Conheça a sede futurista da startup que está desenhando a nova estação espacial
A nova sede da Vast, com cerca de 4.5 mil metros quadrados tem visual minimalista e uma sala de controle que parece ficção científica

Uma imponente árvore baobá recepciona visitantes dentro da sede da Vast, em Long Beach, Califórnia, uma empresa aeroespacial que está construindo a estação espacial do futuro.
A árvore foi plantada sob uma claraboia, no centro de um lobby circular pintado de branco, equipado com uma elegante recepção de alumínio e um banco embutido de madeira que acompanha a curvatura das paredes.
A árvore e o ambiente são simbólicos. A primeira remete às árvores de "O Pequeno Príncipe"; o segundo tem exatamente o mesmo diâmetro de um módulo Haven-1, que a equipe da Vast espera transformar em lar para pesquisadores, astronautas e viajantes e, eventualmente, substituir a Estação Espacial Internacional.


A corrida espacial do século 21 envolve turismo e missões mais longas e distantes. Nesse cenário, empresas como a Vast avançam rapidamente no desenvolvimento das tecnologias e da infraestrutura física que permitirão a vida humana no cosmos.
Aqui na Terra, elas também estão inventando novos tipos de ambientes de trabalho para essa indústria em expansão, que deve alcançar US$ 87 bilhões até 2035.
A nova sede da Vast, com cerca de 4.5 mil metros quadrados, é fruto de uma colaboração entre a equipe interna da empresa e o estúdio multidisciplinar Civilian, de Nova York. O projeto sintetiza tudo isso em uma expressão sofisticada de como a arquitetura pode impulsionar alta performance e reforçar a marca.

O espaço aposta no minimalismo: pisos de concreto polido, portas de carvalho branco e uma paleta dominada por branco e cinza. Mas a escolha vai além da estética: ela reforça o tipo de trabalho que a Vast pretende realizar.
“A ideia de que a forma pode potencializar a função está no centro de tudo o que fazemos”, diz Hillary Coe, diretora de design e marketing da Vast. O visual também reflete o módulo Haven-1, alinhado à estratégia da empresa de fazer com que habitats espaciais sejam o mais próximos possível do ambiente terrestre.

O escritório e a estação espacial compartilham essa linguagem porque foram projetados para otimizar a saúde e o bem-estar humano. O aspecto visual, a textura dos materiais, a qualidade da luz e a acústica “podem tanto sobrecarregar o sistema nervoso quanto acalmá-lo”, afirma Ksenia Kagner, cofundadora do estúdio Civilian ao lado de Nicko Elliott.
Para isso, o projeto incorpora princípios de design biofílico, que comprovadamente reduzem o estresse ao integrar materiais naturais, abundante luz natural e vegetação. O resultado é um ambiente que favorece a concentração, minimizando distrações.

A Civilian desenhou uma planta que reforça a integração entre as equipes. Em uma extremidade do edifício fica a sala limpa, onde ocorre a fabricação pesada. Na outra, o centro de controle de missão, onde as equipes de operação e gestão atuariam 24 horas por dia durante uma missão espacial.
No coração do prédio, um espaço de convivência com cozinha e lounge reúne todos os colaboradores. As paredes internas são majoritariamente de vidro, garantindo transparência visual entre as equipes — e mantendo sempre à vista o objetivo comum: a estação espacial.
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Uma rampa com acabamento em alumínio personalizado conecta todos os ambientes. “Ela acabou se tornando uma jornada de experiência para o usuário”, explica Elliott. “Ao circular pelo espaço, você entra em contato com diferentes áreas e divisões da empresa.”
CENTRO DE CONTROLE DO SÉCULO 21
Um dos maiores desafios de design foi o centro de controle de missão, uma área de cerca de 230 metros quadrados onde equipes trabalham ininterruptamente durante as operações espaciais. “Havia uma intenção muito clara de eliminar qualquer informação não essencial do campo de visão”, diz Elliott.
O ambiente é minimalista: apenas fileiras de mesas de carvalho branco sob medida voltadas para uma tela curva de LED de cerca de nove metros, onde são exibidos dados críticos. O conforto sensorial é ainda mais crucial aqui do que no restante da sede.
O estúdio projetou um teto iluminado que distribui luz de maneira uniforme por toda a sala e revestiu as paredes com painéis acústicos de lã em tons de cinza semelhantes aos do piso e dos acessos de TI nas mesas.
“Quando vidas de astronautas estão em jogo e você precisa localizar rapidamente informações para tomar decisões, o espaço precisa ser projetado para otimizar esse processo”, afirma Coe.
À medida que a comercialização do espaço ganha tração, atrair talentos e investidores se torna essencial – e, no futuro, também viajantes privados. Tudo isso ajuda a tornar a exploração espacial “mais acessível e normal”, conclui Kagner.


