Copa do Mundo: camisa da Bélgica tem um toque de surrealismo
Adidas reinterpretou símbolos clássicos de René Magritte em uma das camisas mais ousadas do Mundial

Para a Copa do Mundo de 2026, a seleção da Bélgica – os famosos Diabos Vermelhos – decidiu levar o surrealismo para dentro de campo.
Desenvolvido em parceria com a Adidas, o uniforme reserva da equipe apresenta um padrão em azul e rosa inspirado nas obras de René Magritte (1898-1967), cujas pinturas desafiadoras ajudaram a definir o movimento surrealista. As versões oficiais da camisa estão sendo vendidas pela Adidas por US$ 150.
Esta é a quarta vez que a Bélgica utiliza o uniforme reserva para homenagear algum aspecto de sua herança cultural. Na UEFA Euro 2016, os jogadores usaram uma camisa inspirada na cultura ciclística do país.
Na Copa do Mundo de 2022, o design foi criado em colaboração com o festival belga Tomorrowland. Já na UEFA Euro 2024, a inspiração veio de Tintim, o icônico personagem dos quadrinhos de Hergé.
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Agora, em 2026, a seleção aposta em sua interpretação mais sofisticada e artística até agora.
“ISTO NÃO É UMA CAMISA”
Quando se fala em Magritte, é provável que venham à mente uma maçã verde, um chapéu-coco e um cachimbo.
Embora tenha experimentado o cubismo no início da carreira, suas obras mais conhecidas – produzidas principalmente entre o fim dos anos 1920 e o início da década de 1960 – misturavam cenas realistas com elementos inesperados.


Objetos apareciam onde não deveriam estar, como a maçã verde que cobre o rosto do homem elegante em "O Filho do Homem". Em outras obras, as leis da física simplesmente deixavam de existir, como os homens flutuando em "Golconda".

O uniforme faz referência a uma de suas obras mais famosas, "A Traição das Imagens", que mostra um cachimbo com a frase “Ceci n’est pas une pipe” (“Isto não é um cachimbo”).
Na gola da camisa, uma inscrição discreta reproduz a brincadeira conceitual: “Ceci n’est pas un maillot” (“Isto não é uma camisa”).
CÉUS AZUIS E BOLAS FLUTUANTES
Diversos elementos recorrentes da obra de Magritte foram incorporados ao design.
A fascinação do artista pelos céus do fim de tarde e do início da noite aparece em muitos de seus quadros e inspirou o tom azul-claro que domina o uniforme.

Já as formas circulares repetidas, como maçãs, luas e sóis, foram reinterpretadas como uma sequência de bolas de futebol rosas e azuis espalhadas pela estampa.
Segundo a descrição da Real Associação Belga de Futebol, as pequenas linhas horizontais presentes no padrão representam as marcações de um campo de futebol.
UMA DAS CAMISAS MAIS OUSADAS DO MUNDIAL
Embora muitas seleções optem por releituras simples das cores nacionais em seus uniformes, algumas equipes costumam buscar referências menos convencionais.
Este ano, por exemplo, a seleção de Gana adotou um uniforme inspirado no kente, tradicional tecido artesanal do país. Já a da França criou uma camisa reserva baseada na cor da Estátua da Liberdade.

Outras equipes recorreram ao próprio passado. O uniforme reserva do Uruguai presta homenagem à década de 1930, enquanto a camisa principal dos Estados Unidos retoma um visual de 2012 que chegou a ser comparado à série de livros "Onde Está Wally?".
Em comparação com esses modelos – muitos ainda baseados nas cores das bandeiras nacionais –, a proposta belga se destaca pela ousadia. Em vez de apenas reproduzir as pinturas de Magritte, a Adidas transformou seus elementos visuais em uma estampa contemporânea, vibrante e elegante.
Se o desempenho em campo corresponder ao visual, os Diabos Vermelhos têm tudo para estar entre os times mais bem vestidos da Copa.