D23 2026: como um pequeno encontro virou o maior evento de fãs da Disney
Enquanto fãs se envolvem cada vez mais com a cultura pop, a Disney transforma suas histórias e personagens em comunidades que permanecem ativas o ano inteiro

O D23, clube oficial de fãs da Disney, existe há 17 anos — e está maior do que nunca.
O clube oferece duas modalidades de assinatura. Há uma versão gratuita e a categoria Gold, dividida em três planos: Essential, por US$ 49,99 ao ano; Choice, por US$ 119,99; e Complete, por US$ 329,99. Cada um oferece benefícios e vantagens exclusivas.
O D23 também é conhecido por seu evento realizado a cada dois anos. Em 2024, o antigo D23 Expo passou a se chamar D23: The Ultimate Fan Event. A edição deste ano começou nesta sexta-feira (14) e segue durante todo o fim de semana.
É uma espécie de Comic-Con exclusiva da Disney, na qual milhares de pessoas se reúnem para celebrar seus personagens, filmes, séries e universos preferidos.
O evento começvou em 2009, como um estande da Disney na Comic-Con de San Diego. No segundo semestre daquele mesmo ano, tornou-se o D23 Expo, realizado no Centro de Convenções de Anaheim, na Califórnia. Desde então, ganhou dimensão internacional. O D23 realizou eventos no Japão, em 2013, e em São Paulo, em 2024.
Embora a principal edição continue acontecendo em Anaheim a cada dois anos, a Disney planeja expandir o formato para outros países. Em 2027, Singapura receberá a primeira edição regional do D23 Asia.
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“NOSSO MAIOR D23”
O público do evento cresceu ao longo dos anos. Em 2013, o D23 Expo recebeu 65 mil pessoas. Nos anos seguintes, veículos como o The New York Times estimaram que mais de 100 mil fãs passaram pelas diferentes edições.
Segundo Asad Ayaz, diretor de marketing e marca da Disney, o evento deste ano tem uma escala diferente das anteriores. “Este será o nosso maior D23”, diz Ayaz à Fast Company. “É a edição com o maior número de painéis.”
Em 2024, o evento passou a ocupar não apenas o Centro de Convenções de Anaheim, mas também o Honda Center. A ampliação permitiu receber mais pessoas, apresentações e painéis.
Neste ano, o D23 volta a acontecer nos dois locais e terá mais de 50 painéis e apresentações.

Pela primeira vez, a Disney também realizou um concerto dedicado às princesas da marca. A apresentação reuniu dubladoras originais e artistas ligados às personagens e abriu a programação na noite de quinta-feira, no parque Disney California Adventure.
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SER FÃ VIROU UM GRANDE NEGÓCIO
O D23 não está sozinho. Outras empresas de entretenimento criaram suas próprias convenções, como o Tudum, da Netflix. O evento começou em 2020, em São Paulo, com uma programação de vários dias e mais de 50 mil participantes. Já a edição realizada em 2025 no Kia Forum, em Los Angeles, reuniu cerca de 9,5 mil pessoas presencialmente.
Mesmo diante da fragmentação do público, o D23 conseguiu permanecer relevante. A edição deste ano acontece uma semana depois de a Walt Disney Company anunciar receita de US$ 25,25 bilhões no terceiro trimestre. A divisão Experiences, que reúne parques e outras experiências presenciais, faturou US$ 9,97 bilhões — uma alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O consumo de conteúdo se espalhou por diferentes plataformas, enquanto a maneira como as pessoas se relacionam com seus universos preferidos também mudou. Segundo Ayaz, adaptar o D23 e torná-lo mais acessível ajudou o evento a manter sua importância no ambiente digital.
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Parte da programação é transmitida pela internet para diferentes países. “Por meio das transmissões ao vivo e do Disney+, milhões de fãs ao redor do mundo conseguem ter acesso”, afirma.

As redes sociais também cumprem um papel central. Os fãs usam a internet para comentar apresentações, compartilhar novidades e produzir suas próprias interpretações sobre o que acontece no evento.
“Os fãs querem estar mais próximos”, diz Ayaz. “Agora, eles criam conteúdo e compartilham tudo online. O evento recebe uma cobertura intensa nas redes sociais, o que ampliou muito o nosso alcance.”
Os fãs não querem apenas consumir as histórias. Eles querem participar dos universos construídos ao redor delas.
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UMA MARCA FORMADA POR DEZENAS DE COMUNIDADES
A programação deste ano abrange diferentes propriedades da Disney, da Pixar a Os Simpsons e Camp Rock 3.
Ayaz explica que algumas referências da companhia são conhecidas pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, existem subgêneros e comunidades menores, formadas por grupos de fãs engajados, apaixonados e muito ativos.
“Temos os dois tipos dentro da Disney e de nossas histórias”, afirma. “O que torna o D23 especial é reunir pessoas interessadas em Marvel, Star Wars, National Geographic, Disney on Broadway e Disney+. Há desde colecionadores de pins e famílias até criadores de conteúdo e especialistas na história da Disney.”
O que torna o D23 especial é reunir pessoas interessadas em universos diferentes dentro de uma mesma comunidade.
Star Wars e Marvel estão entre as principais propriedades intelectuais da companhia e sustentam comunidades de fãs de diferentes gerações.
Em 2027, Star Wars completa 50 anos. Uma nova temporada de Ahsoka deve chegar ao Disney+ no início do ano, enquanto Star Wars: Starfighter, estrelado por Ryan Gosling, tem estreia prevista nos cinemas para o verão do hemisfério norte.
A edição deste ano do D23 também acontece poucos meses antes da estreia de Vingadores: Doomsday, marcada para dezembro.
Segundo Ayaz, manter essas comunidades ativas exige criar expectativa durante todo o ano, e não apenas nos dias do evento.
“Temos um lançamento muito grande pela frente com Vingadores: Doomsday e já começamos a vender ingressos para formatos premium”, conta.
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MAIS DO QUE ASSISTIR AOS LANÇAMENTOS
Para Ayaz, nenhuma outra empresa reúne marcas suficientes para promover um evento com a mesma dimensão do D23.
“A Disney é a única companhia, com a única coleção de marcas, capaz de fazer algo nessa escala”, afirma. “E não tratamos isso como algo garantido.”
O modelo depende da ligação emocional do público com personagens, histórias e experiências construídos ao longo de décadas.
“Os fãs têm uma conexão emocional com esses personagens e experiências”, diz Ayaz. “Existe muito valor em fazer com que se sintam por dentro do que acontece. Eles não querem apenas assistir passivamente. Pensamos nisso como uma relação de mão dupla com nossos fãs.”