Como a Adidas recriou a primeira chuteira de Messi para sua última Copa

Desenvolvido durante dois anos, o modelo resgata o início da trajetória de Messi nas Copas com materiais e desempenho de última geração

Como a Adidas recriou a primeira chuteira de Messi para sua última Copa
Crédito: Adidas

Grace Snelling 3 minutos de leitura

Com o gol na vitória por 2 a 0 da Argentina sobre a Áustria, Lionel Messi se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo (18 gols), 20 anos depois de estrear no torneio, em 2006.

Muita coisa mudou para Messi nessas duas décadas, mas seus fãs mais atentos talvez tenham percebido que um detalhe continuou praticamente o mesmo: suas chuteiras.

Quando entrou em campo pela primeira vez em uma Copa do Mundo, aos 18 anos, Messi usava um par de Adidas F50.6 Tunit. Ao bater seu recorde de gols, calçava um modelo personalizado, o Adidas F50 El Ultimo Tango, criado para reproduzir a silhueta daquele par original.

Para desenvolver a F50 El Ultimo Tango, a Adidas partiu da F50.6 Tunit, atualizou seu visual e reconstruiu o modelo com as tecnologias mais modernas da marca.

Foram dois anos de desenvolvimento, com ampla participação do próprio Messi, para criar uma chuteira à altura do que provavelmente será sua última Copa do Mundo.

MESSI REVISITA SEU ACERVO DE CHUTEIRAS

Quando a F50.6 Tunit foi lançada, no fim de 2005, ela representou um marco na inovação esportiva da Adidas.

Seu principal diferencial era a possibilidade de personalização. O modelo oferecia diferentes cabedais (cabedal é a parte de cima de um tênis), produzidos em diversos materiais, além de travas específicas para gramados macios, firmes ou duros, permitindo que cada jogador adaptasse a chuteira às suas preferências e às condições do campo.

Para a Copa do Mundo de 2006, a Adidas lançou uma série de cabedais em edição limitada inspirados nas seleções participantes. Entre eles estava o modelo da Argentina, com listras azuis e amarelas e acabamento metálico que remetia a asas – justamente o que Messi usou na competição.

Messi na Copa de 2006
Messi na Copa de 2006 (Crédito: Patrik Stollarz/AFP/ Getty Images)

"A F50.6 Tunit de 2006 é um momento icônico na trajetória de Messi. Foi ali que começou sua história nas Copas do Mundo", afirma Sam Handy, gerente geral da divisão de futebol da Adidas.

"Para nós, este projeto simboliza um ciclo que se completa. Vinte anos depois, diante do que pode ser sua última Copa do Mundo, voltamos ao ponto onde tudo começou."

O desenvolvimento da F50 El Ultimo Tango teve início em 2024, quando Messi visitou a sede da Adidas, em Herzogenaurach, na Alemanha, para revisitar o acervo de chuteiras que marcou sua carreira. Foi quando ele manifestou o desejo de "fechar esse ciclo nesta Copa do Mundo, voltando à F50 original".

ESTÉTICA RETRÔ, CONSTRUÇÃO MODERNA

Do ponto de vista do design, a equipe da Adidas procurou reproduzir alguns dos elementos mais marcantes da F50.6 Tunit original. Entre eles está a aba que cobre os cadarços, conferindo à chuteira uma aparência limpa e aerodinâmica, além das linhas fluidas na região frontal.

chuteira da Adidas modelo F50.6 Tunit, feita especialmente para Lionel Messi

Assim como no modelo de 2006, as cores da bandeira argentina e do uniforme da seleção serviram de ponto de partida para a identidade visual: uma base em tom marfim, detalhes em azul vibrante e listras douradas metálicas.

"A partir daí, queríamos elevar o design e torná-lo digno da importância desse momento", diz Handy. "Buscamos referências fora do futebol, especialmente no design de motocicletas e na cultura dos lowriders, onde existe um equilíbrio muito interessante entre acabamentos sofisticados e detalhes ousados e expressivos. É daí que surgem os efeitos dourados e iridescentes, que dão sensação de movimento e energia à chuteira."

Embora a F50 El Ultimo Tango reproduza visualmente a F50.6 Tunit, Handy ressalta que, em termos de desempenho, trata-se de "uma chuteira completamente nova".

O cabedal utiliza o HybridTouch+, material sintético desenvolvido pela Adidas para proporcionar maior aderência e melhor sensibilidade no contato com a bola.

Na parte traseira, uma estrutura com costura invertida oferece mais acolchoamento e suporte para o calcanhar. Já toda a estrutura da chuteira incorpora a mais recente plataforma de velocidade da linha F50.

"No fim das contas, nosso objetivo era capturar o espírito da chuteira de 2006 e apresentá-lo em sua forma mais sofisticada e comemorativa, destacando aqueles elementos originais da maneira mais grandiosa possível", afirma Handy.

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"Embora faça referência ao passado, tecnicamente ela foi construída para atender às exigências do futebol moderno em seu mais alto nível."


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais