Cordas descartadas no mar são transformadas em bancos inspirados em boias

Estúdio holandês utiliza impressão 3D para dar nova função a cordas plásticas descartadas no ambiente marítimo

Projeto Buoy
Coleção Buoy combina design inspirado em boias, reciclagem de plástico e fabricação digital. (Créditos: Reprodução/The New Raw/Unsplash)

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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Cordas plásticas utilizadas em embarcações e descartadas no porto de Roterdã, na Holanda, ganharam uma nova função como bancos públicos. 

O projeto Buoy, desenvolvido pelo estúdio de design The New Raw, transforma os resíduos marítimos em peças de mobiliário urbano produzidas por impressão 3D.

O estúdio projetou a coleção para o espaço público, misturando reaproveitamento de materiais e um formato inspirado em boias na água. Os assentos têm bases pontiagudas que permitem um movimento suave de balanço quando alguém se senta. 

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COMO AS CORDAS MARÍTIMAS VIRAM BANCOS

A designer Foteini Setaki, fundadora do The New Raw, recolheu cordas plásticas descartadas no porto de Roterdã. A empresa levou os materiais para Maastricht antes da fabricação dos móveis, realizando limpeza, trituração e reciclagem mecânica em pequenos grânulos de plástico.

Depois, o material retornou ao estúdio em Roterdã, onde a equipe o derreteu e usou na fabricação dos bancos por impressão 3D. As camadas se fundem durante a deposição, dispensando a necessidade de um aglutinante separado.

Créditos: Reprodução/The New Raw

O processo exige uma seleção cuidadosa porque as cordas marítimas podem reunir diferentes materiais e acumular resíduos durante o uso. Por isso, a equipe priorizou peças com maior concentração de polipropileno, um tipo de plástico adequado à reciclagem utilizada no projeto.

Créditos: Reprodução/The New Raw

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FORMATO REPRODUZ O MOVIMENTO DAS BOIAS

O desenho dos bancos também faz referência à origem dos materiais. A base pontiaguda permite que os assentos balancem lentamente, reproduzindo o movimento das boias sobre a água.

As cores variam conforme a tonalidade das cordas recolhidas, sem necessidade de pigmentos ou revestimentos adicionais. 

Além disso, a empresa incorporou pequenas quantidades de aditivos para aumentar a resistência ao uso externo, incluindo proteção contra raios ultravioleta. Segundo o Dezeen, esses componentes são compatíveis com uma nova reciclagem do material.

Créditos: Reprodução/The New Raw

PROJETO REAPROVEITA 45 KG DE PLÁSTICO

De acordo com o The New Raw, o projeto utiliza 45 quilos de plástico reciclado e representa uma economia estimada de 117 quilos de CO₂. Cada banco recebe uma gravação com o número do lote e de produção, e as peças foram instaladas na região portuária de Roterdã.

Créditos: Reprodução/The New Raw

Fundado em 2016, o The New Raw desenvolve móveis por meio da impressão 3D com resíduos plásticos de origem local. Com o Buoy, o estúdio propõe uma forma de aproximar o design do ambiente em que os materiais são descartados, transformando resíduos do porto em elementos de uso coletivo.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais