Para os saudosos dos celulares ultrafinos, boa notícia: eles estão de volta
Depois de anos focando na duração da bateria e no poder das câmeras, os fabricantes estão retornando ao design—e apostando no retorno dos celulares finos

Os smartphones estão no mercado há tempo suficiente para que seu design pareça ter atingido um patamar estável. Em termos funcionais, é mais ou menos isso mesmo: todo mundo, basicamente, segura o mesmo retângulo de cerca de 18 centímetros – com exceção de um ou outro modelo dobrável.
Mas a maturidade e a onipresença dos smartphones geraram um novo fenômeno: o retorno das tendências, como acontece na moda. Por exemplo, a maioria dos celulares lançados nos últimos anos tem laterais planas, como o iPhone 4 de 2010. Cinco anos atrás, quase todas essas laterais seriam curvas. Bordas retas não são uma invenção nova, apenas voltaram a estar na moda.
Mas 2025 traz uma reviravolta surpreendente, algo que muitos consideravam improvável de retornar: pela primeira vez em um bom tempo, os principais fabricantes estão priorizando os celulares ultrafinos.
A Samsung abriu o ano anunciando a linha Galaxy S25, que inclui um modelo fino, o Galaxy S25 Edge. Segundo a Bloomberg, a Apple está planejando um iPhone mais fino para 2025, supostamente com uma única câmera. E marcas menores, como a Tecno, exibiram celulares muito finos no Mobile World Congress, no mês passado.
CELULARES ULTRAFINOS: POR QUE AGORA?
Cerca de uma década atrás, era comum as empresas se gabarem da espessura de seus celulares – quanto mais fino, melhor.
"Esta é a verdadeira mágica. Mais fino que qualquer telefone que já fizemos – isso exigiu uma engenharia incrível", , disse Phil Schiller, da Apple, ao apresentar as telas maiores do iPhone 6, de 6,9 mm de espessura, em 2014. Alguns meses depois, a Oppo anunciou o R5, que bateu um recorde com apenas 4,85 mm.
Na época, parecia inevitável que os celulares continuariam ficando cada vez mais finos. Mas então algo curioso aconteceu: o iPhone 6S ficou mais espesso, aumentando para 7,1 mm e adotando uma liga de alumínio mais resistente. Foi uma resposta não oficial, mas evidente, à tendência do iPhone 6 de entortar (aconteceu comigo).

Ninguém reclamou da integridade estrutural do iPhone 6S, mas os iPhones continuaram engrossando, chegando aos 8,3 mm do atual 16 Pro. No geral, isso não pareceu incomodar as pessoas. A duração da bateria se tornou uma preocupação menor do que antes, e o hardware de câmera, cada vez maior, simplesmente não caberia em dispositivos mais finos.
O movimento de 2025 em direção aos celulares ultrafinos, portanto, é uma ruptura clara com as tendências recentes. Então, por que os fabricantes estão convergindo para essa ideia agora?
A principal razão pode ser técnica. Embora ainda não saibamos quais baterias Samsung e Apple estão utilizando em

seus próximos dispositivos, as de silício-carbono se tornaram cada vez mais comuns em celulares Android chineses. A infusão de silício na química da bateria pode proporcionar um aumento significativo na capacidade sem ocupar mais espaço.
Outro motivo para a volta dos celulares ultrafinos pode ser mais subjetivo. Quando foi a última vez que um celular realmente te impressionou?
Dispositivos bem mais finos certamente terão alguma desvantagem em termos de duração da bateria e desempenho. Mas, se você termina o dia com mais da metade da carga ou raramente usa a lente teleobjetiva, talvez prefira um aparelho mais fino e estiloso.
MACBOOK AIR DOS CELULARES
A combinação de uma tecnologia de bateria melhor com o fato de que a maioria das pessoas não precisa de desempenho de ponta faz com que a ideia de um celular ultrafino pareça razoável, mesmo com uma performance um pouco menor.
Faz sentido que as empresas criem espaço para dispositivos focados em design. A Samsung sempre esteve disposta
pela primeira vez em um bom tempo, os principais fabricantes estão priorizando os celulares ultrafinos.
a experimentar. No caso da Apple, que tende a ser mais conservadora, há relatos de que ela está insatisfeita com as vendas de seus iPhones intermediários da linha Plus. Por que não tentar algo diferente entre os modelos básicos e os premium?
O objetivo deveria ser criar algo como o MacBook Air dos celulares: um design impressionante com especificações modestas, mas boas o suficiente para a maioria dos usos.
Sempre haverá quem prefira um celular com o máximo de desempenho, maior bateria e melhores câmeras. Mas quando o diferencial de um aparelho é seu formato físico, ele só pode ser realmente julgado quando você o pega na mão (e descobre quanto tempo a bateria dura).