Arsenal cria fonte inspirada em ídolo para levar sua marca além do futebol
Desenvolvida ao longo de quatro anos, tipografia homenageia David Rocastle e recupera elementos históricos do clube inglês para aproximá-lo da moda, da arte e da cultura.

O Arsenal, um dos clubes mais tradicionais do futebol inglês, apresentou uma nova fonte tipográfica criada para representar sua identidade além dos campos. Batizada de Rocastle, a família de letras levou mais de quatro anos para ficar pronta e homenageia um dos jogadores mais queridos pela torcida: David Rocastle, ídolo do time entre as décadas de 1980 e 1990.
O projeto foi desenvolvido pelo designer David Rudnick, torcedor do Arsenal, em colaboração com Léa Bruneau. A proposta era criar uma linguagem visual que recuperasse mais de um século de história do clube e pudesse ser usada em iniciativas ligadas à moda, à música, à arte e à cultura.
O resultado é uma tipografia de inspiração gótica, desenhada à mão, com três variações de peso e letras desenvolvidas especificamente para o Arsenal. O trabalho envolveu milhares de versões e revisões até chegar ao desenho final.
"Eu queria criar algo que nenhum outro clube pudesse ter", afirmou Rudnick em entrevista à It's Nice That.
UMA HOMENAGEM QUE COMEÇOU NOS ARQUIVOS DO CLUBE
Para desenvolver a nova fonte, Rudnick e a equipe de criação do Arsenal mergulharam no acervo histórico do time. Escudos antigos, programas de partidas, ingressos de papel, uniformes e materiais guardados por torcedores serviram como referência para o projeto.
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Uma das principais inspirações veio da identidade gráfica do clube, especialmente das letras góticas usadas em versões antigas de seu nome e do escudo histórico com o lema Victoria Concordia Crescit, expressão em latim que significa "A vitória cresce da harmonia".
O desafio era transformar essas referências em um sistema tipográfico completo, capaz de funcionar em diferentes aplicações sem perder a familiaridade com a identidade que os torcedores reconhecem há gerações.

"De alguma forma, ela precisava reunir essa contradição: ser sempre dinâmica e nova e, ao mesmo tempo, parecer eterna, como se sempre tivesse existido", afirmou Rudnick nesta mesma entrevista.
Segundo Rudnick, praticamente todas as letras da nova família tipográfica têm desenhos próprios. Algumas passaram por um longo processo de experimentação. Em entrevista à It's Nice That, o designer contou que a equipe chegou a brincar sobre a quantidade de vezes em que a letra G precisou ser redesenhada.
A escolha do nome também faz parte dessa construção. Conhecido como Rocky, David Rocastle chegou ao Arsenal aos 15 anos e ajudou o clube a conquistar os títulos do Campeonato Inglês de 1989 e 1991. Admirado pela habilidade em campo e pela relação com os torcedores, morreu em 2001, aos 33 anos.
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Para Rudnick, que acompanhou o jogador como torcedor, Rocastle representava valores que deveriam permanecer associados ao clube mesmo com o passar das décadas.
A nova tipografia incorpora essa ideia em seus detalhes. Conforme explica a Creative Review, uma linha que atravessa as letras em uma das principais versões da fonte simboliza a conexão entre torcedores de diferentes lugares.
O recurso também faz referência a dois deslocamentos importantes nessa história: a mudança do Arsenal de Woolwich para o norte de Londres e a trajetória do próprio Rocastle, que saiu do sul da cidade para jogar em Highbury, antigo estádio do clube.
POR QUE UM TIME DE FUTEBOL PRECISA DE UMA FONTE PRÓPRIA?
A Rocastle integra uma transformação mais ampla na identidade visual do Arsenal, iniciada após uma revisão da estratégia de marca em 2021 e 2022.




Johnnie Campbell, responsável pelo estúdio criativo do clube, explicou à It's Nice That que o Arsenal identificou três grandes dimensões de sua atuação: o time, a comunidade e a cultura.
Cada uma delas exige uma forma diferente de comunicação.
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Para os momentos ligados às partidas, como anúncios de gols e conteúdos esportivos, o clube desenvolveu a fonte Northbank. A tipografia Chapman atende às iniciativas voltadas à comunidade. Já a Rocastle foi criada para os projetos que aproximam o Arsenal de outros universos culturais.
“Meu sonho para a Rocastle é muito simples: que algum torcedor um dia queira fazer uma tatuagem com ela. Não consigo imaginar elogio maior.
A lógica é permitir que a marca tenha diferentes expressões visuais sem perder sua identidade. O sistema também inclui um novo símbolo chamado The Capital, uma letra A independente que complementa o escudo tradicional e amplia as possibilidades de aplicação da identidade visual.
A iniciativa acompanha um movimento de clubes de futebol que buscam fortalecer sua presença em outros mercados, especialmente na moda e no entretenimento. Camisas se tornam peças de vestuário usadas fora dos estádios, jogadores participam de campanhas de marcas e a cultura das torcidas ganha espaço em projetos criativos.
Para Campbell, a relação dos torcedores com o Arsenal ultrapassa os jogos. Por isso, o desafio do estúdio de criação é desenvolver uma identidade que consiga representar o clube em diferentes momentos da vida de seus fãs.
QUATRO ANOS PARA DESENHAR UMA IDENTIDADE
O desenvolvimento da Rocastle levou cerca de quatro anos e meio, segundo Campbell. Nesse período, Rudnick e a equipe trabalharam em milhares de desenhos, testando proporções, espessuras e combinações de letras.
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O processo também exigiu equilibrar a personalidade visual da fonte com sua legibilidade. A inspiração gótica deveria ser reconhecível, mas a tipografia precisava funcionar em aplicações contemporâneas.
A nova fonte foi apresentada em outubro, durante a exposição Arsenal by Design, realizada no Design Museum, em Londres.

Apesar do longo período de desenvolvimento, o clube não pretende utilizar a Rocastle indiscriminadamente. Campbell afirmou que a tipografia será reservada para ocasiões especiais, principalmente projetos que representem a presença cultural do Arsenal.
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Essa escolha ajuda a explicar o papel que o design assumiu na estratégia da organização. A identidade visual também se tornou uma ferramenta para preservar a memória, fortalecer o vínculo com os torcedores e ampliar os espaços em que o clube participa da cultura.
Rudnick, por sua vez, tem uma expectativa bastante pessoal sobre o futuro da criação. Em entrevista à It's Nice That, contou que sua maior satisfação seria ver um torcedor decidir tatuar uma palavra usando a Rocastle.
Para um designer que passou anos desenhando cada letra, seria uma forma de ver o projeto incorporado à identidade de quem acompanha o Arsenal. “Meu sonho para a Rocastle é muito simples: que algum torcedor um dia queira fazer uma tatuagem com ela. Não consigo imaginar elogio maior.”