Depois de um século e meio, o bom e velho guarda-chuva ganha nova forma

O Ori Umbrella elimina o esqueleto e redefine o objeto substituindo o design geométrico por uma armação metálica

guarda-chuva em formato cilíndrico da marca Ori
Crédito: Ori

Hunter Schwarz 2 minutos de leitura

O design do guarda-chuva com hastes de aço mudou pouco desde sua introdução, nos anos 1850. Mas um grupo de engenheiros mecânicos e especialistas em origami acredita finalmente ter superado esse modelo centenário ao criar um guarda-chuva que funciona a partir do próprio ato de dobrar.

O Ori Umbrella abandona completamente a estrutura metálica tradicional. Em seu lugar, utiliza uma cobertura de compósito laminado sem armação, que se dobra e se acomoda dentro de um cilindro de apenas 3,5 centímetros, integrado a um cabo inteligente com display OLED.

Sem hastes de aço, não há peças que possam entortar, quebrar ou colapsar quando o usuário enfrenta ventos fortes – um problema clássico do objeto. O resultado é um guarda-chuva que, pela primeira vez, parece ter sido concebido para o século 21.

A equipe de design incluiu especialistas em origami que normalmente atuam em setores como aeroespacial, pesquisa avançada e estruturas dobráveis de alta performance. E foi justamente aí que surgiu a solução.

guarda-chuva em formato cilíndrico da marca Ori
Crédito: Ori

O grupo adotou uma técnica conhecida como Miura-ori, criada em 1970 pelo astrofísico japonês Koryo Miura, para substituir completamente a função da estrutura metálica. O método permite dobras extremamente compactas e já foi bastante utilizado em satélites e painéis espaciais.

“Todo mundo tem um guarda-chuva, mas ele é um objeto esquecido, preso ao passado”, afirma o fundador da Ori, Modestas Balcytis. “Queríamos transformá-lo em um dispositivo contemporâneo: inteligente, intencional, premium e projetado como um produto tecnológico.”

Quando aberto, o dossel transmite solidez. Não se trata de um tecido esticado sobre uma armação, mas de uma única superfície contínua, dobrada com precisão geométrica. “Ao abrir, você sente a geometria se travar no lugar, transformando uma superfície plana em uma estrutura forte e completa”, diz Balcytis.

guarda-chuva em formato cilíndrico da marca Ori
Crédito: Ori

Essa lógica estrutural também explica o desempenho. O guarda-chuva é resistente ao vento, ao contrário dos modelos tradicionais que muitas vezes se dobram e viram do avesso.

Segundo a empresa, o material da cobertura também oferece resistência aos raios UV e maior durabilidade em comparação com guarda-chuvas convencionais. Os primeiros lotes do Ori Umbrella devem chegar ao mercado ainda no primeiro semestre de 2026.

guarda-chuva em formato cilíndrico da marca Ori
Crédito: Ori

As imagens promocionais remetem mais ao universo de marcas como Dyson ou Apple do que ao de acessórios descartáveis. O modelo está disponível nas cores azul, prata e dourado; é recarregado via USB-C; e abre e fecha com um único clique.

A Ori apresenta o guarda-chuva como uma alternativa a um objeto mal projetado, que quebra com facilidade e raramente dura mais de algumas temporadas. A empresa afirma ter testado o produto em 400 a 500 ciclos de abertura e fechamento.

Trata-se de um guarda-chuva tratado como artefato de alta tecnologia – e, segundo Balcytis, apenas o primeiro de uma série. “A Ori não existe para vender guarda-chuvas”, afirma. “Estamos construindo uma nova linguagem para objetos dobráveis.”


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais