categoria baseada em marketing e jargões. Os consumidores ganharam garrafas bonitas, mas pouca transparência sobre o que realmente havia dentro delas”, argumenta.
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A Loonen e a recém-lançada WaterOuai estão se posicionando como opções premium dentro de um mercado de purificação de água em expansão.
Desde seu lançamento, no fim de 2025, a Loonen se tornou uma “it water”, aparecendo na mão de influenciadores, nas prateleiras de mercados descolados e até com celebridades como Dua Lipa – tudo isso sem campanhas pagas com influenciadores.
Já a WaterOuai tenta ocupar o espaço da água artesanal e saudável, usando uma embalagem japonesa chamada “supercan”, criada para eliminar microplásticos.
HIDRATAÇÃO SEM CONTAMINAÇÃO
A tendência de hidratação mais livre de químicos acompanha mudanças maiores no universo do bem-estar, cada vez mais voltado para evitar aditivos e impurezas, afirma Joe Vennare, cofundador do site Fitt Insider.
Segundo ele, o debate impulsionado pelo movimento que busca uma vida mais saudável e a disseminação de testes independentes de produtos estão aumentando a atenção dos consumidores sobre o que existe dentro de alimentos e bebidas.

Para encontrar a água mais pura possível, Loonen e WaterOuai seguiram caminhos diferentes. No caso da Loonen, Clara Sieg testou amostras de água de várias partes dos EUA até selecionar nascentes nas montanhas Palomar, na Califórnia.
A água é analisada e transportada em tanques especiais revestidos de aço até uma engarrafadora personalizada, onde passa por filtragem, remineralização e é colocada em garrafas de vidro.
As normas da FDA (agência que controla alimento se medicamentos nos EUA) exigem que águas minerais e de nascente não passem por filtragens consideradas exageradas.
O logotipo da empresa – um mergulhão, ave aquática conhecida em inglês como loon – serve tanto como símbolo neutro quanto como referência biológica à pureza: esses pássaros abandonam rapidamente corpos d’água quando a qualidade começa a piorar.
Já a “supercan” usada pela WaterOuai emprega uma camada sólida de PET aplicada ao alumínio antes da formação da embalagem, criando uma barreira entre a lata e a água.

Segundo Holly Thaggard, fundadora da marca, os testes indicam que o processo cria rótulos mais duráveis, reduz transferência química e impede que microplásticos cheguem ao consumidor.
Com a crescente preocupação sobre os riscos dos microplásticos, Thaggard afirma estar vendo mais concorrentes surgindo e uma maior validação do segmento.
“Acho que essa conversa vai continuar avançando para a transparência dos materiais e das embalagens”, diz.
Joe Vennare acredita até que a própria supercan pode acabar se tornando o principal produto da empresa – uma espécie de infraestrutura para outras marcas de bebidas premium adotarem.
Para Sieg, marcas como a Loonen representam apenas parte da solução: a porção engarrafada e portátil de um ecossistema maior de água limpa, que provavelmente também inclui filtragem doméstica.
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Esse mercado tende a crescer à medida que as discussões sobre contaminação química e soluções estruturais ganham força.